Categoria: Saúde e Bem-Estar

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Diabetes em cães e gatos - sintomas, tratamento e prevenção

Muitos não sabem, mas a diabetes tem se tornado cada vez mais frequente nos pets, e merece muita atenção por parte dos tutores. Neste artigo você vai entender em detalhes as causas, sintomas, tratamento e prevenção desse problema.

O que é e quais são as causas da diabetes

A diabetes é uma doença endócrina que pode acometer cães e gatos. Essa afecção é caracterizada pelo excesso de glicose (açúcar) no sangue devido à falta de insulina ou quando esse hormônio não consegue cumprir sua função adequadamente. A insulina é um hormônio produzido e secretado pelo pâncreas com a função de “colocar ou transportar a glicose para dentro das células” para que essas consigam utilizar como energia. O excesso de açúcar no sangue vai trazer uma série de problemas no organismo do animal, com graves consequências no longo prazo. Confira a seguir os três tipos de diabetes conhecidos e a diferença entre cada um deles.

Diabetes Mellitus Tipo 1

Também conhecida como Diabetes Insulinodependente, essa é a forma mais frequente nos cães (mas também pode atingir os gatos). Nesse tipo de diabetes o animal não produz insulina suficiente para controlar os níveis de glicose no sangue. Essa incapacidade na produção acontece principalmente pela destruição das células beta do pâncreas (responsáveis pela produção), que podem apresentar perda da função parcial ou total ao longo do tempo. As causas dessa destruição são diversas e geralmente estão relacionadas ao sistema imunológico, onde o próprio organismo ataca suas células. Isso pode ocorrer após infecções virais ou bacterianas, inflamações ou lesões no pâncreas, drogas tóxicas, administração de hormônios, por questões hereditárias, entre outras. Apesar da obesidade e má alimentação estarem mais relacionadas à Diabetes Tipo 2, essas condições aumentam as chances de o animal desenvolver a Diabetes tipo 1 também. O que se sabe, é que condições genéticas (passadas de pai para filho) associadas a questões ambientais (modo de vida, presença de infecções e administração de drogas que aumentam a glicemia sanguínea) desempenham um papel potencial para o desenvolvimento da Diabetes tipo 1.

Todas as raças estão sujeitas a desenvolver esse tipo de diabetes, mas existem algumas que são predispostas: Dachshund Teckel, Poodle, Beagle, Pinscher, Golden Retriever, Schnauzer, Maltês e Lhasa Apso.

Diabetes Mellitus Tipo 2

Também conhecida como Diabetes não insulinodependente, essa afecção acontece com maior frequência na espécie felina (mas também pode acometer os cães). Ao contrário da Diabetes do Tipo 1, o pâncreas produz a insulina normalmente, mas o organismo não consegue utilizar esse hormônio apropriadamente. Conforme dissemos acima, a função da insulina é permitir a entrada da glicose nas células, só que para que essa ação aconteça, as células precisam “reconhecer” a insulina. Nesse tipo de Diabetes, há uma perda da sensibilidade celular à insulina, impedindo que ela atue como deveria atuar. Dessa forma, a perda da sensibilidade celular resulta em maiores níveis de glicose no sangue (hiperglicemia). Como forma de compensação, o organismo entende que precisa produzir ainda mais insulina para manter uma concentração normal de glicose na corrente sanguínea, o que causa exaustão das células beta a longo prazo. Essa exaustão diminui significativamente a produção do hormônio, dificultando ainda mais o controle da glicemia. É a partir dessa condição que o animal começa a apresentar os sintomas característicos da enfermidade.

Alguns fatores podem levar os pets a desenvolverem a perda da sensibilidade à insulina. O principal deles é a obesidade, pois o excesso de gordura corporal interfere diretamente na afinidade entre o hormônio e os receptores celulares. No entanto, outras causas também estão envolvidas nesse tipo de Diabetes, como o acúmulo de amilina no pâncreas (uma substância secretada pelas células beta que diminui a sensibilidade das células para os níveis de glicemia), administração de medicamentos contrários à insulina (glicocorticoides e progestágenos), sedentarismo (independentemente da obesidade), fatores genéticos e toxicidade causada pela alta concentração contínua de glicose no sangue (diminui a sensibilidade das células para a insulina).

