Categoria: Saúde e Bem-Estar

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Pets com medo de chuva - O que fazer?

Estamos em uma época do ano em que as chuvas fortes são frequentes. Dependendo da região do país, mesmo fora da temporada mais úmida, pode chover bastante o ano todo praticamente. As tempestades, com trovões, relâmpagos e ventanias são comuns e podem trazer uma sensação de medo muito grande em alguns pets.  Entenda a seguir porquê e como essa fobia se desenvolve, confira estratégias para reduzir o estresse e os riscos durante uma crise, e veja também dicas de saúde para evitar doenças relacionadas à chuva.

A fobia por ruídos

Geralmente, o que ocorre nas tempestades, e também durante fogos de artifício, é o medo dos ruídos que esses eventos emitem.  Quando o animal ouve um barulho alto, forte e inesperado, um aviso automático de ameaça é disparado pelo sistema nervoso, onde há uma descarga de hormônios que aumentam a frequência cardíaca e respiratória, e induzem uma condição chamada de “fuga ou luta”. Esse aviso é involuntário, e serve como proteção e defesa dos animais para fugir ou lutar quando uma ameaça real surge.  Esse sistema é o que ajuda a garantir a sobrevivência das espécies, e tem utilidade inclusive nos animais domesticados, como cães e gatos.

Todos animais vão sentir algum grau de medo ou estresse ao ouvir fortes ruídos. Uma resposta de medo pode incluir comportamentos normais, porém inadequados para a situação. Durante uma tempestade ou uma sequência de fogos de artifício, não existem riscos diretos ao animal que esteja bem abrigado em um local seguro, é apenas o barulho. Por não saber de onde vem a ameaça e se ela é realmente perigosa, o sistema nervoso vai sempre interpretar inadequadamente nesses casos.

A fobia de ruídos, no qual as fobias de tempestade estão inseridas, é definida como uma repentina e profunda resposta exagerada ao ruído manifestada como uma necessidade intensa de fuga, com comportamentos de ansiedade associados às atividades do sistema nervoso autônomo. Os comportamentos podem incluir tremores, salivação, micção ou defecação inapropriada, esconder-se em locais muito apertados e desconfortáveis, agressividade, vocalização (latidos, miados e choro), arranhar paredes e portas, entre outros sinais de pânico.  Uma vez totalmente desenvolvida, a exposição repetida resulta em um padrão de resposta repetido, que tende a piorar com o passar do tempo.

A fobia é caracterizada também por sinais e sintomas exagerados mesmo quando o agente causador nem apareceu ainda. Por exemplo, quando começa a ventar antes de uma tempestade ou quando o céu escurece rapidamente. Os cães e gatos são capazes de ouvir e sentir os sinais que precedem uma tempestade bem antes dos seres-humanos.

Estratégias para reduzir a sensibilidade

Não existe uma solução simples, ou algo que sirva para todos os casos. É realmente difícil tratar esse tipo de problema, mas existem estratégias que visam reduzir a sensibilidade do animal. Fora das crises, o ideal é começar com um treinamento de dessensibilização.

Não podemos usar as tempestades reais para o treinamento de dessensibilização. Tempestades não permitem o aumento gradual da intensidade necessária para que a dessensibilização seja bem-sucedida. No entanto, podemos criar tempestades artificiais e controláveis ​​através do uso criativo de equipamentos de som com gravações de trovões, luzes (para simular raios) e até mangueiras para criar o som da chuva na janela ou no teto. Veja um passo a passo a seguir:

1 - Quando o pet estiver totalmente relaxado, comece tocando a gravação dos ruídos de chuva abaixo do nível que você sabe que induz uma resposta de medo. Lembre-se de que a audição do cão ou gato é muito melhor que a nossa, por isso deixe num volume que você mal consegue ouvir.

2- Após cinco minutos, aumente ligeiramente o som. Enquanto o animal ainda estiver calmo, ofereça petiscos que você sabe que ele não resiste, e agrade também com carinhos e brinquedos que ele gosta muito. A intenção aqui é fazer ele associar que coisas muito boas acontecem quando os ruídos de tempestades estão presentes. Mantenha o som no mesmo volume por um tempo, no mínimo 5 a 10 minutos, e continue agradando.

3 – Aumente gradualmente e lentamente o som até perceber que o pet está começando a exibir sinais de ansiedade e medo. Se o animal demonstrar muito medo, você deve baixar o volume e começar de novo.

4 – Mantenha o volume no nível que gera apenas uma leve ansiedade e espere até que o animal se demonstre tranquilo novamente. Assim que ele relaxar, ofereça novamente os agrados.

5 – Continue a executar o exercício com muita paciência, e sempre respeitando os limites do animal. É importante repetir o treinamento frequentemente, pelo menos 2 a 3 vezes por semana, cada vez tentando aumentar um pouquinho mais o som.

6 – Assim que o animal começar a tolerar ruídos mais fortes, tente adicionar mais outros estímulos, como luzes que piscam (estroboscópicas), ruídos de água, escuridão, etc. Mas lembre-se, introduza um estímulo de cada vez, e somente se o animal se demonstrar calmo e relaxado nos passos anteriores.

7 – Agora, tente repetir o exercício em diferentes cômodos da casa. Depois, faça o treinamento em horários e momentos diferentes, como quando o animal estiver brincando, comendo ou até descansando. Pode-se trocar a pessoa que conduz a dessensibilização também. Não se esqueça, cada vez que você modifica ou insere algo novo no treinamento, é necessário reduzir a intensidade dos outros estímulos.

