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O comportamento natural do cão - Parte 2

Ao longo dos últimos artigos do nosso blog temos falado bastante sobre todo o universo dos cães: comportamento, alimentação, curiosidades, entre outros assuntos. No artigo de hoje você confere a continuação do texto sobre como se desenvolveu o comportamento natural do cão.

A evolução até o cão doméstico

            O cão doméstico é um animal que foi moldado e desenvolvido pela domesticação humana. Achados arqueológicos sugerem que já na pré-história o homem se utilizava dos canídeos para trabalhos que ajudavam na sobrevivência de tribos.  Antes do desenvolvimento da agricultura, o homem dependia basicamente da caça e da coleta de alimentos por onde passava, e isso estimulou muito a seleção de lobos mais dóceis e submissos para ajudar nessas atividades. Com o passar do tempo, o homem já havia desenvolvido um animal diferente do lobo, que podemos chamar de cão, isso há aproximadamente 20 ou 30 mil anos atrás. Esses animais demonstraram alta capacidade de adaptação e assim espalharam-se pelo mundo ao lado das migrações humanas.

            Com o desenvolvimento da agricultura, o papel foi mudando aos poucos. De um animal “semi-selvagem domesticado”, ele foi se tornando de fato um animal doméstico. Iniciou-se a partir daí o desenvolvimento de raças com aptidões e aparências específicas, de acordo com o que o criador e a família procuravam na época.  Nessa altura o cão já era esse animal que conhecemos hoje. Todo esse tempo transformou o cão em uma espécie única, adaptada à vida humana, porém ainda assim um animal que acima de tudo tem particularidades e características diferentes da gente.

O comportamento alimentar

            Para falar sobre o comportamento alimentar atual do cão precisamos explicar como ele foi se alterando ao longo do tempo. Inicialmente, o lobo e outros canídeos selvagens (ancestrais do cão) se alimentam basicamente de presas (grande quantidade de proteína e gordura animal). Quando não podem ou não conseguem caçar, esses animais vagam a procura de restos alimentares, geralmente carcaças de animais (muitas vezes já em decomposição), alguns frutos silvestres e até insetos. Esse comportamento é o que justifica a categoria de carnívoro que o cão está inserido.

            A partir do momento que a domesticação realmente se intensificou, os animais “semi-selvagens” já caçavam menos e se alimentavam bastante dos restos que os humanos deixavam. Essas sobras tinham em geral carcaças e vegetais. Quando de fato a agricultura se desenvolveu, o cão (já nesse ponto distante do lobo) começou a se alimentar também de carboidratos, oriundos dos vegetais plantados nas lavouras. Mas vale lembrar que isso foi apenas uma adaptação que eles sofreram para sobreviver, e não que sua anatomia digestiva e metabolismo mudaram completamente em relação ao lobo.

            O avanço da sociedade moderna com o desenvolvimento de grandes cidades, a vida urbana, tecnologia e a grande revolução alimentar (últimos 150 anos) também influenciaram no comportamento alimentar do cão. Agora muito mais próximos, eles aprenderam que podem partilhar e pedir comida o tempo todo. A oferta de alimentos é a maior de todos os tempos, algo incomparável com os séculos antigos. Isso deixou o cão ainda mais dependente do homem, e ele aprendeu muito bem a pedir (ou implorar) por comida. Mas, com essa última grande mudança os cães acabam muitas vezes por ingerir alimentos nada saudáveis para eles. Doenças decorrentes da obesidade, como o diabetes, doenças articulares, problemas cardíacos e respiratórios, entre outros estão cada vez mais prevalentes nos cães.

Atitudes normais que os cães apresentam

            Sabemos que o cão foi um animal moldado pelas vontades e desejos humanos, mas temos sempre que ter em mente que ele continua sendo, antes de tudo, um animal que a natureza criou. Mesmo que às vezes pareça muito, o cão não é um ser-humano. Cabe a nós entendermos as particularidades e respeitar essa natureza. Vejamos algumas atitudes normais que os cães apresentam, mas que aos nossos olhos podem parecer estranhas ou ruins.

