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Cuidados na relação entre crianças e pets

Já falamos aqui no blog a respeito dos benefícios que os animais de estimação trazem para as crianças. Comentamos também como o convívio saudável entre eles é importante para o desenvolvimento dos pequenos. No texto a seguir vamos explicar quais são os cuidados necessários para que essa relação benéfica ocorra sem riscos e preocupações.

Convívio seguro entre pets e crianças

Em geral, as crianças são fascinadas pelos animais. Existe uma relação de amizade que ocorre naturalmente entre eles. Para que esse convívio seja seguro é importante educar a criança e sempre observar o comportamento do pet, corrigindo o que for necessário. Um cão ou gato, apesar de totalmente domesticado e manso, vai ter instintos naturais de defesa e sobrevivência que podem causar acidentes.

Ensinamentos para as crianças

- Deixe claro a partir do primeiro momento que o animal não é como um brinquedo. A criança, principalmente na primeira infância, não tem essa distinção clara ainda, pois está acostumada a ver animais em brinquedos, filmes, roupas e acessórios infantis.

- Ensine quais sãos os comportamentos naturais do animal quando está com medo, fome, frio, dor, etc. Importante destacar os sinais de agressividade que servem como um aviso para afastar-se ou cessar alguma brincadeira, e geralmente ocorrem por medo ou proteção. Veja só:

Cães: Rosnados, exposição dos dentes, postura inclinada, cauda entre as pernas ou eriçada e testa franzida.

Gatos: Chiados ou rosnados, orelhas achatadas ou para trás, cauda ereta e trêmula, ameaça de arranhadura, pupilas dilatadas.

- Defina regras básicas e formas aceitáveis de tratar o animal de estimação, como por exemplo não se aproximar quando ele está comendo, não montar, não bater ou atirar objetos, não acorda-lo repentinamente, não puxar o rabo e colocar a mão nos olhos, entre outros.

- Diferencie os limites e comportamentos de cães e gatos.

Cães: Tendem a ser mais tolerantes, mas em geral não gostam de aproximação ao alimento ou recompensas. Alguns cães, principalmente de raça pequena são mais reativos e podem avançar quando estão com o tutor, no colo, no sofá ou embaixo da mesa.

Gatos: Não gostam de abraços e carinho na região do abdome. Felinos gostam de brincar com suas garras, alerte a criança para não aproximar o rosto ao bichano, sob o risco de arranhões em regiões delicadas como os olhos.

- Observe a personalidade do animal, pois isso pode variar muito. Mesmo cães ou gatos criados juntos e da mesma raça podem se comportar de maneira diferente.

- Brinquedos infantis são impróprios e perigosos para animais, assim como os de animais não são recomendados para crianças. Não permita que eles compartilhem.

- Seja o exemplo, pois a forma como você se comportar com o pet dirá à criança como ela deve agir.

Educando o pet

É fundamental também educar o animal, acostumando-o ao convívio com crianças. No caso de animais que chegaram depois da criança, é mais tranquilo já que naturalmente o pet vai entender que se trata de um membro da família. Devemos socializar o filhote o mais cedo possível, repreendendo quando ele tem algum comportamento indesejado, e recompensando quando ele acerta. O tutor deve sempre se portar como líder, e isso vale principalmente para os cães. O cão precisa ser conduzido e ensinado, é assim que eles aprendem seu papel na família.

Caso seja um bebê que chegou depois, é necessário apresenta-lo ao pet gradativamente, e sempre sob supervisão. Durante a gravidez pode-se deixar o pet cheirar os objetos, como as roupinhas, o carrinho e até o berço. O quarto do recém-nascido pode ser apresentado também, mas apenas sob supervisão. Mostre ao pet que ele só pode entrar quando for permitido. Quando o bebê chegar, associe a presença dele a algo agradável para o pet, como um petisco, brincadeira ou agrado. Qualquer sinal de agressividade ou movimento brusco deve ser imediatamente repreendido com um sonoro “não”, seguido de um distanciamento (virar as costas ou sair de perto). Quando o animal se mostrar tranquilo ao lado da criança, recompense.

Raças mais indicadas

Existem raças que apresentam um comportamento amistoso, além de serem mais tolerantes ao contato insistente das crianças e, portanto, podem facilitar a convivência:

Cães

Golden Retriever e Labrador: essas duas raças são de origem relativamente próxima. Devido a função que elas foram desenvolvidas, de trazer presas abatidas, são cães gentis, que geralmente aceitam ter algo retirado da boca (mas não quer dizer que é recomendado fazer isso sem conhecer o temperamento do cão). Inclusive, o Labrador é conhecido por ter a boca “mole”. Difícil encontrar um cão dessas raças que apresente agressividade. São extremamente gentis e tranquilos.

Collie e Border Collie: são cães educados e muito inteligentes. Sua função é de pastorear rebanhos, por isso apresentam devoção marcante ao líder, aprendendo facilmente as regras e respeitando os limites.

Pug, Jack Russel e Bulldog Francês: seu porte pequeno facilita a interação com crianças. São bastante agitados e acompanham o ritmo dos pequenos, porém não costumam ser agressivos ou possessivos.

