Categoria: Saúde e Bem-Estar

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O convívio saudável entre pets e crianças

Pets e crianças são seres muito amáveis e costumam se dar bem quando estão juntos. Essa relação pode ser bastante benéfica para o desenvolvimento dos pequenos, tanto nos momentos de diversão quanto na parte educativa e terapêutica. Pensando nesse assunto, preparamos um artigo para mostrar um pouco dessa relação tão importante.

Por que as crianças gostam de animais?

A grande maioria das crianças são fascinadas por animais. Desde os primeiros meses de vida as crianças começam a ter contato com o mundo dos bichanos. Esse contato acontece por meio de imagens ilustrativas que estão presentes nas decorações do quarto, em livros educativos, brinquedos e nos bichinhos de pelúcia. Nessa fase da vida ainda não é possível compreender o que são os animais, mas as imagens deles já estarão armazenadas no subconsciente desde esse momento.

Com o passar do tempo, novas atividades começam a surgir e os animais continuam aparecendo na maior parte delas. No momento em que as crianças começam a falar é comum que os educadores ensinem os sons de cada um deles, como o latido de um cão, o miado de um gato e um rugido de um leão.

Posteriormente, visitas a parques, zoológicos e aquários também estimulam essa interação positiva, que é reforçada pelo interesse natural da criança em admirar e se aproximar fisicamente dos bichanos. Já em desenhos animados e filmes infantis, muitas vezes os super-heróis ou personagens principais são animais.

Outro motivo que leva as crianças a adorarem animais é a diversão que eles proporcionam. Cada vez mais as crianças passam mais tempo dentro de casa, onde normalmente o pet garante companhia e diversão.

Benefícios que os pets trazem às crianças

Ter um animal de estimação vai muito além da diversão, e outros benefícios estão relacionados com a presença desses seres na infância. Talvez um dos mais reconhecidos seja o desenvolvimento do senso de responsabilidade, uma vez que os animais precisam de cuidados na maior parte do tempo.

Esse senso é criado a partir do momento em que a criança compreende a importância das tarefas diárias que um animal exige, a exemplo da alimentação, higiene e passeios. Quando passam a exercer esse tipo de função, há uma percepção de que o pet depende das suas ações, e por isso assumem um vínculo de compromisso com eles. Esse tipo de cuidado estimula o desenvolvimento da compaixão, afeto, carinho e do respeito.

Outro benefício é a saúde. Alguns estudos feitos pelo Instituto de Epidemiologia de Munique, na Alemanha, e pela Universidade de São Paulo sugeriram que crianças que conviviam com animais apresentavam menos chances de desenvolver reações alérgicas, resfriados e problemas gastrointestinais.  A hipótese é que o sistema imunológico dessas crianças foi estimulado desde cedo a produzir células de defesa contra possíveis agentes que comumente causam esses problemas nos pequenos.

Uma pesquisa americana de 2015 estudou 643 crianças com idade entre quatro e dez anos, formando 2 grupos, com e sem cachorro. Das que tinham cachorro, 12% foram diagnosticadas com estresse e ansiedade, número bem menor que no grupo sem o cão de estimação, que apresentou 21% das crianças com esses problemas.

Em alguns casos os animais podem contribuir até para a segurança de uma criança, garantindo proteção em diversas situações. Um caso que aconteceu na Inglaterra é um exemplo disso. Louie, um cãozinho de 4 anos da raça Cavalier King Charles Spaniel salvou a vida de uma criança. Segundo a mãe, um dia Louie começou a latir constantemente dentro do quarto de sua filha, numa tentativa de chamar a sua atenção. Quando foi ver o que estava acontecendo, encontrou sua filha deitada de bruços, pálida e sem respirar, engasgada com o próprio vômito, e logo a mãe pode socorre-la e leva-la ao hospital. De acordo com os médicos o socorro de forma rápida foi fundamental para garantir a recuperação total da criança. De fato, Louie foi considerada uma heroína.

Pet Terapia

Como se não bastassem todas essas vantagens que cães e gatos trazem para as crianças, existe ainda a “Pet Terapia”. A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma terapia alternativa que que cresce cada vez mais nas clínicas e nos centros de reabilitação. Esse tipo de tratamento coadjuvante possui a finalidade de trazer melhorias físicas, psicológicas e comunicativas para crianças que possuem alguma doença grave, transtorno psicológico ou deficiência física por meio da interação com pets.

Dentre os casos mais comuns, podemos destacar o autismo, algumas doenças graves (câncer) e os traumas causados por algum tipo de violência. Para exercer esse tipo de atividade, os animais precisam ser calmos, equilibrados, saudáveis e carinhosos.