- Cavar: por mais que tentamos, cães não foram feitos para viver no piso interno de uma casa. Sua natureza está ainda muito ligada à terra, à grama e outros elementos naturais. O comportamento de cavar nada mais é do que uma parte da exploração que os cães fazem no ambiente em que foram concebidos. Apenas nos últimos 50 ou 60 anos é que os cães têm ficado dentro de casa. Antes disso, eles sempre viveram em contato direto diário com a terra. Cães cavam para guardar itens que sejam valiosos para eles, como ossos, alimentos e até brinquedos, e esse comportamento nunca foi (e dificilmente será) algo anormal nesses animais.

- Comer grama: existem vários motivos que levam um cão a comer grama, e a maioria deles não indica um problema. Na natureza, os cães selvagens e os lobos comem o conteúdo digestivo de suas presas, que são na maioria herbívoras, portanto, contém grande quantidade de vegetais parcialmente digeridos em seus estômagos. Por causa disso, às vezes, os cães ingerem um pouco de grama como um complemento a sua alimentação, já que são vegetais ricos em vitaminas e minerais. Vale lembrar que os cães não conseguem digerir a celulose presente nesses vegetais, portanto eles comem uma quantidade muito pequena e apenas em casos específicos. Às vezes, um desconforto gástrico também induz o cão a comer grama que ele julga instintivamente necessária para melhorar a situação. Portanto, não se assuste ao ver este comportamento, e só se preocupe caso isso se torne muito frequente ou traga algum problema visível ao seu cão.

- Comer de tudo e exageradamente: apesar de normal e esperado, esse comportamento é maléfico para os cães domiciliados de hoje em dia. Devemos lembrar que na natureza a oferta de alimentos não chega nem perto da que os cães têm hoje. As caçadas eram muito dispendiosas, exigiam grande trabalho em grupo e força física. Encontrar um alimento às vezes tomava uma semana inteira de buscas vagando por florestas. Por sobrevivência, os animais selvagens carnívoros comem o máximo que aguentam (fisicamente falando) quando têm a disposição alimento, pois não sabem quando irão comer novamente. Eles vivem basicamente atrás de alimento, e essa é a preocupação número 1 deles. É notório que o cão herdou isso, e mesmo sabendo que ele vai comer novamente em breve, ele vai tentar comer muito mais do que ele precisa, principalmente se for um alimento que julga saboroso. A domesticação também tornou o cão um animal extremamente oportunista, onde por muito tempo ele ingeria apenas sobras da alimentação humana. Felizmente, hoje em dia cães podem se alimentar de alimentos desenvolvidos especialmente para eles, de acordo com o seu metabolismo.

Dicas para manter seu cão tranquilo         

             Mesmo vivendo esse tempo todo ao lado do homem, ainda nos deparamos com muitas questões inerentes ao comportamento dos cães. Algumas manias caninas nos incomodam bastante. Veja dicas abaixo para amenizar esses problemas e manter seu cão muito mais tranquilo e feliz:

- Passeios: conforme explicamos, cães foram concebidos na terra, ao ar livre. Por isso, nunca deixe de passear regularmente com seu cão, dando preferência a locais como parques, bosques e gramados.

- Liderança: o cão precisa ser conduzido e ensinado, é assim que eles aprendem seu papel na matilha. Ser o líder da matilha significa estabelecer as regras, coibir o comportamento indesejado (sem agressões) e recompensar quando o cão está se comportando corretamente. Se precisar de ajuda, não deixe de consultar adestradores e outros especialistas em comportamento animal.

- Não exagere nos mimos: cães são muito diferentes da gente ainda, e por mais que pareça um cuidado, exagerar nos mimos pode gerar muito mais ansiedade e desconforto para eles. Manter o cão muito no colo, não deixa-lo farejar o chão, dar banhos em excesso, coibir brincadeiras de caçar ou morder objetos (para isso existem brinquedos próprios), e alimentá-lo com comidas não indicadas em sua dieta - estes são exemplos claros de mimos que só prejudicam os cães. Cães muito mimados não sabem seus limites e vão tentar se impor (com agressividade, latidos, ansiedade), não tendo consciência que estão a fazer algo errado.