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Particularidades alimentares dos cães

Os cães ainda são os pets preferidos no Brasil. Estima-se que a população de cachorros seja de mais de 52 milhões. A cada 100 famílias brasileiras, 44 têm pelo menos um cachorro. É o que aponta a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo IBGE em 2015.

Além de maioria, eles preenchem, muitas vezes, um espaço afetivo muito grande para as pessoas, sendo tratado às vezes como um filho. Por ser considerado parte da família, muitos tutores não pensam duas vezes antes de fazer a vontade do “filho de quatro patas”, como forma de carinho. O problema é que a maioria desses mimos pode ser prejudicial, como por exemplo, dividir a comida da família com o cachorro. Esse hábito é bem frequente em muitas casas, e acaba contribuindo para a ocorrência de doenças como a obesidade, problemas cardíacos, respiratórios e articulares nos animais. Leia neste artigo quais são as principais características alimentares dos cães e por que é importante respeitar essa natureza deles.


Respeitando a natureza do cão

Foi a partir do Canis lupus, o lobo, que surgiu o cão há aproximadamente 20-30 mil anos atrás. Tanto os lobos como os cães selvagens têm hábitos alimentares típicos de carnívoros que são: caçam e se alimentam das presas. Os canídeos em geral tem uma pequena porção de sua alimentação de frutas e alguns outros vegetais que encontram pelo ambiente em que vivem. Ao viverem próximos ao homem nos tempos antigos, acabaram por consumir restos alimentares que os humanos deixavam pelo caminho, e com isso, aos poucos foram se aproximando do nosso convívio.

Passados muitos anos (de séculos a milênios), houve uma adaptação do sistema digestivo dos cães para aproveitar melhor alimentos que os lobos têm pouco ou nenhum contato, como o carboidrato de alguns alimentos de origem vegetal. Entretanto, mesmo o cão doméstico de hoje continua sendo um animal carnívoro. A fisiologia digestória dele prova isso: possuem um estômago com pH ácido, o que ajuda a “quebrar” as proteínas ingeridas para serem aproveitadas pelo organismo. Também mantêm dentes longos e afiados, utilizados para rasgar e separar a carne em pedaços, extremamente úteis para prender e dilacerar suas presas. Cães têm o intestino mais curto que os onívoros, e muito mais curto que herbívoros, já que os alimentos vegetais demandam uma digestão bem mais lenta para correta absorção de nutrientes.  Uma outra característica importante é que não possuem uma enzima salivar que ajuda a digerir o carboidrato, a amilase.                  

O paladar do cão

Se dependesse do seu melhor amigo, com certeza, ele iria partilhar praticamente tudo o que você come durante o dia. No entanto, isso não é saudável. Diferentemente dos gatos, os cães naturalmente (selvagens e lobos) comem grandes refeições de uma vez. O estômago dos cães é maior para armazenar grande quantidade de alimento de uma vez, já que na natureza eles passavam às vezes mais de uma semana sem se alimentar, devido à dificuldade da caça. Como os cães domésticos comem diariamente, a quantidade de comida deve ser sempre controlada.       

Como o cão se adaptou ao convívio humano, ele acabou criando um hábito e uma preferência por muitos alimentos que nós comemos. Conforme explicado em artigo anterior, isso não faz nada bem para eles. Cães sempre vão escolher primeiramente alimentos de origem animal e ricos em gorduras, que pra eles é a grande fonte de energia, porém por observarem os humanos acabam buscando também alimentos ricos em açucares e carboidratos. Entre um pedaço de pão e um bife, o cão vai sempre preferir a carne, porém dificilmente ele vai dispensar o pão se não tiver a carne. Portanto, o paladar do cachorro de hoje já é mais flexível do que o do seu ancestral.           


Cães e o consumo de carboidratos     

A presença de carboidratos na dieta é importante para os cães. Conforme citamos no início do texto, faz parte da alimentação natural deles ingerir pequenas porções de carboidratos oriundas de vegetais (como frutas, por exemplo), além do conteúdo digerido de suas presas, que são onívoras e/ou herbívoras. Carboidratos refinados como a farinha proveniente do trigo, açucares, massas, entre outros alimentos que o ser humano desenvolveu são péssimos para a saúde do cão. Então, a maioria dos carboidratos que nós comemos não fazem e nunca fizeram parte da alimentação dos carnívoros, Estes alimentos prejudicam muito o organismo dos pets, predispondo a doenças como diabetes mellitus, obesidade, alergias de pele, diarreia e gases, além do tártaro nos dentes.

Cães são capazes de digerir e tirar energia dos grãos quando bem cozidos ou processados pela indústria, porém esses alimentos não fazem parte da sua dieta natural. Uma dieta com pouco carboidrato e rica em proteínas e gorduras de origem animal é o que de melhor podemos oferecer aos animais carnívoros.

 

Fontes excelentes de carboidrato        

Os carboidratos são benéficos quando oferecidos com moderação e em uma dieta livre de grãos, existem uma série de opções muito saudáveis. Os tubérculos, por exemplo, como a batata, a beterraba e a mandioca oferecem energia, além de serem fontes de fibras e diversas vitaminas. Legumes como as abóboras e cenouras também são ótimas fontes de carboidratos, pois fornecem energia, fibras e muitas vitaminas. O betacaroteno presente nestes legumes auxilia na prevenção de problemas cardiovasculares outras doenças crônicas, além de seu efeito antioxidante, que neutraliza os radicais livres, combinando-se diretamente com eles, o que aumenta a eficácia da imunidade do pet.  As fibras da abóbora reduzem o índice glicêmico dos carboidratos, característica altamente desejada para carnívoros.

Já frutas como a laranja, por exemplo, são excelentes fonte de vitamina C (ácido ascórbico), que serve para a formação de glóbulos vermelhos do sangue, absorção do ferro e a formação de ossos e dentes, além de melhorar a resistência à infecções. A maçã, por sua vez, possui muitas fibras como a pectina, que auxilia a manter a glicemia do pet em níveis equilibrados.

Para os tutores que desejam oferecer um alimento saudável e completo de acordo com as necessidades naturais dos cães, existe no mercado produtos que respeitam a natureza dos carnívoros. Procure sempre alimentos que garantam uma boa nutrição em todas as fases da vida do seu cão, assim você estará contribuindo muito para uma vida saudável e feliz ao lado do seu melhor amigo.

 

Referências

SILVA JÚNIOR, J.W. Digestibilidade de dietas com diferentes fontes de carboidratos e sua influência na glicemia e insulinemia em cães - Dissertação de Mestrado - UFLA, 2004.

Hábito de oferecer alimentos humanos aos pets pode oferecer riscos à saúde dos animais - Revista Cães & Gatos, Vet Food, 2016.

FRANÇA, J. et al., Avaliação de ingredientes convencionais e alternativos em rações de cães e gatos. Revista Brasileira de Zootecnia, 2011.