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Meu cão destrói tudo, o que fazer?

Calçados, fios, cabos, celulares, canetas, roupas, lixeiras, para-choques de carros, sofás, e até colchões são apenas alguns dos itens que podem ser literalmente destruídos por um cão. Filhotes são sempre os mais destruidores, mas adultos também fazem, e apesar de ser um comportamento “esperado”, é por vezes desolador, trazendo prejuízos financeiros e emocionais.

Esse comportamento pode inclusive afetar a relação do cão com seu tutor, trazendo outros problemas no futuro como abandono e agressões.  Mas, por que alguns cães têm tendências destrutivas e como resolver esse problema? Primeiramente, precisamos entender um pouco sobre o comportamento do cão para identificar as causas, e depois tomar medidas para corrigir isso.

O comportamento do cão

O cão doméstico que conhecemos hoje é resultado de basicamente duas situações. A primeira é a sua ancestralidade, pois os cães são descendentes diretos do lobo selvagem e carregam muitas características dessa espécie. As particularidades alimentares, os hábitos sociais, anatomia, e uma série de comportamentos do lobo foram herdados pelo cão. Ou seja, a base do comportamento canino natural vem desses ancestrais selvagens.

O segundo ponto que influenciou é a domesticação. Durante milhares de anos (talvez mais de 30 mil) o homem vem moldando o cão às suas vontades. É por esse motivo que o lobo, um animal selvagem, arredio e independente, se tornou um cão manso, afetuoso e extremamente dependente de seres-humanos. A domesticação então, tornou o cão um animal com habilidades muito aguçadas de companhia e de trabalho, mas manteve suas características naturais advindas da evolução da espécie.

Comportamento social

O cão faz parte da família dos Canídeos. Boa parte dos animais desta família vive em grupos, como o lobo, alguns cães selvagens, a hiena, entre outros. O lobo é o canídeo com os vínculos sociais mais fortes. Numa alcateia cada animal tem o seu papel e sua posição hierárquica, pois esse tipo de estrutura social ajuda a promover a unidade e a diminuir as chances de comportamentos agressivos entre os membros do grupo.

Lobos cuidam um do outro como indivíduos. Eles formam amizades e nutrem doentes e feridos. A estrutura da matilha permite a comunicação, a educação dos jovens e a transferência de conhecimento entre gerações. Um grupo familiar pode se manter por décadas, carregando conhecimento ao longo dos anos. O cão doméstico é uma subespécie do lobo, e herdou esse comportamento social.

Comportamento exploratório

Os cães são seres exploratórios por natureza, outra característica herdada de lobos. Utilizam seu olfato e audição apurados para perceber todo o mundo a sua volta. O focinho e a boca funcionam como instrumentos para sentirem o odor e a textura dos objetos e se situar no ambiente que estão. O ato de morder funciona mais ou menos como o tatear que fazemos para identificar algo com as mãos. Morder e cheirar também são mecanismos utilizados diretamente com os outros indivíduos do bando (que podem ser cães ou humanos), a fim de interagir, estreitar laços, através de brincadeiras, ou brigar para conquistar espaço e se defender.

Portanto, o comportamento natural do cão é o de interagir com pessoas e objetos do ambiente que ele vive, usando seus meios, seja através da comunicação corporal, vocal (através de latidos e outros sons) e tátil utilizando seu focinho e boca. Por esses motivos, é normal o cão querer morder as coisas. O ato de roer é uma necessidade, já que ajuda a manter os dentes limpos, exercita a mandíbula e alivia a ansiedade. Mas, sabemos que esse hábito pode se tornar exacerbado, sem controle, trazendo os problemas que todos tutores querem evitar. O importante é tentarmos identificar os motivos e agir na prevenção e na correção.

Por que o cão destrói as coisas?

O fato é que os cães não causam destruição porque gostam de irritar seus tutores. Na verdade, podem haver problemas físicos ou psicológicos por trás dessa conduta.

Tédio

Pode soar um pouco exagerado, mas não é: cães ficam seriamente entediados e isso causa diversos problemas. Cães têm muita energia acumulada, e a falta de estímulos cria um gatilho para a destruição. Como explicamos, os ancestrais do cão eram predadores, viviam livres em grandes áreas defendendo seu território e se relacionando com membros do grupo. Já a domesticação reforçou as habilidades de trabalho desses animais, condicionando-os a realizar tarefas que exigiam grande vigor físico.

A partir do momento que começamos a criá-los como animais de companhia, dentro de casa com muito conforto, mas sem atividades, começamos a ter problemas de comportamento. Imagine que o cão, um animal feito para usar intensamente seus sentidos exploratórios, esteja o dia inteiro, todos os dias, com acesso apenas ao seu recinto, onde tudo já foi explorado e identificado e não há mais novidades. Quando aparece algo novo, como um sapato, ele não vai pensar duas vezes em interagir e se divertir com o que tem disponível. Quando nada novo aparece, ele mesmo cria uma situação, atacando sofás e colchões, por exemplo.

