Categoria: Saúde e Bem-Estar

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Hábitos saudáveis para evitar o sobrepeso em gatos

Mantendo nossa coluna semanal sobre nutrição e saúde de cães e gatos, vamos dar continuidade ao tema obesidade em gatos. No texto anterior falamos dos principais motivos que causam sobrepeso nos felinos, e porque essa doença tem se tornando prevalente. Descubra hábitos e atitudes saudáveis para os bichanos que podem evitar a obesidade.
 

Evite o excesso de mimos

Gatos devem ser alimentados com uma dieta adequada que forneça todos os nutrientes essenciais, nas quantidades e proporções corretas, respeitando sua natureza de carnívoros. Com estratégias específicas para metabolizar proteínas, aminoácidos, gorduras e vitaminas, todo organismo dos felinos trabalha de forma diferente da nossa, seja no metabolismo, fisiologia digestiva e, preferências alimentares.

Se compararmos a um cão, também existem diferenças relevantes. Por exemplo, a necessidade mínima de proteína de um gato um gato adulto é no mínimo 40% maior do que a de um cão da mesma idade. Ou seja, gatos precisam de dietas ricas em proteínas, especialmente as de origem animal (e quantidades reduzidas de carboidratos). Dito isso, é de se imaginar que comidas caseiras e/ou alimentos que os humanos consomem com frequência, podem ser bem prejudiciais.

Apesar dos gatos serem bem mais seletivos para comer do que os cães, eles acabam se acostumando a ingerir alimentos que estão completamente fora da sua dieta e dos seus hábitos alimentares. Comidas como os embutidos (salame, linguiça, salsicha, mortadela) são bem atrativos para os bichanos por terem grande quantidade de gordura e serem feitos à base de carnes. Mas fica o alerta de que esses “petiscos” são muito calóricos devido à grande quantidade de gordura. Como se não bastasse, embutidos contêm grande quantidade de sódio.

Além desses, existem outras comidas que alguns gatos adquirem o hábito de comer, como pães, massas, leite, entre outros tão ou ainda mais prejudiciais que os embutidos, pois estes contêm uma maior quantidade de carboidrato, dificultando assim a digestão. Esses alimentos estimulam o consumo de grandes quantidades, causando um rápido armazenamento de gordura no tecido adiposo do animal (SAAD, 2004), predispondo à obesidade.

O ponto a alertar aqui é o de exagerar no mimo com o bichano. Os gatos aprendem a pedir comida sempre que desejam e entendem que só ganharão aqueles petiscos se insistirem bastante. Por mais que pareça, eles não estão sentindo fome caso a alimentação completa (ração) esteja à disposição. É apenas um hábito, quase um vício, que ele adquiriu ao aprender a pedir petiscos.
 

Dosando a atividade física

Quem tem gatos em casa sabe que fazer o animal praticar atividade física não é uma tarefa simples. Os felinos não aceitam ser conduzidos a um passeio como fazemos com cães, limitando as opções de exercício ao ambiente da casa em que ele vive. Sabemos que pode ser perigoso deixar o gato livre, principalmente pelas ruas em centros urbanos, onde há o risco de atropelamentos, brigas, quedas, doenças e até mesmo maus tratos. Portanto, é muito importante implementar o chamado enriquecimento ambiental, estimulando assim a prática de exercícios.

O enriquecimento ambiental é a modificação do ambiente para estimular o gato a se exercitar, diminuir o tédio e a ansiedade, melhorando sua qualidade de vida.  Para isso, recomenda-se utilizar objetos naturais e artificiais que estimulem os instintos naturais do gato a escalar, caçar, se esconder e explorar.

Geralmente são inseridas prateleiras, tocas, cordas, troncos, jardins, arranhadores, entre outros itens que os gatos interagem instintivamente. Brinquedos com penas, guizos, que fazem ruído e que se movimentam automaticamente também são muito interessantes, já que gatos amam caçar. É importante que o tutor participe das brincadeiras, atiçando a curiosidade do gato desde cedo, evitando que se torne um felino preguiçoso e desinteressado. Assim estaremos estimulando a atividade física de uma forma natural e altamente prazerosa para ele.
 

Vida saudável ao lado do seu pet

Só o fato de ter um animal de estimação já traz benefícios para a saúde. Além de estimular a prática de exercícios físicos, melhorar o bem-estar e a qualidade de vida, os animais podem ainda nos trazer mais benefícios.

Gatos podem ajudar no desenvolvimento de crianças, ensinando regras e responsabilidades de forma leve e natural, estimulando a prática de atividade física e ajudando no tratamento de doenças, entre outros benefícios.  Estudos relacionam uma melhor imunidade em crianças que mantém contato com os animais desde a primeira infância. Para os adultos, a convivência com animais também é saudável. Uma pesquisa, que durou 10 anos, mostrou que ter um gato pode reduzir em até 30% os riscos de ter um ataque cardíaco. Essas pesquisas falam sempre no papel que o pet tem em aliviar a tensão, reduzir o estresse, melhorar a qualidade de vida e ajudar pessoas em situação de fragilidade emocional ou física.        

Com um gato saudável, a alegria e companhia em sua casa estão garantidas por muito tempo. Portanto, ofereça uma alimentação de qualidade, completa e balanceada para seu felino. Evite os mimos alimentícios e o excesso de petiscos e sempre estimule a prática de atividade física.

Prepare um ambiente rico e atrativo para seu gato e divirta-se com as brincadeiras. Esperamos que essas dicas contribuam para um convívio longo e muito prazeroso com o seu pet. Se ainda tiver alguma dúvida, pergunte para nós nos comentários.
 

Referências

CASE, L. P.; CAREY, D. P.; HIRAKAWA, D. A.  Nutrição canina e felina: manual para profissionais. Espanha: Harcourt Brace, 1998.

GLENN N. LEVINE - Pet Ownership and Cardiovascular Risk - A Scientific Statement From the American Heart Association – Circulation.

SAAD, Flávia Maria Borges. Obesidade: processos associados e controle em cães e gatos. Universidade Federal de Lavras: FAEPE, 2004.