Categoria: Saúde e Bem-Estar

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Cachorro pode comer comida de gato? (ou vice-versa)

Uma situação comum para quem tem cães e gatos vivendo juntos é quando um acaba comendo a comida do outro. Geralmente, são os cães que atacam o alimento dos felinos, trazendo preocupação para seus tutores. Se for algo isolado, que aconteceu uma ou duas vezes, não fará mal, porém se acontece com frequência vai trazer problemas de saúde.  As duas espécies possuem origens, hábitos e anatomia distintos, o que justifica cada uma ter as suas necessidades nutricionais específicas. Olhando como um todo, as dietas de cães e gatos são bem parecidas em relação aos ingredientes, mas existem particularidades de cada caso com mudanças importantes. Veja a seguir quais são as necessidades de cada espécie e entenda o motivo pelo qual não é indicado um animal consumir a ração do outro.

Diferenças evolutivas

Cães e gatos são animais muito diferentes. Os cães são da família dos Canídeos, e gatos, dos Felinos. Felinos possuem garras afiadas para prender suas presas, além de terem uma explosão muscular muito eficiente, prontos para sair da inércia rapidamente e atacar. Cães são mais adaptados a percorrer longas distâncias em busca de alimentos, sendo caçadores/coletores, por isso seu faro e sua audição são tão apurados. Cães não tem garras e dependem apenas de suas mandíbulas e do seu trabalho em equipe para caçar. Já os gatos têm na visão seu grande diferencial, capazes de enxergar movimentos mínimos em ambientes muito escuros.

Como deu para notar, os dois estão adaptados à caça e são carnívoros, porém os felinos, evolutivamente, sempre dependeram exclusivamente da caça solitária, em ambientes onde o alimento era escasso e muito disputado. Por outro lado, por serem mais adaptativos às mudanças e terem um comportamento social marcante, os cães se moldaram mais ao homem, aceitando novos alimentos. Com isso, o gato carrega praticamente todas as características dos seus ancestrais, sendo um carnívoro estrito. Já o cão perdeu algumas características de hábitos alimentares e necessidades em relação ao lobo. Vale ressaltar, que mesmo os lobos selvagens possuem uma dieta um pouco mais ampla que um felino selvagem, pois são animais de famílias diferentes, como exposto no início deste tópico.

As garras dos felinos são adaptadas para caça

Essas questões evolutivas trouxeram diferenças de hábitos alimentares e de necessidades nutricionais, veja a seguir.

Diferenças nos hábitos alimentares

Sabor doce: o sabor adocicado, não somente o gosto do açúcar, mas aquele docinho que sentimos ao comer um pedaço de pão, ou outro alimento rico em carboidrato como massas, frutas e batata – por exemplo, não são detectáveis pelas papilas gustativas dos felinos. Isso ocorre porque o gato evoluiu comendo exclusivamente suas presas (sem quantidades significativas de carboidratos), e quase nunca se alimenta de outra coisa. O cão, por sua vez, além de na natureza coletar algumas frutas e até legumes, “aprendeu” a apreciar esses alimentos também com a intensa domesticação humana por milhares de anos.

Quantidade e tamanho das refeições: o cão tenta comer sempre o máximo que pode se ele julgar aquele alimento saboroso e rico em energia. Por ter habilidades de caça menos desenvolvidas, eles têm esse comportamento instintivamente, pois não sabem quando poderão encontrar alimento novamente. Já o gato, se desenvolveu em locais onde haviam várias presas de tamanho pequeno, como pássaros, insetos e pequenos répteis, e por isso não consegue fazer uma grande refeição no dia.

  Lobo - Percorre longas distâncias em busca de alimento utilizando seu faro

Seletividade: o gato é muito mais seletivo ao se alimentar que o cão. Isso ocorre porque ele que escolhe seus alimentos, suas presas. O cão aprendeu que além das suas escolhas, existem alimentos disponíveis no ambiente que ele deve aproveitar. O gato vai preferir sempre algo fresco, como uma presa recém abatida, e o cão não tem essa preferência tão marcante, optando por comer inclusive alimentos já em estado de decomposição, dependendo da necessidade.

