Categoria: Saúde e Bem-Estar

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Como evitar a obesidade em gatos

Uma nutrição de qualidade, completa e balanceada é requisito básico para manutenção da saúde e bem-estar de um animal. Para os gatos, isso é determinado por uma alimentação rica em proteínas de origem animal, com quantidades baixas a moderadas de carboidratos e com matérias-primas de qualidade, respeitando sua fisiologia e metabolismo de carnívoro, conforme já falamos em outros textos. Mas como controlar a alimentação do seu gato e perceber o possível ganho de peso? Gatos castrados podem realmente engordar com mais facilidade?

Dentre os problemas relacionados a nutrição, a obesidade é de fato o mais comum entre os gatos. Considera-se que, para animais de estimação, um aumento em 15% além do peso ideal já corresponda à obesidade, sendo comum encontrarmos gatos 50% acima do seu peso recomendado. O ganho de peso ocorre quando a energia adquirida através da ingestão excede a energia gasta pelo organismo, o que pode ser resultado da ingestão exacerbada, atividade física reduzida, taxa metabólica diminuída, envelhecimento, doenças hormonais, entre outras causas.
 

Por que os gatos estão ficando obesos?

Existe uma série de fatores que causam obesidade em gatos, porém na maioria dos casos os motivos principais são: excessos ou erros na alimentação, estilo de vida sedentário e envelhecimento, vamos explicar cada um deles.

Erros na alimentação: sabemos que muitas vezes, por desinformação e por termos imensa dificuldade em resistir aos frequentes pedidos por petiscos e porções extras de ração que nossos gatos fazem, acabamos por criar hábitos ruins em nossos felinos. Se formos oferecer petiscos ou alimentos complementares à alimentação do pet, eles devem ser sempre apropriados para os gatos, e de preferência, exceções à alimentação regular. O paladar dos gatos é bem seletivo, porém alguns deles acabam adquirindo o hábito de comer alimentos humanos muito prejudiciais, como pães, biscoitos, macarrão e até doces.  E, quando não comem algum desses alimentos citados, abusam de petiscos.

Estilo de vida: com a vida moderna e os riscos eminentes da rua, os gatos acabaram por ficar dentro de casa. Apesar de parecer estranho deixar o felino limitado dentro da nossa casa, sabemos que eles se acostumam e vivem bem assim, principalmente os que nunca tiveram acesso à rua depois de filhotes. Esse estilo de vida sedentário é uma consequência da domesticação dos felinos e também predispõe para o aumento de peso. 
 

A castração faz os gatos engordarem?

Gatos castrados têm o gasto energético menor, já que a ausência dos hormônios reprodutivos influenciam o comportamento e o metabolismo do bichano. Sem o interesse pela reprodução, o comportamento ativo de busca por parceiros vai acabar, reduzindo naturalmente a atividade física do felino (principalmente se ele tem acesso à rua). As mudanças hormonais que a castração traz também diminuem o ritmo metabólico, reduzindo ligeiramente o gasto energético basal (que corresponde à quantidade de energia utilizada pelo organismo para manter as funções vitais, como o funcionamento dos órgãos e sistemas). Essa é a situação onde o controle da quantidade de alimento deve ser mais vigiado, pois a chance de sobrepeso é maior. As empesas de nutrição animal já disponibilizam alimentos completos e balanceados que levam em conta essas particularidades do felino castrado.

Envelhecimento: com os avanços na medicina veterinária e nos cuidados com os animais, inclusive com o fato de eles viverem seguros dentro de casa, a expectativa de vida dos gatos aumentou muitos nas últimas décadas. Não é raro encontrar bichanos com mais de 15 anos de idade. O processo de envelhecimento é natural e influencia bastante no metabolismo dos gatos. O gasto energético basal, ou seja, o gasto necessário para manter as funções vitais, cai gradativamente com o passar dos anos. Essa queda é determinante para o aumento de peso, pois o apetite e os hábitos alimentares do gato raramente irão mudar durante esse período. Com isso ele ingere a mesma quantidade de comida de quando era jovem, mas agora gasta menos calorias para viver.
 

