Categoria: Saúde e Bem-Estar

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Cálculo urinário em cães - as famosas pedras na bexiga

Todo mundo já teve um parente, ou conhece alguém que teve uma crise de ‘pedra no rim’. Com os cães não é diferente – nossos melhores amigos também são acometidos por este tipo de problema, mas em geral eles sofrem mais com pedras na bexiga do que nos rins. Neste texto você encontrará tudo que você precisa saber sobre este problema: o que exatamente são as pedras na bexiga, suas causas, diferentes tipos e como podemos prevenir e tratar esta séria condição clínica.

O que são os cálculos urinários

As pedras são tecnicamente chamadas de cálculos ou urólitos, e o seu Médico Veterinário irá chamar esta doença de Urolitíase. Mas, seu nome popular é mesmo ‘pedras nos rins’ (ou bexiga). Apesar de poderem se formar em qualquer local do sistema urinário, desde os rins até a uretra, nos cães, ao contrário dos seres humanos que apresentam maior tendência a apresentar pedras nos rins, é mais comum encontrarmos as pedras na bexiga.

Essas pedras são formadas por substâncias minerais presentes na urina, que se agregam e formam cristais, que ao crescerem pela adesão de mais minerais e outras substâncias como proteínas, podem causar graves transtornos. As pedras podem obstruir as vias urinárias, impedindo que o animal se alivie normalmente, causando dor, desconforto, e uma série de outros problemas.

Os machos adultos são os mais atacados por este problema. Os sintomas apresentados são a presença de sangue na urina (hematúria), dificuldades para urinar ou incapacidade de urinar (disúria ou anúria, respectivamente) e incontinência urinária. Uma boa parte dos cães afetados (cerca de 40%) apresentam lesões ou problemas secundários, como cistite (inflamação na bexiga), obstrução uretral, infecções urinárias e até ruptura da bexiga. As complicações causadas pelas pedras são graves, podendo levar à morte em muitos casos.

Causas

Muitos são os fatores envolvidos no desenvolvimento deste problema. Desde infecções urinárias (cálculos de estruvita) até desequilíbrios na dieta e condições genéticas (vale para todos os tipos de cálculos). Em um estudo que acompanhou os atendimentos do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo, os cães sem raça definida foram mais acometidos, mas constatou-se que existem raças mais predispostas a apresentar esse problema, como Poodle, Cocker Spaniel, Dálmata, Pinscher; Yorkshire e Schnauzer. De uma forma geral, cães de raças pequenas tendem a sofrer mais com casos de pedras na bexiga do que cães de raças grandes. Essa maior predisposição pode ser explicada pelo menor volume de urina produzida por estes cães e menor frequência na micção, levando a um maior tempo de retenção urinária na bexiga.

O sistema urinário tem como função a eliminação dos resíduos do metabolismo na forma líquida, porém alguns desses resíduos são menos solúveis e podem se precipitar na urina sob a forma de cristais. Caso esses cristais permaneçam retidos no sistema urinário, eles poderão se combinar com outros compostos, culminando na formação dos cálculos.

Um pré-requisito para o surgimento das pedras é a acumulação na urina dos minerais que formam estes cálculos. Essa acumulação é influenciada por três fatores: 1) o aumento do grau de excreção urinária destes minerais, 2) a redução de substâncias que inibem a cristalização na urina e 3) o pH urinário. 

Assim, a alimentação é importantíssima no controle e prevenção deste problema. Uma oferta inadequada destes minerais pode agravar ou mesmo causar o problema, e a alimentação tem forte influência no pH da urina. Também a baixa ingestão de água é um fator predisponente. O tipo de alimentação também pode facilitar a formação ou inibir a dissolução das pedras. A administração de diversos medicamentos, como acidificantes e alcalinizantes da urina, antibióticos, quimioterápicos e corticosteroides, podem também contribuir para a ocorrência da formação de cálculos.

Diferentes tipos de cálculo

Os tipos de urólitos mais comumente encontrados em cães são os de estruvita (fosfato amoníaco magnesiano) e oxalato de cálcio, porém outros minerais também podem se precipitar formando pedras, tais como urato, fosfato de cálcio, cistina e sílica. Existem diversas particularidades que cada tipo de cálculo apresenta, e eles têm uma ocorrência diferenciada, seguindo fatores como raça, idade e pH urinário que auxiliam na sua identificação e classificação.

Estudos realizados pelo Colégio de Medicina Veterinária da Universidade de Minnesota demonstraram que cerca de 38% dos casos são de estruvita, 42% de oxalato de cálcio, 5% de urato, 1% de silicato, 1% de cistina e 14% são mistos, ou seja, compostos por menos de 70% de qualquer tipo de mineral.

Estruvita: em cães, a principal causa da formação desse tipo de cálculo é a presença de infecções urinárias. As bactérias presentes na infecção alteram o pH da urina, favorecendo a formação das pedras. Dietas desequilibradas, principalmente nos minerais (cálcio, magnésio e fósforo) também podem levar a formação de estruvita. Pode ocorrer em qualquer idade.

