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Como cuidar do gato filhote

Você finalmente pegou o gatinho que tanto quis. Quem gosta de felinos sabe que a gente fica sonhando com um (ou mais um) o tempo todo, ainda mais quando olhamos as peripécias de filhotes nas redes sociais. E agora você se depara com um deles na sua mão, tão pequeno e frágil que até assusta. Mas não se preocupe, cuidar de um filhote não é difícil. Veja nesse artigo tudo que você precisa saber para criar um gato com tranquilidade, saúde e segurança.


Preparando a casa

Ao chegar à sua casa o filhote vai se deparar com um mundo totalmente novo. Felinos são bem medrosos nessa fase, e é comum o gatinho se esconder nos cantos durante esse período de adaptação. Para tornar esse momento menos traumático, não force o contato físico, deixe que ele venha até você e aproveite o momento para dar muito carinho. 


1 - Abrigo

É importantíssimo planejar bem o local que o gato irá viver. Crie um ambiente próprio e específico para seu gatinho ficar sempre seguro e confortável. O local deve ser limpo, arejado e tranquilo (sem ruídos), com pouca movimentação de pessoas e de preferência sem acesso de outros animais da casa, se houver. Não poderá faltar uma cama limpa e aconchegante, vasilha de água fresca, alimento de qualidade, brinquedos e arranhadores.


2 - Segurança

A primeira medida a ser tomada é telar janelas e restringir o acesso à rua. Sabemos que o gato gosta de passear sozinho, mas infelizmente hoje em dia é muito perigoso um gato livre pelas ruas das cidades, onde ele está exposto a agressões, atropelamentos, brigas com outros animais e doenças. Mesmo que você libere seu gato para passeios, é recomendado telar as janelas mais altas, visto que apesar dos gatos serem ágeis e espertos, quedas desse tipo acontecem com frequência.

Os filhotes são normalmente curiosos e vão explorar tudo que puderem, esse é o seu comportamento natural. Portanto, remova todos os tipos de fios expostos, e restrinja o acesso a produtos de limpeza e plantas potencialmente tóxicas como: Antúrio, Azaleia, Babosa, Comigo-ninguém-pode, Lírio, Costela de Adão, entre outras.

 
Educando desde cedo

Após receber o gatinho e preparar todo o ambiente, é hora de ensiná-lo boas maneiras.

 

1 - Xixi e cocô

Gatos precisam obrigatoriamente de caixinha de areia higiênica, que deve ficar distante do local onde ele come e/ou dorme. A caixinha deve ser bem espaçosa, e precisa ser limpa diariamente. Para incentivar seu uso, discipline seu gato através de reforços positivos. Utilize petiscos, se necessário, e abuse do carinho quando quiser reforçar algo correto que o gato fez. Tenha paciência para corrigi-lo quando errar, sendo firme - sem agressões repreenda-o na hora com um comando negativo em alto tom de voz (não!), e elogie e agrade quando ele acertar.

Dica: caso seu gato esteja fazendo as necessidades fora da caixa de areia, experimente trocar o modelo da caixa e da areia. Pode também colocar mais de uma caixa à disposição dele. Outra recomendação para evitar a micção inapropriada é castrar o animal ainda filhote, evitando a demarcação de território, que é um comportamento mediado por hormônios reprodutivos.


2 - Higiene

 

Banho

Gatos não precisam de banhos frequentes já que eles se limpam sozinhos ao se lamberem, entretanto é recomendável acostumá-lo desde bem cedo a tomar banho, assim você evita grandes estresses quando precisar higienizá-lo.

Dica: Utilize apenas xampus próprios para gatos, e não banhe seu animal mais que 1 vez por mês. Um banho a cada 4-8 semanas é o ideal.


Higiene oral

Criar desde cedo o hábito da escovação dental facilitará ainda mais o manejo do gato. Utilizando escova e pasta próprias para gatos, deve-se realizar a escovação semanalmente.

O acúmulo de bactérias nos dentes leva à formação de placas que, devido à falta de escovação, se acumulam formando o tártaro. Essas bactérias eliminam toxinas que lesionam os tecidos e estruturas, desencadeando mais tarde gengivites (vermelhidão e sangramento) e periodontites (infecção nas gengivas). A persistência do tártaro pode ocasionar até mesmo doenças sistêmicas, uma vez que as bactérias e suas toxinas podem cair na circulação sanguínea e atingir órgãos como coração, rins e fígado. Procure o seu Médico Veterinário de confiança para maiores informações a respeito de produtos e técnicas de escovação.


3 - Transporte

Habitue seu felino desde cedo à caixinha de transporte. Seu uso é importantíssimo, uma vez que gatos não se adaptam às coleiras como os cães, sendo a caixinha a única forma segura de transportá-los em viagens e visitas ao Veterinário.


Cuidados com a saúde   


1 - Vacinação

A vacina fornece estímulo ao sistema imunológico para o organismo defender-se de doenças, por isso é um item que nunca deve ser negligenciado. As campanhas públicas fornecem anualmente vacinação gratuita contra raiva (doença fatal que atinge todos os animais e os humanos), porém a vacina do tipo polivalente (que protege para mais de uma doença) não é fornecida pelas prefeituras. Vale lembrar que é de extrema importância para seu gato receber outras vacinas além da raiva, pois existem diversas enfermidades infecciosas que podem afetar a saúde dos gatos. Até que se complete o protocolo de vacinação, é recomendável evitar o acesso à rua e o contato com outros animais. Vacine seu animal sempre com um Médico Veterinário, pois somente ele está habilitado a avaliar a saúde do animal e indicar quais vacinas são necessárias.


