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Como cuidar do cão filhote

O momento tão aguardado chegou: você escolheu um filhotinho para cuidar. Seja um cão de raça ou um vira-lata, agora você terá pela frente a nobre e gratificante responsabilidade de criar um animal de estimação. O período de filhote é curto e divertido, porém exige muitos cuidados para o correto desenvolvimento do animal. Esse é um momento crucial para você aprender a lidar com as situações que a convivência com um cão proporciona. Confira neste artigo sugestões de como preparar a sua casa para a chegada do filhote, dicas de educação básica, informações a respeito de saúde, noções básicas de comportamento e informações sobre alimentação.

 

Preparando a casa

O momento no qual filhote deixa sua mãe e irmãos e chega na sua casa é considerado crítico devido à mudança brusca de ambiente e vida que o animal vai enfrentar. Portanto, é natural que o cãozinho estranhe bastante nos primeiros dias. Para tornar essa transição o mais agradável possível, interaja com ele, sem deixá-lo sozinho por longos períodos.

 

1 - Abrigo

É importantíssimo preparar um local confortável e seguro para que ele possa dormir. Este espaço deve ser limpo, arejado e tranquilo, com pouca movimentação e de preferência sem acesso de outros animais da casa, se houver. Não poderá faltar uma cama limpa e aconchegante em local totalmente coberto, vasilha de água fresca, alimento de qualidade e brinquedos.

Dica: Se possível, leve um pano ou bicho de pelúcia quando for buscar o filhote, e procure passar por todo o ambiente onde a mãe e os irmãos ficam. Dessa forma, o objeto terá o cheiro deles, trazendo familiaridade e, por consequência, uma sensação de segurança.

 

2 - Segurança

Os filhotes são normalmente curiosos e vão explorar, roer e até comer tudo que puderem, esse é o seu comportamento natural. Portanto, remova todos os tipos de fios expostos, e restrinja o acesso a produtos de limpeza, remédios, brinquedos infantis e plantas potencialmente tóxicas como: Antúrio, Azaleia, Babosa, Comigo-ninguém-pode, Lírio, Costela de Adão, entre outras. Utilize brinquedos próprios para cães para distraí-lo e reduzir a destruição pela casa.

 

Educando desde cedo

Após receber o filhote e preparar todo o ambiente, é hora de ensiná-lo boas maneiras.

1 - Xixi e cocô

Utilize tapetes higiênicos ou jornais, e discipline seu cão a usar uma área específica do quintal. Isso pode ser feito passando papel com urina do cão no jornal ou área desejada, ou identificar sua necessidade pelo comportamento de farejar demais um local, e já conduzi-lo ao ponto escolhido para as necessidades. Tenha paciência para corrigi-lo quando errar, sendo firme - sem agressões - repreenda-o na hora com um comando negativo em alto tom de voz (não!), e elogie e agrade quando ele acertar.

 

2 - Atividade física

As brincadeiras e o exercício físico são fundamentais para o seu cão viver feliz, reduzindo até as chances de destruição de objetos da casa. Estimular o filhote através de jogos e brinquedos permite conhecer a personalidade e o potencial dele. Para iniciar as atividades com seu filhote, escolha uma coleira adequada para seu tamanho. É importante desde cedo acostumá-lo, ainda que apenas dentro de casa, para que fique familiarizado com seu uso.

 

3 - Higiene

Desde cedo devemos habituar o cão ao banho e a escovação dos dentes, assim tornamos esses momentos menos estressantes. Dois banhos por mês são suficientes, e não se esqueça de utilizar apenas xampus próprios para cães.

Para higiene oral, faça a escovação de 2 a 4 vezes por semana (se possível, faça diariamente) utilizando escova e pasta próprias para cães. O acúmulo de bactérias nos dentes leva à formação de placas que, devido à falta de escovação, se acumulam formando o tártaro. Essas bactérias eliminam toxinas que lesionam os tecidos e estruturas, desencadeando mais tarde gengivites (vermelhidão e sangramento) e periodontites (infecção nas gengivas). A persistência do tártaro pode ocasionar até mesmo doenças sistêmicas, uma vez que as bactérias e suas toxinas podem cair na circulação sanguínea e atingir órgãos como coração, rins e fígado.

