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Particularidades Nutricionais dos Felinos

Os gatos estão se tornando o pet preferido para muitas pessoas. Nos Estados Unidos, por exemplo, já é o animal de estimação mais presente nas casas das famílias. Apesar de serem animais dóceis, amáveis e bem adaptados à vida dentro de casa, eles possuem uma série de particularidades que devem ser respeitadas. Talvez a maioria dessas particularidades venha de um fato que quase todo dono de gato já percebeu - esses bichanos têm ainda muita ligação com seus ancestrais, os felinos selvagens. Confira neste artigo quais são as principais características de alimentação e nutrição que os gatos apresentam.


Gatos: Carnívoros obrigatórios?


Os gatos são o que podemos chamar de carnívoros obrigatórios, ou como preferem alguns, carnívoros estritos. Apesar dos cães também pertencerem a Ordem dos Carnívoros, eles possuem uma gama de preferências alimentares muito maior do que a dos gatos, podendo até ser classificados por alguns autores como onívoros – animais que comem de tudo.

É um erro bastante comum olhar para um gato como um ‘cachorro pequeno’. Nada poderia estar mais longe da verdade! Apesar de muitos acreditarem erroneamente que seus cuidados se assemelham ao de um cão pequeno, os gatos apresentam necessidades especiais e precisam de uma alimentação apropriada. E esse é um assunto bem sério, pois as deficiências nutricionais ocasionadas por uma dieta inadequada podem levar os gatos a apresentarem desde sintomas sutis, como problemas de pele, até quadros graves, como alterações neurológicas, fraqueza e até mesmo a morte.

Os gatos desenvolveram estratégias específicas para metabolizar proteínas, aminoácidos, gorduras e vitaminas. Por exemplo, a necessidade mínima de proteína de um gato em crescimento é aproximadamente 50% maior daquela de um cão da mesma idade, e a quantidade proteica para a manutenção de um gato adulto é no mínimo 40% maior do que a de um cão adulto! Ou seja, gatos precisam de dietas ricas em proteínas, especialmente as de origem animal.

Essa alta demanda proteica é, em parte causada pela capacidade que os gatos possuem de utilizar aminoácidos (que são as moléculas formadoras das proteínas) como base para a produção de energia. Essa adaptação é provavelmente uma herança do seu passado de carnívoro caçador, onde a carne (que é composta quase que exclusivamente de proteínas) constituía a base de sua dieta.

Um gato adulto necessita que sua dieta contenha no mínimo 25% de proteína para a sua saudável manutenção. Entretanto, estudos enzimáticos mostram que nos felinos o sistema digestivo está permanentemente ativado para lidar com estas altas quantidades de proteína proveniente da alimentação. Esta alta ativação faz com que haja um grau de perda ‘obrigatória’ das proteínas ingeridas, o que torna muito importante mantermos SEMPRE níveis altos de proteína na alimentação destes animais.

 

Mas o que o gato comia na natureza?


Os felinos são caçadores natos. Na natureza, quase a totalidade das espécies destes animais possuem grandes áreas de uso e grande capacidade de locomoção, despendendo boa parte de seu período de atividade em busca de presas e defendendo seu território. Por isso existe a tendência de nossos amigos gatos em passear tanto pela rua e adjacências – eles estão apenas repetindo o comportamento de caça e patrulha do território herdado de seus antepassados selvagens. Apesar disso, sabemos que hoje em dia é muito perigoso deixar o gato livre, principalmente pelas ruas em centros urbanos, onde há o risco de atropelamentos, brigas e quedas. Felizmente, o gato doméstico se adaptou bem em viver dentro de casa.

Dado a este histórico caçador, não é de se espantar a predominância da proteína na alimentação dos gatos. Afinal caça significa presas, e presas significam carne! E os felinos estão muito bem adaptados para isso. Eles possuem grandes dentes carniceiros e um limitado número de pré-molares e molares – ou seja, estão mais preparados para rasgar a carne do que para mastigar grãos e raízes. Na natureza, os grandes felinos arrancam com os dentes caninos pedaços de carnes que são engolidos inteiros, já os pequenos felinos usam seus molares mais extensivamente para mascar e moer o alimento antes de engolir. Muito raramente os felinos selvagens ingerem algo que não seja de origem animal.

Mesmo com menor importância relativa, os carboidratos devem é claro estar presentes em uma dieta completa e balanceada. Não é porque o seu gato tem ancestrais caçadores que ele será mais saudável se você o alimentar apenas com Filé Mignon. Na natureza, os felinos ingerem pequenas porções de carboidratos indiretamente ao se alimentar das vísceras (contendo restos alimentares de vegetais pré-digeridos) de suas presas.

As gorduras (ou lipídeos) são também um dos ingredientes principais da alimentação dos felinos. As presas ingeridas na natureza são também ricas em gorduras, e, portanto, é fundamental que a ração comercial moderna siga à risca essa necessidade.

Por isso é muito importante que os alimentos fornecidos para os gatos, respeitem esse passado evolutivo destes animais. Devem ser mais ricos em proteínas e gorduras de fontes animais de boa qualidade, possuir quantidades balanceadas de vitaminas e minerais, e baixa quantidade de carboidratos.