2 - Pulgas

Além de causar um grande desconforto ao animal, a pulga transmite doenças para ele e para os seres-humanos (vermes intestinais).

 A DAPP (Dermatite Alérgica à Picada de Pulgas) é outra consequência da infestação por pulgas. A doença é uma alergia que ocorre após a picada das pulgas. Coceira, inflamações e queda de pelo são alguns dos sintomas mais comuns.

O controle de pulgas deve ser realizado paralelo ao cuidado com o ambiente, uma vez que as pulgas adultas que você encontrar no seu gato serão apenas 5% das formas deste parasita na sua casa. Para controlar as pulgas no ambiente, limpe sempre os locais onde o animal tem contato, como caminhas, casinhas, sofás, cantos de parede e vãos entre os móveis, pois são nesses lugares que as pulgas gostam de ficar. Use somente medicamentos recomendados pelo Médico Veterinário de confiança, e pergunte a ele como fazer para manter sua casa livre de pulgas.


3 - Carrapatos

Apesar de serem mais raros em gatos, os carrapatos também transmitem doenças para os pets e os humanos, sendo que algumas delas são bem graves (erliquiose nos pets e febre maculosa nos humanos). Eles também estão em maioria no ambiente e sobem no animal para se alimentar, podendo ficar vários dias presos na pele. Um simples passeio pode trazer carrapatos para o seu pet e sua casa, por isso o ideal é prevenir. Existem produtos bem eficazes na prevenção e eliminação dos carrapatos, fale com seu Médico Veterinário.


4 - Vermes intestinais

Os primeiros meses de vida representam o período mais suscetível a infecções parasitárias, principalmente devido à curiosidade dos gatos que os leva a explorar e lamber\ingerir objetos. Ainda que seu gatinho não tenha acesso à rua ou outros animais, ele pode ter vermes intestinais, e um protocolo de vermifugação deve ser realizado com supervisão do Veterinário.


Cuidados com a alimentação


Alimente a natureza do seu gato

A alimentação deve levar em conta a idade, o estilo de vida e a natureza do animal. Os gatos possuem alta necessidade proteica, sendo indispensável em sua dieta fontes de proteína e gordura animal de alta qualidade. Essa característica torna os gatos animais carnívoros obrigatórios, ou seja, não se adaptam a dietas com excesso de fontes vegetais e/ou pouca proteína.


Escolhendo a ração corretamente

Os gatos já podem comer ração de filhotes a partir da sua 4ª a 5ª semana de vida e devem mantê-la até completar 1 ano de idade. Nessa fase é importantíssimo utilizar uma ração de alta qualidade para suprir a alta demanda energética e proteica dos animais em crescimento.


Quantas vezes ao dia?

Os gatos gostam de comer pequenas porções várias vezes ao dia. Para filhotes é necessário oferecer a ração de 3 a 4 vezes por dia, já adultos precisam de 2 a 3 vezes por dia, mas isso pode variar. O importante é seguir a recomendação da quantidade total diária, quem vem descrita na embalagem do alimento.

Dica 1: Gatos tem hábitos noturnos, por isso é interessante colocar toda a comida à noite e deixa-lo à vontade para comer durante o dia. Assim, a ração fica fresquinha no momento de maior atividade dos felinos.

Dica 2: Não se esqueça de lavar com água e sabão os potinhos de água e comida regularmente, e restrinja o acesso de insetos à ração (deixe o potinho em local coberto, fresco e longe de outros alimentos; recolha sempre os grãos que caíram fora do pote; nunca deixe o saco de ração exposto ou aberto e mantenha todo o ambiente em volta limpo).

 

Atividade física e diversão


A atividade física e as brincadeiras são essenciais para a saúde dos gatos. Para iniciar as atividades escolha brinquedos seguros, sem fios ou objetos pequenos que possam ser engolidos. Gatos gostam de altura e vão explorar a casa subindo em locais altos, esse comportamento é normal, e não deve ser coibido caso não ofereça riscos a ele. É natural que explorem o território, e por isso é importante proporcionar um ambiente que estimule essa atividade. Por se tratar de uma espécie ágil e com habilidade natural de saltar e escalar, é possível incluir itens que proporcionem segurança em comportamentos desse tipo, como arranhadores com prateleiras, disponíveis nas grandes lojas, e até mesmo tocas improvisadas com material reciclado. O enriquecimento ambiental serve para estimulação sensorial, social e cognitiva, proporcionando maior bem estar ao animal. Quanto mais se utilizar de recursos que atendam a estes fatores, melhor será a adaptação.

A interação social, com humanos e outros animais, é também fator importante, oferecendo entretenimento e estímulos sensoriais indispensáveis para o desenvolvimento do seu gato.


A brincadeira de caçar

Conforme explicado neste artigo, os gatos domésticos herdaram muita coisa do comportamento dos seus ancestrais selvagens. O instinto caçador é uma dessas características que ainda existe (em menor grau que no felino selvagem) no nosso bichano. Com a domesticação e a farta oferta de alimento pronto, o gato não precisa mais caçar para sobreviver e acaba usando esse instinto apenas para brincar e se exercitar, e isso é saudável.  Não é necessário estimular a saída do animal à rua para caçar, sendo importante apenas que coloquemos à disposição brinquedos e outros estímulos que façam eles se movimentarem e brincarem, gastando energia de maneira saudável e segura.

Outro hábito descendente do instinto caçador é o de afiar as unhas. Gatos procuram sempre arranhar superfícies para manter suas unhas afiadas e saudáveis, além de usar elas como forma de marcar territórios. Por isso, tenha diferentes tipos de arranhadores para o seu gato poupar sofás, camas e cortinas.