 

Adestramento

O cão é uma espécie que naturalmente vive em grupo. A partir do momento em que ele entra para uma família de humanos, esta se torna sua matilha. Porém na dinâmica social canina, sempre haverá um líder, que representará a figura a ser respeitado neste grupo, e o papel do proprietário responsável é ser o líder. Mais do que adestramento e comandos básicos, corresponder a essa figura de liderança é primordial na interação saudável com seu cão. Para tanto, invista em uma postura firme e assertiva, repreendendo os erros, e premiando os acertos.

Acostume desde cedo a manipulação de tudo ao redor do cão, moldando sua submissão. Conquistando a confiança e o papel de líder, seu cão irá te respeitar, e estará pronto para aprender alguns truques básicos.

Dica: crie palavras-chave para que ele fixe os comandos, e sempre repita para estimular uma resposta positiva. Utilizar petiscos é uma boa técnica de recompensa para acertos de comandos.

Sentar: posicione petisco acima da cabeça do cão, atrás de seu nariz, para que ele tenha que levantar a cabeça para alcançar. Levando o petisco cada vez mais para trás, o cão irá sentar. Use a palavra de comando, assim ele irá associar à sua resposta. Treine várias vezes, até que ele consiga, e aí sim lhe premie com o petisco.

Deitar: coloque petisco na mão, mostre ao cão, e depois feche, deixando apenas um pedacinho para fora. Pouse a mão no chão, e o cão irá cheirar e tentar pegar, até por fim se deitar. Nesse momento, use a palavra de comando.

 

Cuidados com a saúde   

 

1 - Vacinação

A vacina fornece estímulo ao sistema imunológico para o organismo defender-se de doenças, por isso é um item que nunca deve ser negligenciado. As campanhas públicas fornecem anualmente vacinação gratuita contra raiva (doença fatal que atinge todos os animais e os humanos), porém a vacina do tipo polivalente (que protege para mais de uma doença, chamada de V8, V10 ou V11), não é disponibilizada pelo sistema público. Vale lembrar que é de extrema importância para o cãozinho receber outras vacinas além da raiva, pois existem muitas enfermidades infecciosas que podem afetar a saúde dos pets. Até que se complete o protocolo de vacinação, é recomendável evitar o acesso à rua e o contato com outros animais. Vacine seu animal sempre com um Médico Veterinário, pois somente ele está habilitado a avaliar a saúde do animal e indicar quais vacinas são necessárias.

 

2 - Pulgas

Além de causar um grande desconforto ao animal, a pulga transmite doenças para ele e para os seres-humanos (vermes intestinais).

A DAPP (Dermatite Alérgica à Picada de Pulgas) é outra consequência da infestação por pulgas. A doença é uma alergia que ocorre após a picada das pulgas. Coceira, inflamações e queda de pelo são alguns dos sintomas mais comuns.

O controle de pulgas deve ser realizado paralelo ao cuidado com ambiente, uma vez que as pulgas adultas que você encontrar no seu pet serão apenas 5% das formas deste parasita na sua casa. Para controlar as pulgas no ambiente, limpe sempre os locais onde o animal tem contato, como caminhas, casinhas, sofás, cantos de parede e vãos entre os móveis, pois são nesses lugares que as pulgas gostam de ficar. Use somente medicamentos recomendados pelo Médico Veterinário de confiança, e pergunte a ele como fazer para manter sua casa livre de pulgas.

