Categoria: Saúde e Bem-Estar

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Hábitos saudáveis para evitar o sobrepeso em cães

Continuando a falar neste espaço sobre a questão da obesidade nos cães, iremos hoje abordar quais os hábitos saudáveis que devemos manter com nossos amigos, para que eles se mantenham sempre saudáveis e dentro do peso adequado.

Os cães devem ser alimentados com uma dieta adequada que lhes forneça todos osnutrientes essenciais, nas quantidades e proporções corretas, a fim de conservá-los sadios aolongo das fases de sua vida. Isso parece muito simples, mas às vezes, dado aos nossos próprios hábitos de vida, pode ser um verdadeiro desafio para nós, os tutores desses pequenos seres que dependem de nós para tudo. E muitas vezes, sem nem mesmo perceber, obrigamos aos nossos pets seguirem alguns hábitos nossos, humanos, que são prejudiciais para eles. Veja em detalhes a seguir do que estamos falando.

 

Hábitos humanos que causam obesidade nos cães

Vários de nossos hábitos são diferentes daqueles dos cães. A começar pela frequência de alimentação considerada ideal. Fisiologicamente falando, os cães poderiam se alimentar uma vez por dia apenas. É uma herança de seus ancestrais, os lobos, uma vez que estes animais dependiam da caça, e nem sempre tinham uma refeição diária à disposição. Mas hoje, nós temos a tendência de considerar que os cães devem seguir nosso esquema de três ou até mais refeições diárias. E ofertamos aos nossos animais café da manhã, almoço e jantar.

Não é raro, ainda hoje, encontrarmos proprietários que ofertam inclusive café com leite e pão com manteiga para seus animais pela manhã, baseado na crença de que o quenós gostamos e comemos é automaticamente o melhor para nossos animais.

Os alimentos altamente palatáveis e com grande porcentagem de gordura, não podem ser oferecidos“ad libitum”, isto é, à vontade. Por isso, pães, massas, frios e embutidos, entre outros, favorecem o aumento de peso, por um aumento de consumo e um rápidoarmazenamento dos carboidratos e das gorduras presentes nestes alimentos no tecido adiposo do animal (SAAD, 2004).

Está cientificamente comprovado que animais alimentados com dietas de preparação caseira são mais predispostos atornarem-se obesos do que àqueles alimentados com dietas comerciais (CRANE, 1991;WILKINSON; MOONNEY, 1990). Isto porque nas dietas comerciais é muito difícil ultrapassarmos o teor de 20% de gorduras.Já um salame por exemplos, tem mais de 30% de gorduras totais. Essas gorduras são um problema, pois costumam ser muito palatáveis (na natureza, a gordura é quase um ‘luxo’ sendo que os animais são ‘programados’ para querer armazená-la) e sua presença faz o animal querer comer mais. Somado ao fatorpalatabilidade, um grama de gordura proporciona, em média, 2,25 vezes mais energiametabolizável quando comparados com proteínas e carboidratos. Por isso, o melhor mesmo é evitar as comidas caseiras...

 

Excesso de mimos

Geralmente os proprietários brasileiros relacionam de forma errada a obesidade a um conceito de beleza e saúde. Quem nunca ouviu aquela tia dizendo ‘deixe ele, está gordo, está bonito? ’Segundo Ruben Gatti (2002), a maioria dos proprietários não tem consciência da obesidade deseus animais e, alertados, usam justificativas como “o animal só come uma vez ao dia”, outambém “o animal só come o indicado pelos rótulos do alimento comercial”.

Ainda segundo Ruben Gatti (2002), outra situação pode ocorrer com animais muitoansiosos que solicitam comida permanentemente. Os proprietários, por manejo inadequado,cedem aos apelos do animal e oferecem alimentos a cada pedido, criando um reflexocondicionado interpretado pelo animal que para comer deve se pedir insistentemente.

Como dissemos anteriormente, o animal deve ter um esquema de alimentação próprio, e que seja obedecido com regularidade. Nada de ofertar petiscos fora de hora.

Mesmo os petiscos industrializados e próprios para cães podem ser um problema, porque, usualmente, contêmquantidades significantes de calorias, que não são consideradas na ingestão calórica total diária(as recomendações da embalagem de ração, por exemplo, são feitas assumindo que o animal só comerá aquela ração). Com os petiscos, os cães estarão ingerindo uma quantidade extra de calorias, e este excesso de calorias éacumulado em forma de gordura produzindo aumento de peso e mudanças na composiçãocorporal (CASE et al.,1998).

 

Dosando a atividade física

A atividade física é fundamental para o controle do peso.

O exercício físico, quando usado em combinação com terapia dietética promoveperda de gordura e pode ajudar na preservação do tecido magro durante a terapia de perdade peso. Para a formulação de um programa de exercícios devem ser consideradospossíveis problemas de saúde coexistentes, e nos animais grotescamente obesos éimportante não os sujeitar a um aumento imediato ou exagerado nos níveis de atividade(GROGAN, 1995).

E não é necessário fazer de seu animal um atleta olímpico! Aproximadamente uma hora de trabalho leve por dia, tal como umacaminhada rápida ou corrida, aumentará o gasto de energia em aproximadamente 10%acima do requerimento energético de manutenção do cão. (HAND et al., 1989).

E é melhor mesmo prevenir! Uma vez que seu cão tenha se tornado obeso, em geral a sua atividade decresce bastante esua necessidade de alimento para a manutenção é baixa, aproximando da que ele teria casotivesse um peso normal. Ou seja, é um ciclo vicioso bem difícil de romper.

 

Vida saudável ao lado do seu pet

E por que não aproveitar para controlar também o seu peso? O passeio diário com o cão pode ser facilmente transformado em atividade física, para dono e animal. A proposta é gratuita, fácil de ser incorporada no dia a dia da dupla e sem contraindicação.

 

Referências

CASE, L. P.; CAREY, D. P.; HIRAKAWA, D. A.  Nutrição canina e felina: manual para profissionais. Espanha: Harcourt Brace, 1998.

CRANE, S. W. Occurrence and management of obesity in companion animals. Journal of Small Animal Practice, v. 32, p. 275-282, 1991.

GROGAN, N. Obesity in the Dog and Cat. Irish Veterinary Journal, v. 48, p. 287-288, 1995.

HAND, M. S.; AMSTRONG, P. J.; ALLEN, T. A. Obesity: occurence, treatment and prevention. Veterinary clinics of  orth America: Small Animal Practice, v. 19, n. 3, p. 447-473, 1989.

RUBÉN GATTI, M. V. Obesidad en el gato. R. Virt. Vis. Vet., v. 1, n. 7, 2002. Disponível em: .

SAAD, Flávia Maria Borges. Obesidade: processos associados e controle em cães e gatos.Universidade Federal de Lavras: FAEPE, 2004.

WILKINSON, M. J.; MOONNEY, C. T. Obesity in the dog. A monograph. University of Glasgow, Department of Veterinary Medicine. Walthan. 19 p., 1990.