Categoria: Saúde e Bem-Estar

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O perigo dos doces e chocolates para os pets

Uma das épocas preferidas entre as crianças, a Páscoa aumenta consideravelmente a presença de chocolates e doces nas casas. Além das crianças, muitas casas têm pets, como cães e gatos, que estão sempre próximos às pessoas e observando atentamente tudo que elas comem. É nessa situação que mora o perigo: chocolate é tóxico para cães e gatos, e os outros doces, como balas e sobremesas, são muito perigosos.

Por que o chocolate é tóxico?

O chocolate, um dos doces mais apreciados no mundo, tem o cacau como matéria-prima, mais precisamente suas sementes chamadas de amêndoas. É exatamente nessas amêndoas, como em outras sementes, que estão compostos tóxicos para cães e gatos: a teobromina e a cafeína. Vale ressaltar que a maioria das sementes das frutas são perigosas para os pets, e algumas são tóxicas.

A teobromina é o composto tóxico presente em maior quantidade no chocolate, que é rapidamente absorvida e atravessa as barreiras placentária e hematoencefálica (que protege o cérebro). O composto causa grande estimulação cerebral, aumento no trabalho do músculo cardíaco, causando arritmias importantes nos cães e gatos. Em humanos o efeito é diferente e mais relacionado ao estímulo de áreas de bem-estar no cérebro, por isso é um doce tão apreciado.

A cafeína é uma substância já conhecida da mesma família da teobromina (as metilxantinas) e que também provoca estimulação do sistema nervoso autônomo, que controla os órgãos como estômago, intestino e rins, causando efeitos parecidos com a teobromina em cães e gatos.

A gravidade da intoxicação por chocolate depende de 3 fatores: quantidade de teobromina e cafeína ingeridas, porte do animal e sensibilidade individual do animal.

O chocolate pode conter diferentes concentrações de cacau, o que influencia diretamente na quantidade de teobromina e cafeína presente. Chocolates do tipo amargo e meio amargo contém mais cacau do que o chocolate ao leite, e o chocolate branco é o que tem menos compostos tóxicos. Ou seja, quanto mais escuro for o chocolate, mais risco ele oferece. E quanto menor o cão, menor será a dose necessária de chocolate para intoxica-lo.

A maioria das intoxicações por chocolate ocorrem em cães pequenos que acabam comendo por acidente, ou porque o tutor inadvertido ofereceu pequenos pedaços de chocolate. Mas existem casos de cães grandes e comilões que se intoxicam ao roubar grandes pedaços e comer tudo rapidamente, sem que o tutor possa impedir a ingestão.

Quais são os sintomas da intoxicação?

Conforme dissemos anteriormente, a resposta individual do organismo do animal também influencia no nível de intoxicação. Os primeiros sintomas ocorrem de 6 a 12 horas após a ingestão e podem aparecer como mal-estar geral, sede (polidipsia), distensão abdominal e vômitos. Com o passar do tempo pode evoluir para tremores, rigidez muscular, eliminação de grande volume de urina (poliúria), aumento da frequência cardíaca e respiratória, convulsões, e casos graves podem levar o animal a morte.

Não existe um antídoto específico para esse tipo de intoxicação. Caso o pet ingira chocolate é necessário leva-lo imediatamente ao atendimento veterinário para observação e estabilização (tratamento) dos sintomas.

Os riscos dos outros doces e guloseimas açucaradas

Sabemos que não é só o chocolate que está presente nas casas. Existem diversos doces que podem ser “roubados” ou acidentalmente oferecidos aos pets. No caso de balas e chicletes o risco de engasgos e obstruções é o pior. Outros doces como sobremesas ricas em açúcar e gordura podem causar indigestões com vômitos e diarreias.

Não podemos deixar de citar os problemas dentários, que irão se tornar mais prevalentes em pets que costumam ingerir doces. O açúcar é o principal alimento das bactérias que habitam a boca. Essas bactérias deterioram os dentes e a gengiva, e formam a placa bacteriana que posteriormente irá se transformar no tártaro (cálculo dental). Todo pet vai acabar apresentando tártaro com o tempo, porém a falta de cuidado do tutor em escovar os dentes e de oferecer petiscos em excesso, sendo os doces os mais nocivos, irá acelerar muito o processo. Alguns casos se tornam tão graves que a inflamação e infecção presentes na boca afetam outros órgãos, como rins e coração.

Os problemas indiretos da ingestão de doces são relacionados à obesidade. Esse excesso de açúcar significa um excedente de energia que o animal está ingerindo e que fatalmente será armazenado na forma de gordura no corpo.

A obesidade tem se tornado mais comum nos pets. O estilo de vida moderno, com uma oferta grande de alimentos hipercalóricos associados ao pouco tempo disponível para a prática de exercícios e atividade ao ar livre são os grandes responsáveis. Por isso devemos ficar atentos. Pode-se chamar de sobrepeso quando se tem até 15% acima do peso ótimo, e de obesidade, quando esse excesso ultrapassa esse valor.

Doces em geral, como sobremesas, balas, biscoitos e outros são os alimentos mais nocivos que podemos oferecer a um cão ou gato. Conforme falamos em outros artigos, esses animais são carnívoros, e o açúcar nunca fez e nunca fará parte da alimentação deles.

Impacto do excesso de peso na saúde do pet

A obesidade traz uma série de consequências ruins para a saúde do pet, entre elas as principais são:

Diabetes: Já foi comprovado que existe uma relação entre obesidade e diabetes mellitus. A obesidade induz a uma resistência à insulina, o que resulta em uma maior dificuldade do corpo colocar o açúcar (glicose) presente no sangue para dentro das células, a fim de desempenhar sua função. Esse excesso contínuo de açúcar no sangue predispõe ao desenvolvimento da diabetes.

Problemas articulares: o excesso de peso acaba sobrecarregando as articulações, induzindo ao aparecimento precoce de artrites e artroses. Esse risco é ainda maior em animais de porte grande.

Problemas cardíacos e respiratórios: com o excesso de peso o coração e o pulmão acabam tendo que trabalhar mais para manter a circulação eficiente. Além disso, a gordura pode se alojar nas artérias o que prejudica ainda mais o trabalho do músculo cardíaco.

Esperamos ter ajudado você a alimentar melhor o seu melhor amigo, reduzindo as chances de oferecer algum alimento que possa trazer problemas a ele. Em caso de dúvidas, deixe um comentário abaixo.