Principais diferenças alimentares entre cães e gatos

 

Conforme já citado neste artigo, os gatos são muito diferentes dos cães. Na parte nutricional existem uma série de particularidades dignas de nota:
 

- Trato digestivo:
 

O trato digestivo do gato está mais adaptado a digerir exclusivamente proteínas animais do que o dos cães.  Cães têm no total 42 dentes permanentes, e gatos têm apenas 30. Essa diferença numérica está principalmente nos dentes molares e pré-molares que são os responsáveis por triturar alimentos compostos por fibras e/ou carboidratos. No estômago, os gatos apresentam pH mais ácido, o que ajuda a digerir a carne ingerida. O intestino é mais curto, pois a digestão de alimentos ricos em proteína é mais rápida do que de vegetais crus, por exemplo. Felinos tem o ceco e o cólon (intestino) pouco desenvolvidos, limitando a digestão de carboidratos complexos (fibras).

 

 - Proteínas:
 

Além de precisarem de mais proteína, gatos tem baixíssima capacidade de digerir proteínas de origem vegetal.  Outra diferença é que o gato não consegue “armazenar” os aminoácidos que são ingeridos através da ingestão de proteína, ou seja, por mais que o bichano tenha uma refeição rica em proteínas hoje, se amanhã a dieta for pobre ele não conseguirá utilizar os aminoácidos excedentes da refeição anterior. Por isso é obrigatório que o gato ingira proteínas de origem animal em quantidade suficiente em todas as refeições durante a sua vida.


- Carboidratos:


Gatos possuem baixa tolerância a dietas ricas em carboidratos, pois seu metabolismo evoluiu para gerar energia (glicose) através da ingestão de proteínas e gorduras (oriundas das presas). Por isso que o Garfield engordou tanto! Gatos não foram feitos para comer lasanha! Excesso de carboidratos pode trazer graves problemas digestivos e metabólicos aos felinos, como por exemplo, obesidade e diabetes.

 

Os nutrientes que apenas os gatos necessitam na dieta


Além das diferenças explicadas acimas, os felinos possuem necessidades nutricionais que somente eles apresentam, em comparação a outros pets e ao homem:

 

- Taurina e arginina:


Os felinos precisam ingerir dois aminoácidos obrigatoriamente pois não conseguem “fabricá-los” através do metabolismo de proteínas: a Arginina e a Taurina.

Esses dois nutrientes são encontrados em níveis altos somente na proteína de origem animal. Esse fato confirma que durante a evolução dos felinos, seu metabolismo não foi “obrigado” a se adaptar à falta desses nutrientes (como ocorreu nos cães), por isso os gatos não podem deixar de ingerir esses dois aminoácidos em hipótese alguma.

 

- Gorduras de origem animal:


Os gatos não são capazes de sintetizar o ácido araquidônico, que é um ácido graxo essencial (um tipo de gordura indispensável para o metabolismo animal, pois entra na composição de hormônios, membranas celulares e em uma série de outros importantes processos biológicos) proveniente da ingestão de gordura. As dietas para felinos devem conter este ácido graxo e, na prática, significa que rações para gatos devem apresentar gordura animal em sua composição. A gordura vegetal não tem (ou tem muito pouco) ácido araquidônico.


- Vitamina A:

Os gatos não conseguem converter o betacaroteno (presente em muitos alimentos de origem vegetal) em vitamina A. Essa vitamina é encontrada em algumas vísceras (fígado principalmente) das presas que os felinos ingerem.

 

Suprindo essas necessidades


Agora que você já entende mais sobre as necessidades e particularidades nutricionais do seu felino, já parou para pensar se está respeitando a natureza alimentar dele? Felizmente, hoje em dia já existem rações que levam em consideração todas essas particularidades, suprindo com excelência as necessidades nutricionais dos gatos. Além de suprir, alguns alimentos industrializados mais avançados vão além, entregando benefícios reais para manutenção da saúde dos felinos domésticos. Dentro da categoria das rações super premium (classificação mais alta de qualidade do mercado) existe a linha Grain Free (livre de cereais/sem grãos) e Low Grain (baixa quantidade de cereais), desenvolvida após muito estudo do metabolismo felino. Essas rações utilizam proteínas e gorduras de origem animal de alta qualidade, sem grãos, ou apenas com cereais ancestrais (igual na natureza). Além disso são alimentos livres de ingredientes transgênicos e conservados naturalmente.

 

Para saber mais sobre esse e outros assuntos acerca dos animais de estimação, continue acompanhando nosso blog onde semanalmente você terá disponível um conteúdo inédito desenvolvido especialmente para proprietários de cães e gatos.

 

Fontes consultadas

 

Fontes de proteína e carboidratos para cães e gatos - Revista Brasileira de Zootecnia.

Felino: um carnívoro restrito que apresenta grandes diferenças nutricionais quando comparados aos caninos – Revista Cães e Gatos

Aspectos nutricionais de gatos domésticos - considerações sobre metabolismo, fisiologia e morfologia - Revista Científica Eletrônica De Medicina Veterinária.

Comportamento em cativeiro e teste da eficácia de técnicas de enriquecimento ambiental (físico e alimentar) para jaguatiricas - Dissertação de Mestrado - Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.

FEDIAF - Fédération européenne de l’industrie des aliments pour animaux familiers. The European Pet Food Industry Federation. Nutritional Guidelines For Complete and Complementary Pet Food for Cats and Dogs