8 – Durante um evento real de tempestade, recompense o pet caso ele demonstre tranquilidade, ou no mínimo, baixo grau de ansiedade. Jamais ofereça essas recompensas caso os sinais de fobia apareçam.

O resultado da dessensibilização é lento, e exige sessões longas e frequentes. O ideal é iniciar o processo numa época do ano distante da temporada de chuvas, pois se ocorre uma tempestade entre os treinamentos, é necessário voltar para passos anteriores.  Recompense o comportamento calmo o ano todo, mesmo fora das chuvas. Caso tenha dificuldades, procure ajuda de um profissional habilitado em comportamento animal.

Mesmo durante o período do treinamento, é válido procurar ajuda de terapias alternativas (que não sejam medicamentosas) que visam manter o animal mais calmo.  Podemos citar a homeopatia, a terapia por florais, alguns suplementos e fitoterápicos como opções. Fale com o médico veterinário de confiança para receber a indicação desses tratamentos.

Cuidados durante fortes chuvas

Durante ou um pouco antes das chuvas devemos tomar uma série de cuidados para tentar diminuir a intensidade dos sinais de fobia, e para manter o animal em segurança. Confira:

1 – Prepare um local seguro e confortável:

Todo tutor já sabe qual é o lugar que o pet procura quando a chuva começa. Por instinto, o animal vai tentar se abrir onde ele julga ser mais seguro. Aproveite essa pista e prepare um local especial. Pode ser uma caixa aberta, um banheiro, embaixo da cama ou da mesa, entre outros. Certifique-se de que seu pet possa ir e vir livremente, pois alguns animais ficam mais ansiosos quando presos.

2 – Considere o uso de uma faixa amarrada

Alguns animais respondem bem ao uso de um tecido, uma espécie de faixa, amarrada em seu corpo. Acredita-se que a compressão exercida pela faixa traga uma sensação de segurança. Veja na figura abaixo como fazer.

3 – Reduza a intensidade do som

Feche portas, janelas e cortinas, considere colocar panos nas frestas também, a fim de abafar o ruído. Evite que o animal perceba os raios, então é recomendado acender as luzes se tudo estiver fechado. Ligue um ventilador e também uma televisão ou rádio em volume baixo.

4 – Retire objetos perigosos

É comum termos em casa objetos perigosos para pets. Como produtos químicos, itens de manutenção como escadas, vigas, vidros, latas de tinta, etc. Esses materiais podem tombar quando ocorre um esbarrão do pet que está agitado. Revise todo o ambiente e certifique-se que nenhum material possa machucá-lo.

5 – Impeça as fugas

O maior risco é sempre o de fuga. Na natureza, os animais fogem das tempestades, andando longas distâncias a procura de um lugar mais calmo. Por isso, é comum haver tantas fugas durante esses momentos. Todo cuidado é pouco quando o animal está em pânico, revise possíveis rotas de fuga, não prenda o cão ou gato em correntes pois pode ocorrer enforcamento. Cuidado com muros e locais altos, pois, na hora do intenso estresse, o animal pode literalmente se jogar de grandes alturas.

6 – Não demonstre ansiedade

O pet observa muito seu tutor, se você mostrar que também sente medo e ansiedade, isso vai reforçar a mensagem de perigo no animal. Também não dê afagos ou mimos durante as crises, pois você estará recompensando a comportamento inadequado. A recompensa só funciona se o pet estiver se comportando corretamente.

Dicas de saúde para época de chuvas

Nem todos os cães e gatos apresentam fobia por tempestades, porém todos estão mais susceptíveis a alguns problemas de saúde na época chuvosa.  O ambiente quente e úmido facilita a transmissão de doenças como as explicadas abaixo:

Leptospirose: é uma enfermidade de grande importância por ser uma zoonose, ou seja, uma doença que pode ser transmitida entre animais domésticos, silvestres e humanos. A transmissão começa quando um animal contaminado (normalmente cão ou rato) elimina a bactéria pela urina. Em seguida essa urina irá se misturar com a água das chuvas e espalhar o agente causador da doença pelas ruas, parques, praças etc. Animais saudáveis que entrarem em contato com essa bactéria estarão suscetíveis a contrair a leptospirose. Também é possível contrair a leptospirose através da ingestão de alimentos contaminados ou pelo contato com objetos infectados.

Dessa forma, é importante ressaltar que as enchentes têm um papel na disseminação dessa doença, pois além de espalhar a urina, ainda promovem um meio favorável para a sobrevivência e reprodução das bactérias. Portanto, é preciso tomar medidas preventivas. A maneira mais efetiva é a vacinação, mas outras medidas também podem ser úteis, como o controle da população de roedores, tratamento rápido de ferimentos (pois facilitam a entrada da bactéria), limpeza de resíduos no ambiente e evitar o acesso a áreas alagadas.

Doenças de pele: a umidade alta e o calor proporcionam as condições ideais que os microrganismos causadores de doenças de pele necessitam. Tanto fungos como bactérias vão se proliferar mais facilmente nessa época do ano.

Além da vacinação (no caso da leptospirose e outras doenças infecciosas) e das visitas regulares ao médico veterinário, oferecer uma nutrição adequada também ajuda a prevenir problemas de saúde relacionados às chuvas. Uma alimentação completa, de alta qualidade e específica para as necessidades do pet é fundamental para que o organismo do animal consiga combater com eficiência possíveis infecções.

Para isso, conte com o auxílio do Plano Nutricional da Farmina, que vai indicar uma dieta de acordo com as características do seu pet. O Plano Nutricional mostra também onde você pode adquirir o alimento e oferece um desconto exclusivo! Acesse o link para ter acesso a esses benefícios.