Autismo: no tratamento para o autismo é possível observar a estimulação do sistema psicomotor, a melhora na comunicação verbal e não verbal, o aumento da autoestima, o desenvolvimento da empatia e do contato visual, a diminuição do estresse e a maior facilidade da criança em acatar as atividades propostas pelos terapeutas.

Crianças internadas para o tratamento de doenças graves: No tratamento de doenças graves é possível notar maior sensação de bem-estar (devido à liberação de endorfina após a interação com o animal), diminuição da dor e da ansiedade, além da redução da pressão sanguínea e da frequência cardíaca.

Crianças que sofreram alguma violência: Os animais também podem ter participações no tratamento psicológico de crianças que sofreram algum tipo de violência. Essas participações são fundamentais para passar a tranquilidade que as crianças precisam antes e depois de prestar algum depoimento, contribuindo por meio de um suporte emocional. Além disso, a presença e o amor dado pelos bichinhos são indispensáveis para que as crianças se sintam queridas, importantes e autoconfiantes.

Como pode-se ver, a pet terapia pode ser bastante útil para melhorar a saúde em geral dos pacientes uma vez que promove maior motivação, sensação de bem-estar e melhoria dos índices fisiológicos. Além dos casos citados acima, o tratamento com auxílio dos animais pode ser bastante eficaz também em pacientes com ansiedade, Síndrome de Down, Paralisia Cerebral, entre outras.

Como preparar o pet para a chegada de um bebê?

Muitos tutores ficam em dúvida de como serão as reações do seu pet após a chegada de um bebê na casa. Para facilitar essa adaptação e para que a convivência entre os dois seja bastante proveitosa, preparamos algumas dicas:

- Inicialmente, é fundamental manter a vacinação em dia e levar o animal ao Médico Veterinário para uma avaliação completa do estado de saúde, a fim de evitar a transmissão de possíveis doenças.

- Ajude o seu pet a se acostumar com o cheiro do bebê: é indicado deixar o animal cheirar a fralda, as toalhinhas, os brinquedos e os produtos que serão aplicados na criança.

- Apresente o bebê ao seu pet de forma progressiva. Caso a reação do animal seja positiva, ofereça uma recompensa, como um mimo, um petisco ou um brinquedo novo. Caso o animal faça qualquer movimento brusco, você deve repreendê-lo sem agressão.

- Ao longo do convívio, é importante não deixar de dar atenção que o pet exige, para que ele não associe a chegada do bebê a algo negativo.

- Em nenhuma hipótese deixe a criança e o animal sozinhos sem a supervisão de um adulto para a segurança de ambos.

- Se o animal estiver impedindo que você efetue alguma tarefa, como trocar a fralda por exemplo, uma boa dica é oferecer um atrativo ou um brinquedo interativo (de preferência com algum petisco dentro) para mudar o foco.

- No caso dos gatos, que são bastante territorialistas, a castração pode ajudar. O procedimento deixará o animal muito mais tranquilo. O ideal é que o animal seja castrado antes da chegada do bebê.

- Caso opte inicialmente por não deixar que o pet entre no quarto do bebê, é interessante colocar uma grade para separar os ambientes. Entretanto, o ideal é que essa grade seja colocada antes da chegada do pequeno, e em algum ambiente anterior que dê acesso ao quarto, para evitar que o animal associe esse bloqueio repentino com o fato da criança ter chegado e já se acostume com o “bloqueio”.

- Outra dica interessante é simular a chegar do bebê utilizando uma boneca para observar as reações iniciais do pet. Esse método também será útil para o início da educação, ensinando o pet os limites de aproximação e contato.

Como você pode ver, cães e gatos são animais incríveis, pois, trazem inúmeros benefícios para crianças e adultos, e esse é um dos principais motivos para sempre pensarmos sempre em garantir a saúde e bem-estar dos pets. Caso você tenha dúvidas ou sugestões, entre em contato nas nossas redes sociais ou deixe um comentário abaixo.

 

Bibliografia

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NAGENGAST, S.L. et al. The effects of the presence of a companion animal on physiological arousal and behavioral distress in children during a physical examination. J Pediatric Nursing, 1997.

PAINS, C.; SOUTO, L. Animais ajudam a tratar crianças com câncer. O Globo. 2015.

Revista Crescer. Cães podem reduzir sintomas de asma e dermatite atópica na infância. 2017.

Metro Jornal. Cão salva vida de bebê engasgado com vômito. 2018.