Falta de exercícios físicos

Esse item está bastante relacionado com o tédio, pois os exercícios físicos são uma maneira muito eficaz de combater esse sentimento. A atividade física é fundamental para os cães, mesmo para os de pequeno porte. Em alguns casos, mesmo que o cão tenha bons estímulos em casa e saia para passear eventualmente, não é suficiente.

Ansiedade de separação

Outro problema “moderno” e comum é a ansiedade de separação. Este é o sofrimento psicológico que alguns cães apresentam quando deixados sozinhos por um longo período de tempo. Os cães são extremamente sociais, como explicamos. Eles não gostam de ser deixados sozinhos. Eles vão ficar realmente ansiosos quando a “matilha” está ausente e podem exibir comportamentos prejudiciais de ansiedade pois não entendem que está tudo bem, que o grupo vai voltar. E é normal que o cão direcione a destruição em objetos que tem o odor dos tutores, justamente como uma maneira de aliviar a distância que estão sentindo.

Estresse

Várias situações podem causar estresse. Medo, ruídos, disputa por território e comida, dor, redução do espaço, entre outros fatores podem disparar comportamentos negativos, como morder e roer, latir, chorar, etc.

Idade

Existe uma fase dos filhotes em que eles querem mastigar de tudo. Durante a troca dos dentes que ocorre entre os 2 e os 7 meses de idade. Além disso, como crianças que põem tudo na boca, os cães muito jovens descobrem o mundo assim, mordendo tudo que podem.

O que fazer com meu cão que destrói tudo?

Quando ocorre um episódio de destruição, não se desespere nem puna o cão assim que você chegar em casa e ver o estrago. Não vai adiantar nada pois o cão não vai associar as coisas, e vai gerar ainda mais estresse e ansiedade no animal, podendo aumentar as chances de outros prejuízos. Recolha tudo sem demonstrar nervosismo e tome as medidas preventivas que explicaremos. Identificadas as causas, fica bem mais fácil traçar um plano para acabar, ou pelo menos reduzir o comportamento destrutivo de um cão. O tratamento começa garantindo que o cão se exercite o suficiente, tenha interação social e tempo de brincar, e amplas oportunidades para explorar.

1 -  Aumente a atividade física, tanto na frequência, quanto na intensidade. O nível do exercício vai depender da raça e do perfil do pet, e pode ser desde leves caminhadas diárias até vigorosas brincadeiras em locais abertos. Podemos exemplificar raças como Labrador, Border Collie e Pastor Alemão que necessitam de atividades intensas e constantes. Mas existem muitos animais de menor porte e sem raça definida que têm uma energia grande e precisam gastá-la.


Brincadeiras como cabo de guerra são muito interessantes para cães, e podem ser feitas dentro de casa.

2 - Forneça ao cão muitos brinquedos mastigáveis. Prefira os brinquedos que o mantêm mastigando por longos períodos de tempo. O ideal é introduzir algo novo ou fazer um rodízio a cada dois dias, para que ele não fique entediado com os mesmos brinquedos antigos. Procure por brinquedos interativos e por enriquecimento ambiental, um conjunto de técnicas e objetos que visam estimular os sentidos e aguçar a curiosidade do pet. Tenha cuidado, dê apenas produtos seguros para mastigação. Não dê ossos cozidos, como sobras de comida, nem mesmo os de galinha, pois eles podem lascar e ferir seriamente o cão. Se você tiver alguma dúvida sobre o que é seguro dar ao seu cão, fale com o veterinário e com os fabricantes dos brinquedos.

3 - Desencoraje a mastigação de itens inapropriados, pulverizando-os com substâncias desagradáveis ao cão. Existem opções vendidas em pet shops e também soluções caseiras, como vinagre.  Primeiramente aplique a substância em algo que você sabe que o cão vai pegar para roer, assim ele sentirá o sabor desagradável pela primeira vez e passará a evitar outros itens com o mesmo odor.

4 – Seja um líder e através da educação deixe claro quais são os objetos que não podem e os que podem ser mastigados. Repreenda caso você pegue o cão no flagra com algo, mas nunca utilize força física ou amedrontamento.  Tire o foco do objeto e ofereça algo que pode ser “destruído” e elogie-o assim que começar a brincar. Assim ele começa a entender quais objetos são permitidos.  É importante evitar confundi-lo oferecendo itens como sapatos velhos e almofadas ou roupas descartadas. Não espere que o cão aprenda que alguns calçados são bons para mastigar, e outros não.

5 – Verifique situações que possam estar gerando estresse e ansiedade. Pense em que a vida do animal pode ser melhorada e conte com ajuda de profissionais caso o cão apresente problemas sérios de comportamento, como medo, agressividade, ansiedade de separação, etc.

Esperamos ter ajudado você a educar melhor seu animal de estimação e evitar problemas de comportamento. Caso você tenha dúvidas em relação a temas relacionados a nutrição, saiba que a Farmina disponibiliza um canal exclusivo. O Suporte Nutricional Farmina conecta tutores a especialistas em nutrição animal. Clique aqui para ter acesso gratuito!