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O comportamento do felino nas diferentes fases da vida

O posto de pet preferido parece estar mudando. Durante um longo período a grande maioria das pessoas pensava sempre em ter um cão como seu animal de estimação. De uns anos para cá, a preferência pelo cão continua sendo preponderante, mas a balança tem ficado mais equilibrada para o lado do gato. Em alguns países (inclusive EUA) gatos já são estão presentes em maior número que cães, e esse movimento pode acontecer no Brasil também. Poderíamos elencar vários motivos que causaram essa mudança, mas hoje vamos falar sobre um que está entre os principais: o comportamento felino. Gatos apresentam um comportamento fascinante, e isso chama muito a atenção das pessoas. Veja a seguir como é o comportamento natural dos gatos em cada fase de vida, e entenda porque eles são animais tão interessantes.

 

O comportamento do gato filhote

A fase mais encantadora dos bichanos é também a mais decisiva para a vida adulta. Os primeiros meses de vida do gato são importantíssimos para moldar o comportamento do adulto. O contato direto com humanos, a manipulação, o ambiente que ele vive, a presença de outros animais, tudo isso influencia muito em como o gato responderá a diferentes estímulos no futuro. Durante a fase de crescimento o felino se mostra muito curioso, e por vezes, destemido. Brincadeiras de caçar, de escalar e outros movimentos exploratórios são naturais e servirão para o gato aprender a lidar com essas situações quando adulto. Um gato que não teve contato com humanos e não foi manipulado quando filhote, geralmente se torna um adulto arredio e arisco.

Os felinos são animais considerados carnívoros obrigatórios, conforme explicado em detalhes em outro artigo, eles dependem de uma alimentação rica em proteínas e gorduras de origem animal. Na natureza, os felinos selvagens se alimentam exclusivamente de presas. Portanto, não é de se estranhar que o comportamento caçador tenha permanecido no gato doméstico, e é normal que ele haja assim em casa ou na rua, principalmente quando filhote. Some isso a energia de sobra que os filhotes têm e você terá muito a se divertir com as peripécias que o felino apronta. Esse comportamento é instintivo e não deve ser coibido. O importante é estimular com brinquedos seguros e em situações nas quais o gato se sinta à vontade.

Outra característica marcante do gato filhote é o apetite. Filhotes parecem querer comer demais e o tempo todo, mas esse comportamento é esperado. As necessidades de nutrientes durante o período de crescimento são bem maiores do que as de gatos adultos. O gatinho vai precisar de em média do dobro das calorias na sua alimentação em relação a um adulto, levando em conta o seu peso. Além disso, temos que considerar que os gatos fazem várias pequenas refeições em um dia, e isso é um comportamento natural e que não podemos (ou conseguiríamos) mudar. É por isso que os gatos pedem comida o tempo todo. Para evitar a falta ou o excesso de alimento, devemos checar na embalagem da ração a quantidade correta a ser oferecida, dividindo o total em 5 ou 6 porções durante 24 horas.

 

Comportamento do gato adulto não castrado

Agora que o felino chegou a idade adulta (ao completar 12 meses de vida), o ritmo e a frequência das brincadeiras vão diminuir, porém não vão parar. Gatos que não foram castrados quando filhotes vão demonstrar comportamentos bem diferentes se compararmos com animais castrados. A principal mudança se dá pelo fato do gato procurar ativamente a reprodução. Aqui é importante dizer que, em geral, a castração é altamente recomendada ainda nos primeiros meses de vida do gato, mas vamos explicar os motivos mais para à frente do texto.

Na natureza os felinos são animais solitários e exploradores de grandes áreas, despendendo boa parte de seu período de atividade em busca de presas e defendendo seu território. Gatos não castrados vão demonstrar esse comportamento de defesa e exploração do território ainda mais. Isso se reproduz em esguichos de urina para demarcação e eventualmente agressividade com outros indivíduos (principalmente os desconhecidos). Esse comportamento reprodutivo é mais pronunciado no felino macho. Com a expectativa de se reproduzir graças ao sinal biológico dos hormônios sexuais, o gato vai fazer de tudo para escapar da residência e ir atrás de outros felinos, o que geralmente termina em brigas.

 

Comportamento do gato adulto castrado

Conforme deu para perceber pelo parágrafo acima, castrar o gato evita muitas dores de cabeça. O ideal é fazer a cirurgia antes do animal atingir a puberdade, ou seja, até os 5 meses de idade. As principais vantagens são justamente no comportamento, evitando a marcação de território, fugas e brigas. O nível de estresse e ansiedade também diminui, tornando o gato mais receptivo e carinhoso com os seres-humanos. Vale lembrar que mesmo após a castração, alguns gatos continuam com alguns comportamentos reprodutivos, principalmente a demarcação de território. Problemas de saúde, estresse, medo e más condições do ambiente também podem causar esses comportamentos indesejados mesmo em felinos castrados.

Além dos comportamentos ligados a reprodução, o gato apresenta outros hábitos bem interessantes, que acontecem com castrados e não castrados:

Arranhar os móveis: esse hábito ocorre por dois motivos. 1 - para delimitar e marcar seu território ao deixar seu cheiro e seu sinal em locais “chave” para ele. Você pode reparar que eles fazem isso em mais de um cômodo da casa. 2 - para afiar suas unhas, sua principal ferramenta de caça. Assim eles mantém suas unhas sempre novas e prontas para agarrar e para escalar.

Se lamber: esse comportamento ocorre principalmente porque o gato precisa se manter limpo o tempo todo. Na natureza, os felinos se sujam muito durante a caça e as disputas de território. Ao se limpar continuamente os gatos eliminam os odores estranhos, ficando apenas com o seu odor próprio, o que auxilia a demarcar território e a conquistar parceiros.  Gatos não utilizam a água para se limpar, sendo o “banho de língua” sua única opção. Postula-se que os ancestrais dos gatos vieram de regiões desérticas, e que isso influenciou seu comportamento avesso a água.

 

Comportamento do gato idoso

Gatos podem ser considerados idosos a partir dos 9 ou 10 anos de idade. Quando essa fase começa é normal que o gato diminua seu ritmo, porém seu comportamento não muda tanto. As manias típicas de gato permanecem ativas e o felino não perde sua identidade. O que ocorre geralmente é uma menor resiliência, ou seja, o gato fica menos tolerante a mudanças e novidades. Gatos por natureza não se adaptam bem a mudanças de ambiente, e quando ficam idosos isso se torna mais problemático. Por exemplo, trocar o gato de ambiente gera um grande estresse no bichano, que vai demorar bastante tempo para se sentir a vontade e se comportar naturalmente de novo.

O apetite também muda. O gato fica ainda mais seletivo para comer, muitas vezes se recusando totalmente a ingerir algo novo. Isso é um problema, já que gatos não podem passar muito tempo em jejum e rapidamente podem entrar em lipidose hepática, uma grave doença no fígado.

Esperamos ter ajudado você a conhecer as mudanças que o seu gato sofre em seu comportamento no decorrer da vida. Sabendo mais sobre ele será mais fácil para você proporcionar os cuidados e a atenção em cada fase, e assim ter o seu amigo sempre saudável, satisfeito e feliz.