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Meu cão come muito - o que fazer?

Quem tem um cão costuma dizer, “parece que ele está sempre com fome!”. Realmente, cães têm um comportamento ativo na hora de se alimentar, se comunicando, pedindo e demonstrando sempre que precisam comer. Mas, na maioria das vezes não é fome, é apenas um hábito, ou como chamamos, vontade de comer. Cães que comem demais enfrentam o risco da obesidade e as complicações decorrentes do excesso de peso, incluindo estresse nas articulações, doenças cardíacas, doenças do fígado, entre outras.

É importante saber diferenciar quando realmente é fome, quando é apenas uma mania, ou quando é algo relacionado à saúde. Confira no texto porque os cães têm essa característica alimentar, quais são as causas disso e como contornar esse problema.

Por que cães pedem comida o tempo todo?

Existem várias razões. Primeiramente, vamos falar do comportamento natural dos cães, de como a evolução e depois a domesticação moldaram os hábitos alimentares do cão doméstico.

O comportamento alimentar do cão

Os cães estão na família dos Canídeos, animais da ordem carnívora que engloba lobos, coiotes, raposas e chacais. Todos os canídeos têm habilidades de caça e coleta de alimentos. Alguns como a raposa, são onívoros, coletando muitos alimentos por onde passam, inclusive vegetais. O cão é carnívoro pois descende diretamente do lobo, porém diferente dos felinos, os lobos e os cães selvagens são ótimos coletores e oportunistas. Eles aproveitam restos de caça de outros animais (inclusive trabalham em grupo para roubar a presa abatida de outros animais carnívoros), alimentos deixados para trás, e até comem eventualmente algo fora da dieta quando há escassez de alimentos.

Agora pensando na domesticação, os lobos menos agressivos e mais “espertos” se aproximaram de tribos a fim de buscar restos alimentares. Portanto, o cão doméstico descende de um lobo que veio “pedir” comida.  Isso, combinado com seus instintos naturais de matilha onde o líder (tutor) come antes, e depois deixa uma parte para que os outros comam o mais rápido possível, torna o cão um animal voraz. Todas essas características levaram o cão doméstico a naturalmente buscar e aceitar praticamente qualquer coisa oferecida por um humano. E mesmo que não ofereçamos, um alimento deixado em um balcão, ou até numa lata de lixo, não deixa de ser uma enorme oportunidade para ele coletar algo para comer.

Pode ser um problema de saúde

Conforme falamos acima, o comportamento alimentar do cão é mesmo de buscar sempre por comida, porém isso não é justificativa para aqueles casos que o pet fica desesperado, ou que come até passar mal. Existem alguns problemas de saúde que podem aumentar a sensação de fome (polifagia).

- Distúrbios hormonais: os hormônios são responsáveis por regular o funcionamento do organismo, e alguns estão diretamente ligados com o apetite. Cães com doenças metabólicas que afetam a produção de hormônios podem ter esse sintoma. Um dos problemas de saúde mais comuns que causam polifagia é o hiperadrenocorticismo (HAC), também chamado de síndrome de Cushing.

- Diabetes: a falta de insulina e a dificuldade de a glicose adentrar às células leva a um quadro de fome exacerbada, pois haverá uma falta de energia para as células. Portanto, um sintoma bem comum da diabetes é a polifagia.

- Parasitas intestinais: existem inúmeros parasitas que se multiplicam no trato gastrointestinal dos animais. Quando a infestação é alta, os parasitas acabam afetando a absorção de nutrientes e ingerindo até sangue do hospedeiro. Isso pode levar a um quadro de falta de nutrientes e anemia, aumentando o apetite do animal como compensação.

- Alterações no centro da saciedade: o sistema nervoso é o que identifica quando está na hora de parar de comer. Os sinais de fome e saciedade vão para o hipotálamo, no cérebro, que interpreta e gera as respostas adequadas. Doenças nessa região, bem como traumas podem causar um mal funcionamento do hipotálamo, acarretando em descontrole da fome e até da sede.  

- Medicamentos: algumas drogas, como da classe das cortisonas (prednisolona e dexametasona), aumentam o apetite como efeito colateral. Se for esse o caso, não interrompa nenhuma medicação sem a orientação do médico veterinário.

Compulsão alimentar

Outra grande causa da do excesso de “fome” é a compulsão alimentar. Trata-se um problema de ordem psicológica e comportamental, onde o cão desenvolve uma compulsão por comer como um meio de aliviar suas emoções, algo até certo ponto parecido com a compulsão observada em humanos.

Alguns animais acabam sofrendo com o que chamamos de “humanização” – que é a necessidade que temos em reproduzir nos pets coisas que nós gostamos, reduzindo os estímulos naturais que o cão deve receber. Na maioria dos casos, essa prática deixa o animal estressado e ansioso, esperando sempre por algo que vai acontecer, como a recompensa de um prato de comida, por exemplo. São diversas as causas de estresse, ansiedade e tédio que podem gerar o quadro de apetite voraz, veja as principais:

Solidão: passar a maior parte do dia e dos dias da semana completamente sozinho gera uma necessidade no cão de interagir demais quando recebe a visita do seu tutor.

Tédio: a falta de estímulos novos acaba gerando o tédio. Sem ter o que fazer, o cão vai procurar algo, e encontra na comida a recompensa.