Oxalato de cálcio: ainda não foram totalmente elucidadas as causas desse tipo de cálculo, mas geralmente envolvem concentrações maiores de cálcio na urina, provenientes de uma dieta desequilibrada ou de problemas metabólicos. Suplementações indevidas, ricas em vitamina D e vitamina C também podem predispor o aparecimento desse tipo de pedra. O sedentarismo e o baixo consumo de água são outros fatores que estão relacionados. Os cães machos idosos são os mais acometidos pelos cálculos de oxalato.

Diagnóstico

O tutor deve ficar atendo ao pet na hora que ele for fazer as suas necessidades. Qualquer sinal de dor, desconforto, dificuldade em urinar deve ser considerado seriamente. Alterações na cor da urina, como uma cor rósea ou avermelhada também são sinais preocupantes e devem ser informados ao veterinário em uma consulta urgente.

Geralmente, o veterinário vai solicitar um raio X ou outro exame de imagem, com ou sem contraste, essenciais para a identificação das pedras. As técnicas variam de acordo com o tipo de cálculo, mas os cálculos mais comuns (de estruvita e oxalato de cálcio) têm características mais radiopacas, ou seja, podem ser visualizados no exame radiográfico simples.

Tratamento e prevenção

O tratamento deve ser conduzido por um Veterinário, e pode ser médico e/ou cirúrgico. Deve-se buscar inicialmente o alívio de qualquer obstrução uretral e descompressão da bexiga quando necessário, e impedir recidivas. O animal deve ser estabilizado antes de iniciar qualquer tipo de tratamento, principalmente se for um paciente com obstrução e a fluidoterapia deve ser instituída para restaurar o equilíbrio eletrolítico, hidratando o animal.

O tratamento clínico tem por objetivo a promoção da dissolução e/ou interrupção do crescimento de novas pedras, e se inicia com a correta identificação do tipo de cálculo. O tratamento médico diminui a concentração de substâncias formadoras de pedras na urina, aumentando a solubilidade dessas substâncias e o volume urinário, e busca alterar o pH.

A mudança da dieta é um dos métodos disponíveis tanto para prevenção da formação dos cálculos, quanto para o tratamento. Para cálculos de estruvita, é possível de fato dissolvê-los através de uma alimentação específica. A dieta visa também reduzir a quantidade de substâncias formadoras de cálculos na urina, e induzir a diurese (estimular a produção de xixi), aumentando o volume urinário.

Qual dieta utilizar?

Como você pode ver, desenvolver uma dieta específica para um animal que teve um ou mais episódios de pedra na urina não é fácil. Existem uma série de particularidades e questões que devem ser levadas em conta, de acordo com o tipo de pedra e a condição do paciente. Através de muita pesquisa e desenvolvimento a Farmina formulou duas dietas específicas para esse problema tão preocupante nos cães.

Vet Life Natural Urinary Struvite: É um alimento coadjuvante indicado para auxiliar na recuperação de cães com cálculos de estruvita. Esta dieta tem uma redução da quantidade de proteínas, diminuindo a formação de amônia na urina, uma das precursoras da formação dessas pedras. Ela também contém uma redução das concentrações de fósforo e magnésio, gerando um ambiente urinário desfavorável para a concentração e precipitação de cristais. Além disso, sua fórmula leva a uma acidificação da urina, o que vai favorecer a dissolução de cristais e até de cálculos.

Vet Life Natural Urinary Ossalati: Trata-se de uma dieta para cães que apresentaram cálculos de oxalato de cálcio, cistina e uratos, o que tenham já uma predisposição à formação destes. Esta dieta contém níveis mais baixos de cálcio, o principal precursor do oxalato. Também há uma redução de proteína, porém utiliza apenas proteínas de alta qualidade, nutrindo o cão adequadamente durante o tratamento. O pH urinário também será modificado nesta dieta, mas dessa vez é o oposto da Vet Life Natural Urinary Struvite, pois o ideal é tornar o pH alcalino, evitando a formação dos cálculos de Oxalato de cálcio.

Atenção – As duas dietas apresentadas acima só podem ser instituídas após diagnóstico do tipo de cálculo e subsequente orientação do médico veterinário. Vale ressaltar que na maioria dos casos esses alimentos não são indicados para uso contínuo para toda a vida, salvo algumas exceções.

Prevenção

Separamos por tópicos as principais medidas preventivas:

- Estímulo à ingestão de água: deixe duas vasilhas de água espalhadas em pontos diferentes da casa, e procure trocar a água duas vezes ao dia. Isso vai estimular o cão a beber mais, pois eles preferem água fresca.

- Atividade física: já falamos bastante aqui no blog sobre os benefícios da atividade física, e esse é mais um deles. Cães sedentários tendem a engordar, beber menos água e urinar menos, entrando no grupo de risco para formação de cálculos.

- Alimentação: dietas equilibradas e de qualidade, formuladas por empresas de nutrição animal e que levem em conta as particularidades dos cães podem ajudar na prevenção da formação de pedras. Animais que já tiveram esse problema também têm à disposição dietas que vão prevenir recidivas. Portanto, escolha o melhor alimento e evite desbalancear a dieta com agrados apetitosos, petiscos caseiros e alimentos não indicados por seu veterinário.

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