Categoria: Saúde e Bem-Estar

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O Glúten na alimentação de cães e gatos

É bastante comum escutarmos falar sobre o glúten e os possíveis problemas que a ingestão desse nutriente pode causar. Apesar de uma fama negativa, normalmente o glúten não faz mal a cães e gatos. Com o objetivo de esclarecer as principais questões, preparamos esse artigo, onde você vai entender em quais situações esse nutriente deve ser retirado da dieta, e quais opções de alimentos sem glúten estão disponíveis.

Afinal, o que é o glúten?

O glúten é constituído pela junção de duas proteínas, a Gliadina e a Glutenina, que se unem ao amido. Essas proteínas são componentes naturais de alguns tipos de grãos, estando presente em vegetais que são fontes de carboidrato, entre eles o trigo, cevada, centeio e o malte. Consequentemente, também pode ser encontrado em alimentos que utilizem esses cereais como matéria-prima, a exemplo das farinhas, biscoitos, pães, bolos, massas e macarrão, alimentos que cães e gatos não devem comer. Alguns cereais e grãos não contêm glúten, é o caso do arroz, aveia e sorgo. Outros carboidratos como a batata, mandioca e abóbora também não apresentam.

Quando o glúten faz mal?

Como dissemos acima, o glúten muitas vezes é visto como negativo para a saúde. Porém, em geral ele não causa danos. O glúten pode causar problemas em basicamente três situações: na Doença Celíaca, na alergia alimentar e em casos de intolerância a alimentos ricos em glúten.

Doença Celíaca

A Doença Celíaca muitas vezes é confundida com uma alergia, e apesar de ter um mecanismo parecido, é considerada uma doença autoimune genética, não alérgica. A doença autoimune é uma falha do sistema imunológico em que o organismo produz anticorpos (células da defesa) para atacar as próprias células ou tecidos do corpo. No caso da doença celíaca, o sistema imune ataca as microvilosidades intestinais quando há a presença dessas proteínas do glúten, causando um processo inflamatório. As microvilosidades intestinais são um conjunto de células localizadas no intestino que possuem a função de absorver nutrientes e proteger o organismo contra a invasão de agentes através da mucosa do intestino.

A raça que está mais relacionada com a Doença Celíaca é o Setter Irlandês, devido à grande ocorrência de casos nesses cães. A enfermidade pode ser hereditária (transmitida dos pais para os filhos) e normalmente começa a ser manifestada entre os primeiros 4 a 7 meses de vida. 

Os sintomas mais comuns da doença celíaca estão associados às lesões causadas no intestino delgado. Dessa forma, as manifestações mais frequentes são: vômitos, diarreia (podendo ter presença de sangue), perda de peso, anemia, dores abdominais (irritabilidade), cansaço e alterações na pele, como prurido (coceira), descamação, pápulas e hiperpigmentação (vermelhidão). Para o diagnóstico, é necessário passar por uma consulta com um médico veterinário, que além de avaliar os sintomas, poderá solicitar uma biópsia do intestino e exames de sangue para confirmação. Uma dieta de exclusão sem glúten geralmente é instituída a fim de confirmar o diagnóstico.

Ainda não existe um tratamento específico para a Doença Celíaca e a forma mais indicada para prevenir e controlar os sintomas dessa patologia é evitando o consumo de alimentos que contêm glúten em sua composição. Para isso, é importantíssimo não oferecer comidas caseiras e sempre verificar as embalagens dos alimentos, como de petiscos e rações. Nas embalagens é obrigatório ter a informação sobre a adição ou não desse componente.

Intolerância aos alimentos ricos em glúten

A intolerância ao glúten pode ser facilmente confundida com a doença celíaca por serem relativamente parecidas. Para entendermos melhor as diferenças, é importante esclarecer que nem toda intolerância é uma doença celíaca. Isso se deve ao fato de que a doença celíaca está diretamente envolvida com a ação do sistema imunológico. Já a intolerância pode ser proveniente de diversas causas, mas está geralmente envolvida como uma dificuldade na digestão do glúten e não possui o sistema imunológico envolvido. Geralmente as intolerâncias trazem sintomas mais brandos que a doença celíaca, como flatulência, diarreia intermitente, vômitos e cólicas. Não existem testes laboratoriais nem exames que confirmem a intolerância ao glúten, portanto é necessário ir mudando a dieta e avaliando as reações, sempre sob controle e indicação do médico veterinário.