O impacto na saúde

A obesidade por si só já é uma doença, mas predispõe ao aparecimento de outras também. Um gato obeso pode desenvolver uma série de complicações, como problemas no sistema locomotor e nas articulações, alterações cardiopulmonares e hormonais, como a diabetes que tem sido muito prevalente em gatos. A obesidade induz a resistência à insulina, que resulta em uma maior dificuldade do corpo colocar o açúcar (glicose) presente no sangue para dentro das células, a fim de desempenhar sua função. Esse excesso contínuo de açúcar no sangue predispõe ao desenvolvimento dessa grave doença metabólica. 
 

Qual é a alimentação ideal para prevenir esse problema?

Gatos são animais carnívoros e têm necessidades nutricionais e um sistema digestivo bem diferentes do nosso. Na natureza, a base da alimentação dos carnívoros são as presas: outros animais menores que contém grande quantidade de proteína e gordura na sua composição corporal.  Primeiramente, procure por alimentos balanceados que seguem a premissa de alto teor de proteínas de origem animal por meio de matérias-primas de qualidade e quantidades controladas de carboidratos (grãos e amidos). As empresas de nutrição animal evoluíram muito nos últimos anos, oferecendo produtos extremamente seguros, saudáveis e livres de ingredientes químicos e artificiais.

Após a escolha do alimento ideal, verifique o excesso de mimos alimentares, ou seja, alimentos (sejam eles próprios para gatos ou não) que são oferecidos além da dieta completa citada anteriormente. Os petiscos podem desequilibrar totalmente a dieta do animal, aumentando a quantidade de calorias, e de macronutrientes (como gorduras, carboidratos e até proteínas), o que pode ser prejudicial.

O próximo passo é restringir o número de calorias, pelo fornecimento de dietas com total de energia menor do que o necessário para manter o peso corporal. Assim, o animal entrará no que chamamos de balanço energético negativo e será obrigado a utilizar as suas reservas – ou seja, vai começar a ‘queimar’ as gorduras armazenadas. Especialistas recomendam que as dietas para perda de peso devem restringir o nível de calorias em cerca de 60% das exigências de energia normais dos cães. Como você pode perceber, apenas um Médico Veterinário está totalmente capacitado a determinar quais as quantidades e qual a formulação da ração mais indicada para cada animal. Por isso, procure sempre a orientação desse profissional para que a dieta do seu amigo seja um sucesso, e para que a saúde dele esteja igualmente preservada. A boa notícia é que as empresas de nutrição animal já disponibilizam alimentos formulados especialmente para perda saudável de peso. Veja com o médico veterinário de confiança sobre a prescrição desse tipo de alimento.
 

O papel das fibras em uma dieta equilibrada

A dieta utilizada no programa de restrição de calorias deve conter níveis maiores de fibras.  Este ingrediente é importante, pois auxilia muito na regulação do apetite. As fibras ajudam a provocar uma sensação de saciedade no animal, pois exigem um maior tempo de digestão. Outro fato relevante é que a presença de fibras reduz a densidade calórica do alimento, já que as fibras insolúveis (aquelas que não se dissolvem em água) não são completamente digeridas, portanto, não serão transformadas em energia após a digestão.

Apesar desses benefícios, gatos não podem ingerir fibras em excesso. Existe uma quantidade ideal de fibras a ser ingerida a fim de não sobrecarregar o sistema digestivo e prejudicar a absorção dos nutrientes. A correta proporção de fibras na dieta está presente apenas nos alimentos para gatos do mercado pet.

Agora, com essas informações, é só observar a alimentação do seu gato e manter visitas regulares com o médico veterinário de confiança. Para saber mais sobre esse e outros temas relacionados à nutrição dos gatos, fique atento às próximas edições do nosso blog. Se ainda ficou alguma dúvida, escreva nos comentários!
 

Referências

FREITAS, E.P.; RAHAL, S.C.; CIANI, R.B. Distúrbios físicos e comportamentais em cães e gatos idosos. Archives of Veterinary Science, v. 11, n. 3, p. 26-30, 2006

GUIMARÃES, A. L. N. S.; TUDURY, E. A. (2006). Etiologias, consequências e tratamentos de obesidades em cães e gatos – Revisão. Veterinária Notícias, v. 12, n. 1, p.29-41.