Ansiedade de separação: alguns animais desenvolvem essa desordem mental por não saberem lidar com a falta do tutor. Geralmente, ocorrem em casos onde há uma proximidade muito grande do tutor com o animal, que permite uma série de mordomias como subir no sofá e nas camas a qualquer momento, receber muitos petiscos, andar no colo, entre outros mimos. Isso pode gerar uma grande ansiedade no cão quando o tutor não está por perto para dar esses agrados.

Competitividade: como já falamos, os cães são animais de matilha, e tendem a seguir um líder. Casas que têm mais de um cão, ou quando o animal é muito competitivo, há uma disputa pela posição de liderança. A hora da alimentação é um dos principais momentos de tensão. Cães subjugados podem comer muito rápido por medo de perderem seu alimento, e o líder pode comer demais na ânsia de mostrar quem manda.

Outras causas – não menos importantes

Além de tudo que já citamos, existem ainda outras três causas muito importantes que levam a problemas na alimentação dos cães:

- Alimento de baixa qualidade: oferecer uma dieta que supra toda as necessidades nutricionais é obrigatório. Dietas ruins, com menos nutrientes, ou em quantidade insuficiente podem causar distúrbios de saúde e comportamentos de fome exacerbada. O organismo detecta a falta de macro e micronutrientes, disparando o sinal da fome para o animal buscar mais alimentos a fim de suprir suas carências.

- Excesso de petiscos: ao oferecermos muitos petiscos vamos condicionar o cão a sempre pedir por eles, o que é chamado de reforço positivo. Com os insistentes pedidos, mesmo após a refeição regular, o tutor vai interpretar que o cão continua com fome. Na verdade, não é isso, é apenas o animal reproduzindo o que aprendeu, utilizando suas habilidades sociais e comunicativas para ganhar um mimo!

- Misturar ração com outros alimentos: a ração deve ser sempre oferecida pura, sem mistura com outros alimentos. Algumas pessoas jogam comidas caseiras por cima, ou até petiscos ralados. Ao fazer isso, o tutor está inserindo ingredientes de sabor muito pronunciado que vão levar o animal a comer mais do que o necessário. Além disso, esses “quitutes” adicionados geralmente não são saudáveis, ou no mínimo, vão desequilibrar a dieta. Com o tempo, o cão vai ficar condicionado e se recusará a comer a ração sem essas misturas.

5 passos para controlar o apetite do seu cão

Existem várias medidas que podemos tomar para resolver ou ao menos reduzir o apetite voraz de um cão. Para facilitar o entendimento, separamos em 5 passos:

Passo 1 - Ofereça a melhor nutrição possível

A dieta do animal deve considerar suas necessidades e particularidades. Procure sempre pelo melhor alimento, verifique a composição, os nutrientes, níveis de garantia e escolha uma dieta que seja adequada ao caso do seu cão.

Para te ajudar a escolher, a Farmina disponibiliza o Plano Nutricional, onde o tutor preenche os dados do animal e recebe uma indicação específica da melhor opção! Clique aqui para conhecer.

Passo 2 – Eduque

Ensine seu cão a se comportar se colocando como líder, mas nunca use de agressões ou qualquer tipo de violência. Não ofereça o alimento se ele estiver muito agitado, aguarde ele se acalmar.  Um erro comum é oferecer comida quando o tutor chega em casa depois de um longo período fora. Procure não tornar a hora da refeição um grande acontecimento, senão o animal vai ficar sempre ansioso demais por esse momento. Não o recompense quando ele implorar por comida e não permita que o cão consiga se impor sobre as regras da casa, como por exemplo acessar a cozinha quando você está cozinhando ou comendo. Cuidado com o excesso de mimos, evite a humanização que falamos anteriormente. Caso seja necessário, conte com a ajuda de um adestrador certificado.

Passo 3 – Pratique atividades físicas

Cães precisam praticar exercícios físicos. Eles têm muita energia, pois são animais carnívoros desenvolvidos para caçar e explorar grandes ambientes. A vida moderna exige mantê-los dentro de casa, e por isso devemos estimular a atividade física regularmente, permitindo que eles expressem seus comportamentos naturais. Passeios, corridas, brincadeiras e até natação são muito indicados.

Passo 4 – Enriqueça o ambiente

O enriquecimento ambiental visa estimular os sentidos e aguçar a curiosidade do animal, gerando assim uma ocupação interessante, combatendo o tédio. Muitas vezes, o enriquecimento também estimula a atividade física. Existem diversas maneiras, como uso de brinquedos interativos, inserção de elementos naturais como plantas e troncos, tocas, entre outros.

Passo 5 – Cuidado com petiscos e alimentos caseiros

Cuidado para não confundir um pedido de atenção com fome! Maneire nos petiscos e não ofereça alimentos caseiros. Pode parecer cruel, mas se o cão já ingere um alimento pronto completo de qualidade, não há necessidade de oferecer outros alimentos. O petisco deve ser usado apenas para recompensar comportamentos positivos. Ficar dando sempre algo para o animal comer vai gerar ansiedade.

Dica extra – Comedouro lento

Geralmente, cães que comem demais são também muito apressados, o que pode gerar engasgos e vômitos. Uma dica é utilizar comedouros que reduzem a velocidade de ingestão. Ao comer mais lentamente, o animal tem tempo de se sentir saciado. Veja na imagem abaixo um exemplo.

Esperamos ter ajudado você a alimentar de forma mais saudável e tranquila o seu melhor amigo. Lembrando que se houver suspeitas de problemas de saúde associados ou quando há graves problemas comportamentais, é recomendado marcar uma consulta com o médico veterinário.