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Fogos de artifício - dicas para reduzir o estresse dos pets

Com a chegada da Copa do Mundo, um problema conhecido de quem tem um pet vem à tona. O medo que alguns cães e gatos apresentam ao ouvirem os ruídos dos fogos de artifício pode ser tão grande que alguns animais entram em pânico, correndo o risco de passar mal ou se machucar. Preparamos um artigo com dicas que podem te ajudar a passar por esse problema.

Fobia de ruídos - como ocorre?

Um forte ruído vai despertar um aviso de ameaça ao animal, que irá tentar se proteger, e isso ocorre naturalmente graças ao seu sistema de defesa. Pelo fato de não conseguirem distinguir se o forte ruído vem de algo realmente perigoso, eles sempre vão sentir algum grau de medo ao ouvi-lo. O problema é quando esse medo se torna uma fobia. A fobia é definida como um medo persistente irracional e desproporcional da situação real.  

A fobia pode ocorrer por ruídos de fogos de artifício, trovoadas, estampidos de obras, e outros sons de caráter repentino e intenso. Após o estímulo sonoro, há a interpretação do sistema nervoso autônomo (involuntário) como uma ameaça, onde ocorre a descarga de hormônios que aumentam a frequência cardíaca e respiratória, preparando o animal para enfrentar ou fugir da situação. Em quase todos os casos o medo de ruídos aumenta a cada exposição, por isso os animais mais velhos apresentam quadros mais graves de fobia.

Os cães e gatos podem apresentar diferentes sinais de fobia, que incluem: esconder-se, urinar ou defecar em local inapropriado, mastigar objetos, ofegar, tentar escapar (cavar, saltar através das janelas ou atravessar paredes, fugir), babar, procurar o tutor, tremer e vocalizar (latindo ou miando). Cães com fobia de ruído leve ficam ansiosos, tremem, se escondem durante tempestades e têm medo de sair de casa por horas, mesmo depois que os ruídos cessaram.

Treinamento para dessensibilização

Não há um método totalmente eficaz para acabar com esse problema, mas é possível reduzir a gravidade das crises, bem como evitar que o medo se torne fobia através de treinamentos. A dessensibilização visa diminuir a sensibilidade do pet ao ruído. Veja o passo a passo de como fazer:

1 – O primeiro passo é obter o ruído dos fogos através de um CD (vendido em Pet Shops), ou mesmo utilizar a internet (Youtube) para isso.

2 – Coloque o som em no volume normal para determinar se vai induzir a resposta do medo no animal. Se o animal não apresentar sinais de medo, você precisa obter um som melhor, talvez trocar o aparelho que está reproduzindo ou a gravação.

3 – Reproduza a gravação com um volume baixo o suficiente para que o animal esteja ciente do som, mas isso não induza a resposta ao medo. Aproveite esse momento para interagir com o animal em uma atividade na qual você deve dar os comandos, como treinamento de obediência. Induza também brincadeiras que ele goste muito. Recompense com petiscos se ele não sentir medo e participar das brincadeiras. Só siga adiante se nenhum medo for observado. É importante fazer isso diariamente.

4 – Eu um outro momento, repita o passo anterior só que com o volume mais alto. Se o animal for bem, continue repetindo os treinamentos com o volume gradualmente mais alto, em locais diferentes e com outros membros da família presentes.

5 – Coloque a gravação e deixe o pet sozinho ouvindo-a por um curto período de tempo. Se ele sentir medo, faça mais vezes o passo 4. Se ele se sair bem, repita o treinamento com períodos mais longos da sua ausência.

6 –  Se o animal não tem demonstrado medo mesmo com o som bem alto e com sua ausência é sinal que a dessensibilização funcionou. Apesar disso, mantenha os treinamentos semanalmente por um longo período de tempo.

7 - Durante uma queima de fogos real, ou uma tempestade, use as mesmas atividades e recompensas que você usou nas sessões de treinamento.

Obs: caso você não consiga conduzir o processo de dessensibilização, procure um adestrador certificado, ou um veterinário especialista em comportamento para lhe ajudar.

Manejo do ambiente

Além do exposto acima, você pode fazer mudanças no ambiente que o animal vive para reduzir as chances de problemas durante ruídos intensos. Essas medidas são recomendadas antes ou durante o episódio de fobia.

- Para reduzir a intensidade do som, feche janelas, portas e cortinas, ligue a televisão ou o rádio. Um ventilador é útil também, principalmente nos dias quentes.

- Prepare um local que funcione como uma toca no cômodo mais tranquilo. O animal vai se sentir muito mais seguro se puder se esconder. Na natureza é comum que os animais façam tocas para se proteger.

- Retire objetos que ofereçam riscos, como materiais que possam tombar sobre o animal caso ele esbarre.

- Não permita que o animal tenha acesso a alguma janela ou muro, pois no momento de pânico é comum que o pet salte alturas que ele nunca atingiu.

Dicas importantes

Além do processo de dessensibilização, é importante se atentar para outras medidas que o tutor deve fazer para ajudar a evitar que as crises ocorram, ou no mínimo reduzir a intensidade delas:

- Mantenha-se calmo(a): os pets observam muito os seus tutores e vão perceber se você estiver agitado ou nervoso com a situação, e isso acaba aumentando a ansiedade do animal. Mantenha uma postura tranquila e otimista, como se nada de anormal estivesse acontecendo.

- Não recompense durante a fobia: se o animal se mostra assustado, não tente recompensa-lo com agrados. A recompensa só funciona se o pet estiver se comportando corretamente, ou seja, caso ele esteja tranquilo. Ficar afagando, pegando no colo ou falando com voz doce não funciona e geralmente aumenta a sensação de medo do pet.

- Não dê broncas: nunca aplique punições durante a crise. Isso só vai confirmar para o pet que ele deve sentir medo.

- Não force situações: em muitos casos, é comum o animal tentar se esconder, recusar comida, entre outros comportamentos. Caso o que ele esteja fazendo não ofereça riscos, não tente forçar o contrário. Por exemplo, se ele se sente seguro debaixo de uma mesa, deixe-o lá.

- Estimule exercícios: uma boa quantidade de exercícios físicos nas vésperas do evento ruidoso (caso você possa prever) é muito interessante. O cansaço físico somado ao bem-estar mental que o exercício traz mantém o pet mais calmo e menos responsivo ao ruído.

- Fale com o Médico Veterinário: caso o seu pet apresente uma fobia severa, converse sobre a possibilidade da administração de medicamentos para acalmá-lo. Verifique com ele também sobre tratamentos não medicamentosos, como suplementos, homeopatia, acupuntura, florais, entre outros.

Esperamos ter ajudado você a trazer mais segurança e tranquilidade ao seu pet durante episódios de medo ou fobia por ruídos. Caso tenha dúvidas ou sugestões deixe um comentário abaixo.

Referências:

BALLAMWAR, V.A.; BONDE, S.W.; MANGLE, N.S. et al. Noise Phobia in Dog. Veterinary World, 1(11): 351-352, 2008.

SHERMAN, B.L.; MILLS, D.S. Canine Anxieties and Phobias: An Update on Separation Anxiety and Noise Aversions. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 38(5): 1081-1106, 2008.