Alergia aos alimentos ricos em glúten

Já a alergia ao glúten ou à alimentos ricos nesse elemento, como o trigo por exemplo é caracterizada por uma resposta imunológica contra algum componente, que no caso é uma proteína. Dessa forma, tanto na Doença Celíaca como na alergia alimentar existe a atuação dos anticorpos, mas a diferença é que na Doença Celíaca os anticorpos atacam as células do corpo, enquanto na alergia, o ataque é voltado para a proteína em si que é identificada como uma invasora, desencadeando uma reação alérgica.  Assim, todas as vezes que o animal ingerir esse alimento, o sistema de defesa irá desencadear a resposta alérgica, causando reações dermatológicas na maioria das vezes. Essa inflamação causada pela alergia alimentar é chamada de dermatite trofoalérgica.

Sendo assim, outra diferença é no resultado dos exames, pois a biópsia intestinal não apresenta nenhuma alteração pelo fato de não ter lesões nas células intestinais.

Com a exceção dessas três situações que explicamos acima, o glúten não faz mal à saúde. Porém, pelo fato de que cães e gatos são animais carnívoros, não é recomendado o consumo de grandes quantidades de cereais e de carboidratos em geral.

Opções sem adição de glúten

Felizmente, as empresas de nutrição animal oferecem diversas opções de alimentos completos e balanceados formulados sem adição de glúten e também com matérias-primas que não contém esse nutriente naturalmente. É o caso da linha N&D, que oferece uma série de alimentos com quantidades moderadas de carboidratos, baixo índice glicêmico, livres de transgênicos, apenas com conservantes naturais e a maioria dos alimentos não tem adição do glúten.

São produtos à base de diferentes fontes de proteína e de carboidrato, além da adição de frutas e essências botânicas. Veja abaixo a linha completa:

N&D Quinoa: A Farmina escolheu a quinoa como uma das fontes de carboidrato dos seus produtos da linha por ser um alimento rico em propriedades benéficas e não apresentar glúten naturalmente. Os níveis de proteína total são maiores que dos cereais mais utilizados na alimentação humana e animal, como o milho, a soja e o trigo. O perfil aminoácido é considerado ótimo, equivalente a alimentos de origem animal.  Esta linha oferece produtos funcionais, como, por exemplo, para ajudar na saúde do sistema digestório, para reforçar as defesas da pele e contribuir com a beleza dos pelos, para ajudar na manutenção do peso ideal e para saúde do trato urinário. Além disso, a N&D Quinoa utiliza fontes inovadoras de proteína de origem animal, como cordeiro, pato e pescados.

N&D Grain Free: o primeiro produto lançado na linha disponibiliza alimentos feitos sem cereais, com fontes de carboidrato que não apresentam glúten na sua composição, como a batata. Os produtos possuem em sua composição 70% de ingredientes de origem animal e o restante é composto de frutas, vegetais e minerais,

N&D Pumpkin: Seguindo a mesma filosofia das outras linhas N&D, é livre de cereais e transgênicos, e contém abóbora como uma das fontes de carboidrato. A abóbora é um alimento livre de amido e glúten, com baixo índice glicêmico, além de ser fonte de antioxidantes (betacaroteno) e fibras.

A N&D Ancestral Grain é o único alimento da linha que utiliza cereais nobres e em baixa quantidade como fontes de carboidrato, como aveia e cevada. Sua fórmula é a única da linha N&D que contém glúten, proveniente naturalmente da cevada.

Das linhas citadas acima, todas oferecem alimentos para cães filhotes e adultos, e gatos filhotes, adultos e adultos castrados, com exceção da N&D Quinoa que é dividida de forma diferente: Digestion para animais com sensibilidade digestiva, Skin &Coat para pele sensível, Weight Management para animais com tendência ao ganho de peso, e Urinary para gatos com o trato urinário sensível. Todas da linha Quinoa são para animais adultos.

Para te ajudar a escolher melhor, a Farmina disponibiliza o exclusivo Plano Nutricional, um sistema online que indica o alimento ideal para as necessidades do seu pet. Além disso, este Plano indica lojas parceiras que vendem o alimento indicado com um cupom de desconto diferenciado. Você pode solicitar facilmente o plano para seu pet clicando aqui.

 

Referências

DAVIES, M. Gluten exposure and multisystem disease in dogs. Veterinary Record, December 3, 2016,

PEREIRA, A.C.S.; MOURA, S.M.; CONSTANT, P.B.L. Food allergy: system immunologic and main food involved. Semina: Ciências Biológicas e da Saúde, Londrina, v. 29, n. 2, p. 189-200, jul./dez. 2008.