Diabetes Insipidus

Existe um outro tipo de diabetes, que é caracterizada por não possuir relação com a concentração de glicose no sangue. Essa afecção também é um distúrbio endócrino, no qual o animal não produz a vasopressina (hormônio antidiurético), ou até produz, mas as estruturas dos rins não respondem à sua ação.  Por conta desses problemas com a vasopressina, os animais acometidos possuem alterações nos mecanismos de reabsorção de água, provocando a perda contínua de líquidos e nutrientes por meio da urina.

Sintomas e consequências

Os sintomas da Diabetes Mellitus são bastante característicos e a gravidade de cada um deles depende da quantidade de glicose no sangue e do tempo que o animal está diabético. No início a doença é silenciosa, pois o organismo consegue compensar os problemas metabólicos da alta de açúcar no sangue. Muitas vezes, os tutores suspeitam da diabetes tardiamente, dificultando o controle da doença. O problema é que quanto mais avançado e crônico está o quadro, maiores as chances de aparecerem complicações sérias.  Confira abaixo quais são os sintomas mais comuns e o porquê de cada um deles. 

Poliúria (urinar grandes volumes em pequenos intervalos de tempo): aparece como um sintoma porque os rins não conseguem reabsorver o excesso de açúcar, eliminando através da urina. O açúcar atrai água, forçando o rim a eliminar líquido em maior quantidade.

Polidipsia (sede excessiva): o aumento do consumo de água acontece na tentativa do organismo em compensar a perda de líquido causada pelo ato de urinar frequentemente, explicado no sintoma anterior.

Polifagia (fome excessiva): a fome aparece devido a um sinal enviado das células ao cérebro de que não estão recebendo glicose como energia. De fato, a glicose está presente na corrente sanguínea, mas como não entra na célula, o corpo entende que é preciso se alimentar.

Perda de peso: o animal diabético pode perder peso, pois o organismo utiliza nutrientes alternativos para produzir energia. Esses nutrientes geralmente são proteínas retiradas dos músculos e da gordura armazenada no corpo. Porém, vale ressaltar que esse sintoma só aparece em quadros severos de diabetes, quando a doença não está controlada.

Além desses sintomas que aparecem frequentemente, em casos graves é possível observar cansaço frequente e fraqueza muscular. Esses sinais normalmente são decorrentes de uma neuropatia causada pelo alto nível de glicose circulante. Animais com diabetes há muito tempo também podem apresentar o desenvolvimento de catarata e uveíte (inflamação da úvea, uma estrutura ocular), insuficiência renal e pancreatite.

Diagnóstico

Para um Médico Veterinário diagnosticar a diabetes é preciso inicialmente saber o histórico do paciente e os sintomas apresentados no dia a dia. Para confirmar a suspeita, é necessário utilizar exames complementares que dão fortes indícios da doença. Os exames mais utilizados são:

Exames de sangue

Através do exame de sangue é possível observar a quantidade de glicose, a concentração de insulina circulante, a quantidade de células de defesa aumentadas (em casos de pancreatite) e a concentração de metabólitos decorrentes da degradação da gordura (colesterol, ácidos graxos livres e triglicerídeos). Outro exame que permite analisar a glicemia, mas com menos informações, é o famoso glicosímetro portátil.

Urinálise

Esse exame é feito com o intuito de observar se há proteínas, glicose ou bactérias na urina do animal. É comum que cães com Diabetes desenvolvam infecção urinária, pois a glicose presente na urina serve como fonte de energia para os microrganismos se multiplicarem. Entretanto, a infecção urinária não é uma regra e pode não aparecer.

Tratamento

Para que o tratamento seja eficiente em controlar os níveis de açúcar no sangue, diminuir a progressão da doença e amenizar os sintomas, devemos pensar em uma tríade: medicamentos, dieta e exercícios físicos.

Tratamento medicamentoso

O tratamento é feito com base no tipo de diabetes e nos sintomas que o animal apresenta. Se o problema for a falta de produção da insulina, é preciso fazer a administração diária do hormônio por toda a vida. Entretanto, somente o Médico Veterinário que acompanha o caso pode indicar como será o tratamento, pois a quantidade (dose), a frequência e o tipo de insulina variam. Dependendo do caso, o tratamento também pode ser feito com o uso de hipoglicemiantes orais, que são medicamentos que visam baixar os níveis de glicose circulante. Alguns casos exigem a administração de insulina associada a hipoglicemiantes. Entretanto, é válido ressaltar que a administração desses fármacos depende exclusivamente do acompanhamento próximo de um Médico veterinário, pois o tratamento não é simples, e depende de exames frequentes com ajustes nas doses dos medicamentos.

