Categoria: Saúde e Bem-Estar

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Por que os pets estão ficando obesos?

A obesidade é um problema que vem preocupando cada vez mais os proprietários de animais de estimação e veterinários. Cães e gatos têm uma vida que nós consideramos curta (vivem em média de 12 a 14 anos), e animais obesos tendem a viver menos ainda. Estima-se que a ocorrência de animais de companhia com excesso de peso varie entre 25% a 40%, de acordo com estudos em diversos países. No artigo de hoje entenderemos mais detalhadamente porque os pets têm enfrentado esse problema atualmente.


As diferenças alimentares entre humanos, cães e gatos


Assim como os pets, nós humanos temos apresentado números alarmantes de obesidade, e a vida moderna tem grande influência nisso. Hoje em dia temos a disposição uma variedade enorme de alimentos, entre eles inúmeras opções de comidas muito saborosas e atrativas, porém nada saudáveis. Some-se a isso um estilo de vida sedentário onde quase não precisamos mais caminhar ou executar atividades que exigem exercício físico. O resultado não poderia ser diferente: excesso de peso em muita gente. E por conviverem muito próximos a nós, nossos animais também desenvolveram a obesidade.

Cães e gatos já vivem dentro de casa e acompanham de perto todos nossos hábitos, e a alimentação é o principal deles.  O problema é que somos muito diferentes dos pets nesse aspecto. Nós seres-humanos somos onívoros, ou seja, podemos nos alimentar de diversos tipos de alimentos, estando aptos a digerir grandes quantidades de carboidratos, fibras e alimentos de origem vegetal e animal. Com o passar do tempo, o sistema digestivo do homem se adaptou bem à ingestão de alimentos como leite, açúcar, pão e farinhas e óleos vegetais, e é ai que está a grande diferença: cães e gatos são predominantemente carnívoros e estão pouco adaptados aos nossos alimentos.

Os cães foram domesticados há muito tempo, cerca de 20 a 30 mil anos. E essa domesticação foi muito intensa nos últimos séculos, transformando o lobo selvagem nos cães super amigáveis de hoje. Com isso, o cachorro atualmente apresenta uma adaptação à digestão de carboidratos e alguns vegetais. Porém, essa característica ainda está longe da nossa adaptação, e cães são ainda sensíveis ao excesso de carboidratos, principalmente ao açúcar e as farinhas processadas (como farinha de trigo, por exemplo).

Já os gatos têm um organismo muito mais próximo dos seus ancestrais selvagens do que o cão, pois foram domesticados há aproximadamente 9 mil anos. Os gatos são animais carnívoros estritos e tem de ingerir uma quantidade grande de proteína animal. Eles são ainda mais suscetíveis a problemas de saúde quando ingerem alimentos ricos em carboidratos ou vegetais.


A “humanização” é prejudicial


Nas últimas décadas temos observado uma grande mudança na relação com os animais de estimação. Eles estão muito mais presentes, vivem dentro de casa, dormem no sofá ou na cama, participam das reuniões e passeios da família e têm um significado maior para nós. Essa mudança, no geral, é boa, pois agora estamos prestando muito mais atenção neles, oferecendo produtos e serviços de qualidade nunca antes vista, frequentando mais o Médico Veterinário, e cuidando deles com muito mais carinho e atenção. Porém, essa proximidade não trouxe só coisas boas. “Humanizar” o pet, ou seja, trata-lo como um ser humano, é prejudicial. Nossos hábitos são muito diferentes dos deles, e os animais acabam sofrendo com isso.

O bem-estar animal é um conceito amplo. Ele envolve, entre outras coisas, entender o animal e o que ele precisa para sobreviver de acordo com a sua natureza. É justamente aí que algumas pessoas erram, cometendo exageros. Ao dar um sanduiche de mortadela ao seu cão, você não está sendo um bom tutor, por mais que seu cão fique aparentemente feliz ao saborear esse lanche. A obesidade está profundamente ligada com esses mimos em excesso.  Os alimentos desenvolvidos exclusivamente para humanos, como pizza, hambúrguer, sorvete, pão, entre outros, podem até ser deliciosos para o seu cão ou gato, porém farão ele sofrer consequências ruins para o seu bem-estar. Conforme explicado em outro artigo, a obesidade é uma doença que causa muitos problemas de saúde sérios aos pets. Além desses alimentos “humanos”, outro erro frequente é o de oferecer petiscos (próprios para cães e gatos) em excesso, como uma forma de compensar ou de agradar o animal sempre. Devemos ter em mente que o animal não tem consciência nutricional, e por questões de sobrevivência herdadas da sua evolução, vai querer sempre comer o máximo que ele puder, principalmente alimentos mais saborosos. E não vai ser pela falta de algum agrado alimentar que o pet vai sofrer ou ficar triste. Esses petiscos fornecem mais calorias ao animal, que serão somadas às calorias da alimentação regular dele, gerando um excesso de energia que irá se transformar em gordura.