As diferenças nutricionais do cão e do gato

Quantidade de proteína

A primeira grande diferença entre a alimentação de cães e gatos é a quantidade de proteínas que cada um deve consumir. Os felinos devem consumir aproximadamente 40% a mais de proteína (na fase adulta) do que os cachorros. Justamente pela sua alimentação ser rica em proteínas é que a maior parte da produção de energia é feita a partir desse nutriente (junto com as gorduras). Além disso, quando os felinos consomem uma dieta com menor teor proteico, diferentemente da maioria dos animais, eles não conseguem diminuir o gasto de proteína diário para utilizar no seu metabolismo. Sendo assim, os gatos não conseguem se adaptar a uma dieta com menor valor proteico do que o ideal.

Taurina

Os cães e gatos precisam basicamente dos mesmos aminoácidos essenciais (moléculas que compõe uma proteína), com exceção para a taurina. Este aminoácido não é produzido pelo organismo do gato e seu consumo é obrigatório. Ela só é encontrada em alimentos de origem animal, principalmente nas vísceras. A taurina exerce diversas funções no organismo e a sua falta para os gatos pode resultar em problemas visuais (degeneração da retina) e cardíacos (Cardiomiopatia Dilatada).

Quantidade de arginina

Assim como a taurina, a arginina é um aminoácido essencial, ou seja, aquele que deve ser consumido todos os dias devido a incapacidade do corpo em produzi-lo. Esse aminoácido também é encontrado em alimentos de origem animal e sua diferença para a taurina é que a arginina é fundamental para ambas as espécies, não só para os felinos. Entretanto, os gatos devem consumir o dobro da quantidade recomendada para os cães e, ingestão em quantidades inadequadas, sujeitam o animal a sofrer problemas de saúde.

Vitamina A

A vitamina A, que também é conhecida como retinol, é outro nutriente que possui particularidades em seu consumo quando comparamos cães e gatos. Nesse caso, a grande diferença é que os cães conseguem produzir a vitamina A através da conversão de uma substância chamada de betacaroteno, encontrada em diversos vegetais, como a cenoura e a abóbora, por exemplo. Já os felinos não conseguem converter o betacaroteno em vitamina A e, em razão disso, necessitam ingerir a vitamina A pronta. Ela pode ser encontrada dessa maneira em alimentos de origem animal (aves, peixes, ovos e carne) e a suas funções estão relacionadas com a visão noturna, produção de proteínas, produção de hormônios reprodutivos e manutenção da integridade da pele. Vale ressaltar, que apesar do betacaroteno não servir como fonte de vitamina A para os gatos, essa substância é um antioxidante natural, e traz benefícios mesmo aos felinos, podendo fazer parte da dieta deles.

Carboidratos

Os gatos possuem menor tolerância a altas quantidades de carboidratos do que os cães, pois eles possuem níveis mais baixos de enzimas responsáveis pela quebra/digestão desses nutrientes. Dentre as principais enzimas que estão em menor quantidade, podemos citar: amilase (digestão de amido), dissacaridases (digestão de dissacarídeos), sacarase (digestão da sacarose), lactase (digestão da lactose) e glicoquinase (quebra da glicose). Dessa forma, se os gatos ingerirem carboidratos em excesso, eles poderão desenvolver problemas digestivos e consequentemente metabólicos que poderão levar a quadros de obesidade, diabetes, entre outros.

Mas afinal, por que um come a comida do outro?

Entender o motivo pelo qual o pet está se interessando pela comida de outra espécie é muito importante para acabar com esse tipo de comportamento inadequado. Geralmente observamos os cães se alimentando das comidas dos gatos, pois os felinos costumam são mais seletivos. Entretanto, isso não é uma regra. Quando os gatos se alimentam da comida dos cães, eles dão preferência às rações de raças pequenas, pois os grãos são menores. Existem diversas causas que podem levar um cão a comer a comida de um gato e vice-versa. Veja abaixo quais são as principais.