Dieta

O objetivo da dieta específica para o diabético é manter a glicemia normal controlando os picos de glicose pós refeição, além de alcançar o peso corporal ideal. Veja as principais características da dieta para cães e gatos diabéticos que estejam acima do peso:

Menos calorias: como em geral o cão diabético já vem de um quadro de obesidade, para que haja a perda de peso a dieta deve oferecer uma menor quantidade de calorias.

Menos gorduras: a diabetes causa alterações do metabolismo lipídico, com aumento dos níveis de colesterol total e triglicérides.  Altas concentrações de ácidos graxos circulantes (que veem através do metabolismo das gorduras) reduzem a secreção de insulina. Além disso, a redução da quantidade de gordura do alimento vai diminuir a densidade calórica, pois os lipídios são os nutrientes que oferecem mais energia, auxiliando no processo de emagrecimento.

Mais fibras: alimentos com maiores teores de fibras vão ajudar na modulação da glicemia, isto é, evitar picos de glicose ao diminuir a velocidade da digestão e reduzir a absorção de glicose no intestino. Outra função da fibra é gerar saciedade no animal, diminuindo o apetite.

Controle de carboidratos: cães e gatos, por serem carnívoros, não necessitam de grandes quantidades de carboidratos. A dieta de diabéticos deve ter ainda menos carboidratos, pois esses nutrientes quando em excesso vão se transformar em gordura corporal. Porém, a qualidade e o tipo do carboidrato são também de suma importância. Devem ser utilizadas fontes de digestão lenta, ou seja, com baixo índice glicêmico.

Qualidade da proteína: como o paciente estará em um processo de perda de peso, utilizar proteínas de alta qualidade, ou seja, de alta digestibilidade e biodisponibilidade, é obrigatório para evitar a perda de massa muscular, priorizando a perda de gordura.

Exercícios físicos

Praticar atividade física regularmente ajuda no tratamento e até na prevenção do diabetes. No caso dos cães, é interessante fazer passeios diários e propor brincadeiras que exijam um gasto de energia grande, como corridas, cabo de guerra, buscar a bolinha, natação, entre outros. Se faltar tempo ao tutor para exercer esses tipos de atividades, é recomendado investir em uma creche para cães ou contratar os serviços de um Dog Walker (passeador). Em relação aos felinos, é indicado criar um ambiente interativo por meio do enriquecimento ambiental. Isso pode ser feito com a disponibilização de itens que estimulem a atividade física, como escadas, objetos para serem escalados, bolinhas, brinquedos interativos, prateleiras altas, entre outros. Outra opção é deixar escondido pela casa alguns recipientes com pequenas porções de alimento para que o gato fique instigado a rodar o ambiente em busca de comida.

Prevenção

É possível prevenir a diabetes através de medidas muito simples. Oferecer uma dieta balanceada e de qualidade é o primeiro passo. Quando falamos de uma dieta balanceada, estamos nos referindo a uma alimentação proveniente de fontes nutritivas de alto valor biológico, que proporciona todos os nutrientes necessários para manutenção do organismo, sem excessos. É importante escolher opções que levem em conta as características da espécie, com moderados níveis de carboidratos e maiores teores de proteína animal. Porém, somente isso não basta. Mesmo ingerindo o alimento correto, se o animal comer mais do que ele precisa, ou se ele comer muitos petiscos, vai ocorrer o ganho de peso e o quadro de obesidade irá se instalar, predispondo à diabetes. Devemos lembrar que o objetivo final da prevenção é evitar que o animal fique obeso! Petiscos caseiros, principalmente alimentos que nós ingerimos, devem ser evitados ao máximo, pois além de engordar rapidamente, trazem riscos como engasgos, indigestões e até intoxicações. Algumas pessoas pensam que somente doces podem causar diabetes, porém isso é um grande engano.  Petiscos próprios para os pets podem ser oferecidos desde que em baixa quantidade, e somente para reforçar comportamentos positivos.

Conforme citamos anteriormente, a prática regular de exercícios físicos também é um importante passo na prevenção desta doença. Além disso, esse hábito é importante também para melhorar o bem-estar psicológico/mental do animal, prevenindo até problemas de comportamento.

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