A vida moderna e sua relação com a obesidade      


É fato que a vida que levamos hoje está muito ligada a ocorrência da obesidade. Começando pela falta de exercício físico, que ocorre graças ao pouco tempo disponível que temos para passear com nossos pets. Além do tempo escasso, quem mora em grandes cidades também sofre com as poucas opções de locais seguros para os passeios. Para piorar, as residências estão se tornando cada vez menores, e grande parte da população já vive em apartamentos. Com isso, os cães e gatos vivem em espaços pequenos que não exigem esforços físicos e tornam a vida deles mais entediante e monótona. Na natureza, esses animais despendem boa parte do seu dia explorando seus territórios em atividades que consomem muita energia.

Outra característica da vida moderna é a necessidade de se alimentar rapidamente. Isso gerou uma oferta enorme de alimentos ultraprocessados e de fácil preparo, opções nada saudáveis para nós, e piores ainda para os animais. Some a isso o nosso hábito de fazer várias refeições ao dia, algo que não condiz com a natureza de cães e gatos. Cães adultos vivem bem com 1 ou 2 refeições ao dia, e na natureza passavam muitos dias sem se alimentar a espera de uma presa. Já os gatos acabam comendo mais vezes ao dia (3 a 4 vezes), porém são porções muito pequenas.

 

Os alimentos humanos que mais contribuem com a obesidade dos pets


Agora que você já sabe que nossos hábitos têm engordado os pets, vamos à lista detalhada de quais são os principais alimentos prejudiciais a eles:

- Doces: o primeiro lugar na lista tem que ser o doce. O açúcar branco que é adicionado aos doces (sorvete, chocolate, sobremesas, etc.) não é encontrado na natureza. Além disso, esse açúcar rapidamente se transforma em energia excedente, que por sua vez é estocada na forma de gordura. Fora isso, há ainda os efeitos nocivos aos dentes que o açúcar traz ao animal. Sobre o chocolate, ele tem ainda um agravante muito sério: uma substância presente chamada de teobromina é tóxica para os pets.

- Pizza: a massa da pizza contém uma grande quantidade de carboidrato refinado, proveniente da farinha de trigo branca. Somado a esse carboidrato em proporção errada para um animal, tem o queijo que tem lactose e muita gordura. A lactose pode gerar diarreias em animais intolerantes, e a gordura é o nutriente mais calórico da alimentação.

- Pães, massas e biscoitos: aqui o problema é que esses alimentos contêm basicamente um nutriente, o carboidrato, que acaba desequilibrando a proporção correta desse item na alimentação.

- Embutidos: alimentos como salsicha, linguiça, presunto e salame são ruins para o pet por conterem altas quantidades de sódio e condimentos. Além disso, normalmente eles são ricos em gordura.

- Restos de comida em geral: oferecer os restos do prato ou da panela ao seu pet é uma má ideia. Imagine que esse alimento, por melhor que seja, vai ser um excedente em relação à alimentação regular do animal, causando um desequilíbrio da proporção correta dos nutrientes. Além disso, nossos restos de comida geralmente contêm ossos, pedaços grandes de gordura e outros itens que nós dispensamos justamente porque sabemos que podem não nos fazer bem.

Para concluir, vale ressaltar que ao oferecer tantos alimentos humanos que estão fora da dieta recomendada do pet, nós criamos um hábito nele que é muito difícil de reverter. O paladar do animal irá se acostumar com alimentos muito saborosos e ricos em elementos desnecessários, desequilibrando completamente a dieta. Atualmente, a maioria dos alimentos desenvolvidos pelas empresas de nutrição animal é de altíssima qualidade, balanceados corretamente e fornecem todos os nutrientes necessários para uma vida saudável e com longevidade.