Palatabilidade: como dissemos acima, a alimentação dos felinos deve conter um teor de proteína superior ao dos cães, tendo geralmente mais matérias-primas de origem animal. Por conta disso, a ração dos gatos pode ser mais atrativa à maioria dos cães.

Curiosidade: os cães adoram uma novidade, e a domesticação fez eles se aproveitarem disso para comer de tudo que puderem. Ao se deparar com uma refeição diferente, o cão vai provar.

Qualidade do alimento: é preciso ficar atento a qualidade da comida que é ofertada ao seu pet. Deficiências nutricionais podem fazer com que ele procure outra fonte de alimento mais nutritivo para suprir as suas necessidades alimentícias. Além disso, no caso dos cães, eles dificilmente se sentem saciados logo após uma refeição regular. Portanto, é importante oferecer uma alimentação balanceada e de alta qualidade, que possua todos os nutrientes necessários para o seu organismo e esteja alinhada às características da espécie.

Para oferecer um alimento que leve em conta as características únicas do cão e do gato, utilize o Plano Nutricional Farmina. Além de seguir as questões da espécie, o Plano analisa informações específicas do pet em questão, como idade, condição corporal e necessidades de saúde para indicar uma dieta personalizada. Clique aqui para saber.

Problemas de comportamento: muitos problemas comportamentais podem levar a esse tipo de atitude. Geralmente os que estão mais relacionados são: ansiedade, estresse e tédio, que geram comportamentos compulsivos, como comer demais ou ingerir alimentos inapropriados.

Problemas digestivos quando o processo de digestão dos alimentos não ocorre como deveria, é comum que os animais procurem novas fontes nutricionais em uma de tentativa de melhorar o desconforto.

Causa indeterminada: às vezes nenhum desses motivos citados é realmente o problema do seu pet. A alimentação “invertida” pode acontecer pelo simples fato do animal não conseguir diferenciar uma alimentação da outra.

É importante destacar que é preciso investigar a fundo e observar o comportamento dos pets para entender o que está levando a procura de uma nova refeição. Caso o tutor não consiga identificar a causa, é recomendado procurar um Médico Veterinário para investigar se não há nenhuma uma doença por trás desse hábito. 

6 Dicas para evitar que o cão coma a comida de gato – ou vice-versa

1- Se o cão tiver comendo a comida do gato, a primeira dica importante é colocar o pote de ração do felino em um lugar alto. Não se esqueça de se certificar que o cachorro não conseguirá alcançar o pote em nenhuma hipótese. Se não encontrar um lugar apropriado, identifique os horários de alimentação do seu gato e retire o cão do ambiente nos momentos da refeição.

2- Procure educar o seu pet. Você pode fazer isso repreendendo a atitude no momento em que ele estiver comendo o alimento errado. A repreensão deve ser verbal e em nenhuma hipótese o tutor deve agredir o animal. Quando o pet se alimentar corretamente, sempre procure recompensá-lo para ter cada vez mais sucesso na ação.

3- Deixe os comedouros em ambientes diferentes, condicionando cada animal a ir se alimentar no seu pote. Por exemplo, se o seu cão ficar na parte externa da casa, você pode deixar a sua alimentação do lado de fora da casa e do gato na parte interna.

4- Se o seu gato estiver comendo a comida do cão, procure retirar a comida após o cachorro se alimentar.

5- Caso o problema seja comportamental, busque aumentar as atividades diárias do seu pet, como as brincadeiras, o tempo e a frequência dos passeios.

6- Dica bônus: existe no mercado comedouros automatizados que liberam a ração apenas com a aproximação de um animal específico. Essa tecnologia funciona apenas com animais microchipados, pois é através do microchip que o aparelho identifica a presença de determinado pet.

Se você tiver ainda alguma dúvida, seja ela relacionada com alimentação ou cuidados de cães e gatos, deixe um comentário abaixo ou entre em contato com a gente via redes sociais.