Basset Hound e Beagle: são opções de porte médio e muito amistosas. Não são delicados como cães de porte miniatura nem estabanados como os de grande porte.

Gatos

Persa: talvez seja a raça de gato mais tranquila. Sua pelagem longa e olhos grandes chamam a atenção das crianças.

Siamês: esse gato é manso também, porém muito brincalhão, sendo uma opção mais animada para crianças.

Maine Coon: é uma raça tranquila e bem sociável, além de ser tolerante ao contato próximo. É um dos poucos gatos que não tem aversão à água.

Apesar de indicarmos essas opções, qualquer raça e inclusive os simpáticos vira-latas podem ser ótimas companhias para crianças. Basta checar se o animal não apresenta agressividade ou tenha algum problema de comportamento, como medo e ansiedade exacerbada.

Cuidados de saúde

Existem muitas doenças que podem ser transmitidas dos animais para os humanos, classificadas como zoonoses. As crianças são particularmente mais susceptíveis que adultos devido ao contato sempre próximo ao pet, aos hábitos de pôr a mão na boca e brincar diretamente no chão.  Veja abaixo como se prevenir das zoonoses mais comuns:

Vermifugação: A presença de vermes intestinais é muito comum em cães e gatos, principalmente nos filhotes. Mesmo pets que não têm acesso a rua ou que não apresentam sintomas podem transmitir essas doenças. Quando um animal infectado defeca, milhares de ovos (invisíveis) dos vermes são depositados no ambiente, contaminando facilmente as crianças. O único meio eficaz de prevenção é a chamada vermifugação, um protocolo medicamentoso que somente o médico veterinário pode prescrever. Vale lembrar da necessidade de fazer exames periódicos no pet para verificar se de fato ele está livre desses parasitas.

Vacinação: As vacinas protegem de várias doenças, e algumas delas são zoonoses, como a raiva e a leptospirose, por exemplo. A vacina da raiva é obrigatória e geralmente é oferecida gratuitamente pelas prefeituras, pois se trata de uma doença fatal em praticamente todos os casos.

Pulgas e carrapatos: difícil encontrar um cão ou gato que nunca contraiu algum desses parasitas. Importante ressaltar que além das picadas, eles também transmitem doenças para as crianças. O controle de pulgas e carrapatos deve ser realizado paralelo ao cuidado no ambiente, uma vez que os parasitas adultos que estão no pet são apenas 5% do total que pode estar no ambiente. Hoje em dia já existem produtos capazes de quebrar o ciclo de pulgas e carrapatos. Use somente medicamentos recomendados pelo Médico Veterinário de confiança, e pergunte a ele como fazer para manter sua casa livre desse problema.

Existem ainda outras zoonoses que podem ser evitadas por meio de uma vigilância constante da saúde, com visitas regulares ao veterinário. Alimentação de qualidade, exercícios físicos e promoção do bem-estar também estão envolvidos diretamente na manutenção de uma vida saudável, fortalecendo o sistema imunológico. Atualmente existem alimentos completos e balanceados que visam ajudar o organismo do pet a se defender de doenças através da inclusão de ingredientes funcionais.

Cuidados para não errar na alimentação

A proximidade da criança com o animal de estimação vai facilitar muito a ingestão de alimentos impróprios e até perigosos pelo pet. Naturalmente a criança vai acabar oferecendo seus alimentos, e sabemos que raramente os cães recusam o que comemos. Gatos são muito mais seletivos, mas também não estão livres desse risco.

Os doces preferidos das crianças podem ser muito nocivos aos pets. Balas e chicletes podem causar engasgos e obstruções digestivas. Já os chocolates contêm substâncias que os cães e gatos não conseguem metabolizar, intoxicando o organismo. Já explicamos quais são as necessidades alimentares dos carnívoros, onde a dieta deve ter baixa quantidade de carboidratos. O açúcar dos doces é um carboidrato simples de alto índice glicêmico, totalmente contraindicado pois predispõe à obesidade e ao diabetes.

Outros alimentos muito consumidos por crianças e com sabor bem pronunciado como pães, massas, pizzas, embutidos, leite e salgadinhos podem desequilibrar totalmente a proporção de nutrientes que o pet deve ingerir. Vale ressaltar que se o pet já ingere um alimento pronto e completo, não há necessidade de oferecer outros, mesmo que sejam carnes, por exemplo. Qualquer macronutriente em excesso (proteína, carboidrato ou gordura) irá contribuir para o aumento de peso corporal do animal.

Portanto, precisamos evitar que os maus hábitos se iniciem! A dica é incialmente educar a criança a não oferecer nenhum alimento, explicando para ela que aquilo vai fazer mal ao bichinho. Segundo, ficar sempre de olho no comportamento do animal, e reprender firmemente caso ele avance ou tente roubar comida, deixando bem claro qual é o limite que ele deve respeitar.

Esperamos ter ajudado você a garantir um convívio saudável e seguro entre os pets e sua família. Caso tenha dúvidas ou sugestões, deixe um comentário abaixo ou acesse as nossas redes sociais.