 

3 - Carrapatos

Os carrapatos também transmitem doenças para os pets e os humanos, sendo que algumas delas são bem graves (erliquiose nos cães e febre maculosa nos humanos). Eles também estão em maioria no ambiente e sobem no animal para se alimentar, podendo ficar vários dias presos na pele. Um simples passeio pode trazer carrapatos para o seu pet e sua casa, por isso o ideal é prevenir. Existem produtos bem eficazes na prevenção e eliminação dos carrapatos, fale com seu Médico Veterinário.

 

4 - Vermes intestinais

Os primeiros meses de vida são os mais suscetíveis a infecções parasitárias, principalmente devido à curiosidade que os leva a explorar e lamber\ingerir objetos. Ainda que seu cãozinho não tenha acesso à rua ou outros animais, ele pode ter vermes intestinais, e um protocolo de vermifugação deve ser realizado com supervisão do Veterinário.

 

Cuidados com a alimentação

A alimentação deve levar em conta a idade e o estilo de vida do animal. Os cães possuem alta necessidade proteica, sendo indispensável em sua dieta fontes de proteína animal de alta qualidade. Essa característica torna os cães animais carnívoros.

Alimentos com baixo índice glicêmico proporcionam menor oscilação da resposta glicêmica pós prandial (pós alimentação). Estudos realizados pelo departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Farmina Vet Research destacaram que alimentos com baixa quantidade de amido ou com fontes de amido alternativas e em quantidade moderada, como a quinoa, aveia, cevada e o sorgo auxiliam no controle da glicemia pós prandial, desfavorecendo o acúmulo energético positivo e reduzindo os picos de glicose após a alimentação.

 

Escolhendo a ração corretamente

Primeiramente, os cães já podem comer ração de filhotes a partir da sua 4ª a 5ª semana de vida e devem mantê-la até completar a vida adulta. Nessa fase é importantíssimo utilizar uma ração de alta qualidade para suprir a alta demanda energética e proteica dos animais em crescimento. Veja abaixo até quando os cães podem ser considerados filhotes:

Porte pequeno (até 9kg) até os 10 meses de idade;

Porte médio (10 a 25kg): até os 12 meses de idade;

Porte grande (26 a 40kg): até os 18 meses de idade;

Porte gigante (acima de 40kg): até os 24 meses de idade.

 

Quantas vezes ao dia?

Os cães geralmente são comilões, por isso é importante estar atento à quantidade de alimento oferecido. Para filhotes é necessário oferecer a ração de 3 a 4 vezes por dia, já adultos podem comer 2 vezes ao dia. O importante é seguir a recomendação da quantidade total diária, que vem descrita na embalagem do alimento, e dividir as porções.

 

Diversão e passeios

Passear regularmente com o seu cão é fundamental para mantê-lo equilibrado e ativo. Os passeios são uma forma saudável e divertida de interagir e educar seu filhote desde cedo a socializar e se exercitar. Utilize sempre coleiras e guias confortáveis e ajustadas para passear, e aproveite o momento para mostrar sua posição de liderança:

- Comece com passeios curtos, e sem contato com outros cães;

- Utilize comando como “pare” e “vamos” para ensinar o filhote a respeitar a sua marcha;

- Repreenda-o com um leve puxão na guia toda vez que ele não seguir suas orientações;

Para divertir seu cão em casa, utilize sempre brinquedos. Cães adoram simular que estão caçando e bolinhas variadas são ótimas para isso. Outra brincadeira que eles gostam muito é a de cabo de guerra, que pode ser feita com cordas, brinquedos e panos (que não soltem fiapos).

Toda essa interação é muito positiva e importante para os cães, pois eles são animais de vida em grupo. Muitos comportamentos indesejados como latidos em excesso, destruição de móveis, ansiedade e compulsão podem ser atenuados ou até sanados com interação e atividade física regular. Cães que não passeiam ficam com energia acumulada, e precisarão liberar essa energia em algo. Na natureza os cães selvagens caminham várias horas por dia por áreas muito grandes. Para nós humanos, um passeio também é muito saudável, pois todos sabemos da importância da atividade física em nossas vidas, trazendo bem-estar físico e psicológico.