Categoria: Saúde e Bem-Estar

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Como saber se o meu gato está acima do peso ideal

Neste mês de novembro nós temos discutido em detalhes sobre a obesidade em gatos. Já falamos sobre como evitar este problema, explicamos os hábitos saudáveis que ajudam no combate à doença, e também sobre alimentos funcionais para a manutenção da saúde.

Neste artigo, vamos ajudar você a identificar se seu gato está ou não acima do peso, além de citar hábitos comuns de felinos obesos e dar dicas para estimular a atividade física de gatos criados dentro de casa.
 

Será que meu gato está acima do peso?

Considera-se que, para animais de estimação, um ganho de peso acima de 20 a 30 % do peso ideal corresponda a um quadro de obesidade.  Para saber qual o peso ideal para a raça e idade do seu bichano, você deve fazer uma avaliação visual prévia e depois confirmar com seu médico veterinário de confiança.
 

Identificação visual

Existe uma série de pontos no corpo do gato que se deve criar o hábito de inspecionar regularmente. Os principais são a região das costelas e a cintura.

Pela facilidade que você tiver em identificá-las, palpá-las e contá-las, temos um excelente guia para identificar o estado corporal. Este guia abaixo foi elaborado por pesquisadores especialistas em obesidade animal:

- Caquético (+20% abaixo do peso ideal): Costelas, vértebras lombares e ossos da pélvis visíveis. Ausência de gordura palpável. Curvatura abdominal e cintura bem marcada.

- Magro (0-20% abaixo do peso ideal): Costelas facilmente palpáveis e cobertas por um mínimo de gordura. Visto de cima, vê-se claramente a cintura. Curvatura abdominal evidente.

- Ideal: Costelas palpáveis e sem excesso de gordura subcutânea. Visto de cima, vê-se a cintura atrás das costelas. Curvatura abdominal, visível pela inspeção lateral.

- Sobrepeso (10-20% acima do peso ideal): Costelas palpáveis com excesso de gordura subcutânea. Visto de cima, vê-se cintura, ainda que não seja bem marcada. Curvatura abdominal muito pouco marcada.

- Obeso (20-40% acima do peso ideal): Costelas não palpáveis, debaixo de uma grande quantidade de gordura subcutânea. Depósito de gordura na região lombar e na base do rabo. Cintura muito pouco aparente ou não visível. Curvatura abdominal ausente (pode existir distensão abdominal importante).

Após verificar o animal visualmente e tocá-lo para identificar os depósitos de gordura mencionados acima, você pode ter uma ideia da condição corporal dele. Ao perceber que o gato já se encontra em sobrepeso, fique atento! É hora de iniciar um programa de emagrecimento com ajuda do Médico Veterinário.
 

Hábitos de gatos obesos

Em condições normais, gatos adultos controlam a quantidade de alimento ingerido, mas devido à alta palatabilidade de alguns alimentos e estímulos condicionados previamente pelo tutor, e ao sedentarismo, a grande maioria dos animais de estimação ingere uma maior quantidade de alimentos que o necessário para sua manutenção.

É um erro achar que todos os animais obesos necessariamente comem muito. Uma vez que já esteja acima do peso, não é necessária uma grande ingestão de energia para mantê-los assim. No desenvolvimento da obesidade observa-se, habitualmente, uma fase inicial de ganho de peso, devido a um excesso de ingestão energética (e baixa no gasto calórico.)

Uma vez estabelecido um determinado sobrepeso, o animal entra em uma fase estática ou de manutenção, onde o consumo de alimento se reduz, cobrindo apenas as necessidades energéticas desta nova condição corporal.

Conforme o gato vai se tornando obeso, é natural  que ele fique mais preguiçoso com o passar do tempo, reduzindo seu nível de atividade física.. Isso ocorre porque o felino sente mais dificuldade de se movimentar e acaba se acostumando com essa condição.

Em relação à comida, muitos gatos se tornam obesos justamente por ter um comportamento típico de pedir o tempo todo. Eles acabam aprendendo que podem ganhar aquele petisco saboroso a hora que quiserem quando os tutores estiverem por perto. Muitos desses petiscos são muito calóricos e acabam entrando na alimentação como um complemento além da quantidade regular de ração que o gato precisa ingerir, gerando o excesso de energia ingerida, e consequentemente, o acúmulo de gordura corporal.
 

Dicas para atividade física de gatos ‘indoor’

A criação moderna dos gatos exige muitas vezes que o felino fique apenas dentro de casa, é a chamada criação ‘indoor’. Sabemos que é perigoso deixá-lo solto nas ruas, por isso vamos passar algumas dicas de como estimular a atividade física dentro de casa.

Muitos tutores têm empregado o chamado ‘enriquecimento ambiental’ na residência. Enriquecer o ambiente é inserir itens que estimulam a atividade física e a curiosidade natural dos felinos, gerando bem-estar físico e mental no animal.  Você pode começar através de brinquedos que emitem sons e se movimentam rapidamente, com penas, guizos e bolinhas. Esse tipo de objeto estimula o instinto de caça dos gatos.  Instale na residência prateleiras altas, que o gato possa pular de uma para a outra, caixas com buracos simulando tocas, e túneis, que vão trazer segurança e diversão para ele.  Você mesmo pode construir esses itens com materiais baratos como madeira, papelão, borracha, vime, entre outros. Se possível, coloque cepos de madeira, troncos ou até monte um pequeno jardim para o seu bichano. O contato com itens naturais é muito benéfico e alivia o tédio. Essas são apenas algumas dicas sobre enriquecimento ambiental, e você pode pesquisar mais sobre o assunto na internet em grupos de tutores de gatos e sites específicos, e também com veterinários e especialistas em comportamento animal. 

É importante que o tutor participe das brincadeiras, atiçando a curiosidade do gato desde cedo, evitando que se torne um felino preguiçoso e desinteressado. Assim, a atividade física será estimulada de forma natural e altamente prazerosa para ele.

Com essas informações, esperamos ter ajudado você a aprender a identificar se o seu gato está ou não obeso. Incentivamos todos a fazer acompanhamentos regulares no Médico Veterinário. E se restou alguma dúvida, é só escrever nos comentários ou mandar sua pergunta em nosso app.
 

Referências

LAFLAMME, D. P. Development and validation of a body condition score system for dogs: a clinical tool. Canine Practice, Santa Barbara, v. 22, n. 3, p. 10-15, 1997.

OLIVEIRA, M.C.; NASCIMENTO, B.C.L.; AMARAL, R.W.C. Obesidade em cães e seus efeitos em biomarcadores sanguíneos - revisão de literatura. PUBVET, Londrina, V. 4, N. 13, Ed. 118, 2010.

SAAD, Flávia Maria Borges. Obesidade: processos associados e controle em cães e gatos. Universidade Federal de Lavras: FAEPE, 2004. (Textos acadêmicos).

WILKINSON, M. J.; MOONNEY, C. T. Obesity in the dog. A monograph. University of Glasgow, Department of Veterinary Medicine. Walthan. 19 p., 1990.