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O comportamento dos cães nas diferentes fases de vida

O comportamento que um cão apresenta pode muitas vezes ser um desafio para o seu tutor. Apesar de serem animais totalmente domesticados há séculos, alguns hábitos dos cães podem parecer bem estranhos para a gente. No texto a seguir você vai conhecer melhor o comportamento normal de um cão durante todas as fases da vida.

           

Comportamento do cão filhote

Geralmente o que nos cativa na hora de adquirir um filhote é a sua aparência frágil e doce. Mas, mesmo nessa fase de vida, nem tudo são flores. É nesse período que os cães exigem mais paciência de seus tutores. Os primeiros meses de vida do cão são decisivos para moldar o comportamento do adulto. Nessa fase é importante socializar o cão, mantendo contato direto com humanos e com outros animais (após a liberação do Médico Veterinário). É bom acostumar ele também à manipulação e diferentes ambientes, evitando que se torne um adulto arredio, assustado, ou até mesmo agressivo.

O filhote tem uma necessidade muito grande de brincar, por isso aproveite esses momentos para educá-lo, ensinando comandos que você deseja que ele conheça, e utilize recompensas quando ele fizer algo desejável. As brincadeiras ajudam a gastar a energia acumulada que o filhote possui, reduzindo as chances de destruição de objetos. Cães são caçadores natos, por isso amam buscar a bolinha, morder, puxar e encontrar objetos. Vale lembrar também que eles passam pela fase de troca da dentição e isso causa uma necessidade enorme de mastigar tudo que encontram pela frente.  

É necessário entender que é durante o período de crescimento que o animal vai aprender os limites e entender como funciona este o mundo a sua volta. A curiosidade, a falta de senso do perigo e a carência são inerentes dos cães jovens. Portanto, é nesse momento que o proprietário deve ser paciente e cuidadoso na educação e no manejo do cãozinho.

O apetite dos filhotes é também algo a se destacar. Você logo irá perceber que eles querem comer de tudo, o mais rápido que puderem. Isso é normal, porém não quer dizer que devemos deixa-los com comida à vontade. Esse comportamento é fruto da evolução, onde os cães ancestrais tinha comida escassa, e os filhotes dependiam unicamente de sua mãe para lhe fornecer alimento. Após a transição entre o leite materno e a alimentação sólida é que o cãozinho vai se apresentar mais faminto. Controle a quantidade de alimento verificando sempre no verso da embalagem de ração, ou então peça orientação de um Médico Veterinário. Não ofereça alimentos humanos, nem apresente alimentos diferentes da dieta recomendada para cães. Isso é importantíssimo para evitar que ele se torne um adulto com paladar exigente e venha a recusar a ração no futuro.

           

Comportamento do cão adulto

Com o fim do processo de crescimento o cão é considerado adulto. Nos animais que não foram castrados os comportamentos sexuais irão começar a se manifestar antes do primeiro ano de idade, e vão perdurar por praticamente toda a vida do animal. A busca por uma parceira para reprodução será constante nos machos. Nas fêmeas, mudanças visíveis de comportamento ocorrem apenas durante os cios.

Outro comportamento normal nos cães adultos é a demarcação de território. Os machos estarão sempre marcando território ao urinar por todo ambiente que passam, e as fêmeas também fazem isso, apesar de ser menos frequente. Graças ao seu apurado olfato, os cães usam seus odores para se comunicar com os outros cães. Os cães liberam feromônios na urina, na saliva e nas fezes, que irão mostrar para outros indivíduos a sua posição social naquele território.

Devemos lembrar que os cães são animais extremamente sociais, e consideram todos da casa como parte de sua matilha. Para o cão sempre existirá uma hierarquia dentro do grupo. Essa inteligência social é típica dos cães, e é natural que eles tentem a todo tempo buscar seu espaço. Eles podem demonstrar isso de diversas formas, como por exemplo, ao rosnarem quando se alimentam caso alguém chegue perto. Ou mostrando algum tipo de agressividade com pessoas e cães que eles julguem estar abaixo deles no grau de dominância. É importante entender esses sinais, pois eles são a forma que seu cão tem de se comunicar com você. Se ele está te desafiando ativamente com rosnados quando você se aproxima do pote de ração, isso quer dizer que ele ainda não te aceitou como o líder da matilha, por exemplo. Em um artigo anterior falamos mais sobre isso.

           

Comportamento do cão castrado           

A castração retira os órgãos responsáveis pela produção de hormônios reprodutivos. Com isso, os comportamentos citados acima tendem a diminuir significativamente. Porém, caso a castração seja feita depois do início da puberdade (que começa entre 6 meses a 12 meses de idade), a tendência é que o animal ainda mantenha alguns deles. A demarcação e território, por exemplo, dificilmente será suprimida, pois não está relacionada somente à reprodução, como explicado anteriormente. A agressividade também diminui na maioria dos casos, já que o “estresse” da busca de um(a) parceiro(a) é eliminado, diminuindo a disputa por território e posição social.

Ao contrário do que alguns pensam, os cães não ficam tristes ou deprimidos caso sejam castrados. A mudança de comportamento é sutil nas fêmeas, e nos machos o que ocorre é uma queda no interesse pela busca de fêmeas. Essa falta de interesse pode se traduzir em um cão com um menor ímpeto durante os passeios, ou quando encontra outros cães, mas isso não significa que ele está triste. Muitos problemas de comportamento estão associados a cães dominantes não castrados, que tentam a todo o momento mostrar sua posição superior nas matilhas (incluindo dentro da sua família).         

           

Comportamento do cão idoso               

A expectativa de vida dos cães varia muito. Enquanto cães de porte pequeno e médio costumam chegar aos 14 ou 15 anos de idade, cães de grande porte raramente chegam nessa idade. Por isso podemos dizer que os cães menores se tornam idosos aproximadamente aos 8 anos de idade, e os de maior porte a partir dos 5 ou 6 anos.

As mudanças de comportamento nessa fase ocorrem gradativamente com o passar do tempo. O primeiro sinal é uma queda na disposição para brincadeiras e passeios. O vigor físico já não é o mesmo, e o cão vai passar mais tempo em repouso, a fim de guardar energia. Problemas articulares também são comuns na “terceira idade”, se tornando um dos motivos para a queda do ritmo dos movimentos típicos dos cães, como pular e correr.

Cães mais velhos tendem a ter uma menor tolerância a mudanças, principalmente de ambiente e de ritmo da casa. Eles podem se tornar mais sensíveis a situações que gerem estresse, como ruídos, sustos, longos períodos de solidão, novos integrantes na família e locais desconhecidos. 

Na alimentação, eles costumam ficar mais seletivos, e o apetite diminui. Condições de saúde que causam dor e desconforto também reduzem o apetite, por isso fique sempre atento aos sinais que o cão pode demonstrar.

Esse período é desafiador para o tutor, já que precisaremos estar muito atentos e prontos para ajuda-lo a ter uma velhice confortável. Muitas doenças podem ser evitadas ou amenizadas se o tratamento correto for feito no início dos sintomas. Procure sempre a orientação e os cuidados de um Médico Veterinário para lhe ajudar.

 

Fontes consultadas

Adestramento Inteligente: com amor, humor e bom-senso - Alexandre Rossi. Editora CMS, 9ª ed, 2002.