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Alimentação de cães: educação à mesa

Nosso tema de hoje pode parecer até um tanto cômico numa rápida leitura do título, mas se formos considerar que realmente os cães são cada vez mais tratados como membros da família, a questão da ‘educação à mesa’ passa sim a fazer todo o sentido. Nossa proposta aqui nestes textos é tentar contribuir para uma relação cada vez mais saudável e feliz (para ambos os envolvidos) entre os cães e as pessoas. Então, fique atento e veja como tornar o momento da alimentação mais prazeroso para você e seu amigo.

 

Podemos educar nosso cão a comer de forma mais saudável? 

           

Sim, podemos! Educar o cão a se alimentar de uma forma saudável não é difícil. O primeiro passo é reconhecermos que um cão não é uma pessoa, e que, portanto, a maneira dele se relacionar com sua alimentação é totalmente diferente da nossa. Por isso, devemos escolher um alimento que supra todas as necessidades, e que ao mesmo tempo respeite a natureza dos cães como animais carnívoros. Existem no mercado alimentos com essas características, onde mais de 90% das proteínas vêm de  ingredientes de origem animal. Não se esqueça de escolher o produto indicado para o porte e a idade do seu cão. Cães precisam de comida de cães, e não da nossa!

Por isso, nada de ceder aos olhares pidões do seu cão quando você estiver comendo. Por mais que achemos cruel não oferecer a nossa comida, precisamos entender que cães não criam laços emocionais com os alimentos. Comer significa muitas vezes um evento social para nós. Há casos onde um alimento pode até trazer lembranças de momentos bons de nossa vida. Sem falar quando comemos não para nos nutrirmos e alimentarmos, mas, buscando um prazer momentâneo. Cães não têm nada disso. Cães comem por instinto e quando sentem fome. Os pedidos insistentes para obter um ‘teco’ do seu almoço, podem ser na verdade muito mais um pedido de atenção do que uma necessidade fisiológica dos cães. É um erro achar que os cães sentem as mesmas necessidades que a gente na hora de comer.

Já falamos em outros textos como certos hábitos podem ser maléficos para a saúde dos cães. Oferecer petiscos em excesso (mesmo que sejam próprios para cães), dar restos de comida e/ou partilhar nossa alimentação com a deles são exemplos disso. E novamente: cuidado para não confundir um pedido de atenção com fome! Aqui vale ressaltar que se o cão já ingere um alimento pronto completo, não há necessidade de oferecer outros alimentos, mesmo que sejam carnes, por exemplo. Qualquer macronutriente em excesso (proteína, carboidrato ou gordura) irá contribuir para o aumento de peso corporal do animal.

Petiscos e outros alimentos que cães adoram geralmente têm um sabor e um odor muito pronunciados, extremamente atrativos. Essa atração acaba “viciando” e por isso eles sempre vão buscar esses petiscos novamente. Cães interpretam instintivamente que alimentos muito saborosos são grandes fontes de energia, necessária para sua sobrevivência.

E lembre-se: precisamos evitar que os maus hábitos se iniciem! Se o animal já provou um pedaço de salame, será muito difícil que ele ‘esqueça’ essa experiência. Afinal, as comidas processadas geralmente possuem muitos temperos e aditivos, a fim de torná-las mais atrativas para nós, seres humanos. Agora imagine o efeito que um pedaço de salame, cheiroso e rico em gorduras, tem sobre um olfato muito mais poderoso que o nosso? É um verdadeiro êxtase! Se o animal entra em contato com esse tipo de alimento, a impressão deixada em seu cérebro será quase inesquecível, dada a potência dos agentes estimulantes do olfato neste tipo de alimento. Ou seja, se você proporcionar uma amostra de determinado alimento inapropriado, cada vez que o seu animal sentir esse cheiro ele vai querer repetir a experiência, SEMPRE.

           

Horários e quantidades      

           

Para assegurar que seu cão esteja com suas necessidades nutricionais plenamente atendidas você deve checar a quantidade de comida que está oferecendo. Para isso, verifique que no verso da embalagem da ração sempre há um demonstrativo da quantidade correta de acordo com o peso do cão. Fêmeas gestantes e cães que praticam muita atividade física devem ter a quantidade um pouco aumentada. Caso essas situações não estejam descritas na embalagem, fale com seu médico veterinário de confiança para que ele calcule corretamente. Quando o animal apresenta sobrepeso ou obesidade também é necessário ajustar a quantidade de alimento. Novamente, o médico veterinário pode te ajudar, principalmente porque existem alimentos prontos recomendados para animais com esse tipo de problema.

O mais indicado é sempre dividir a quantidade total preconizada em 2 refeições para animais adultos, e em 3 a 4 para filhotes. O horário das refeições deve ser sempre respeitado, formando uma rotina à qual o cão irá se acostumar. Prefira dar a primeira alimentação logo pela manhã, facilitando assim a sua vida se você trabalha em horário comercial e fica o dia todo fora. A segunda porção pode ser aproximadamente 10 a 12 horas depois da primeira.        

 

Hábitos indesejáveis

           

Alguns hábitos alimentares podem ser prejudiciais:

 

- Agitação excessiva: alguns cães são muito comilões, e acabam ficando muito agitados na hora da refeição. Esse hábito é ruim porque pode gerar congestão, engasgos, e até mesmo casos de torção gástrica, que necessitam de tratamento cirúrgico urgente. Caso seu cão faça isso, iniba esse comportamento parando imediatamente de oferecer o alimento. Só ofereça novamente quando ele se mostrar mais calmo.

 

- Mendigar comida: cães aprendem muito por observação. Quando percebem que estamos comendo eles tentam de alguma forma ganhar um pedaço. Como dissemos antes, isso pode ser um mero pedido de atenção, ou um vício que nós mesmos criamos nele. Ao oferecermos algo do nosso prato nós estamos fazendo um reforço positivo de um comportamento indesejado. É assim que eles aprendem a mendigar comida. Portanto, não ofereça petiscos quando você estiver comendo.

 

- Recusar o alimento: é muito comum vermos casos onde os proprietários relatam que o cão não quer comer por motivo de: “ele enjoou da comida”. Os cães dificilmente “enjoam” do alimento completo. O que na maioria dos casos ocorre é que o comportamento errado do dono ensina o cão, que ao rejeitar o alimento oferecido ele ganhará mais atenção e outros alimentos “super atrativos” (petiscos, comida caseira). Assim, ele acaba adquirindo o hábito de rejeitar a ração, pois já percebeu que irá receber recompensas por isso. Outro detalhe é que muitas vezes o cão nem está com fome ainda. Caso ele realmente esteja sentindo fome, dificilmente ele vai recusar a alimentação oferecida. Vale lembrar que caso o cão pare de comer de repente, pode ser algum problema de saúde. Se suspeitar de algo não deixe de visitar o médico veterinário.

 

 

E se eu tiver mais de um? Como alimentar uma família numerosa

           

            Sempre que houver mais de um cão na casa, devemos manter o número de potes de comida e de água na mesma proporção. Cães seguem uma hierarquia no grupo, e sempre vai haver o que toma a iniciativa na hora de comer, o líder. Apesar disso, é bem comum que haja disputa pelo alimento, pois nem sempre o cão liderado vai aceitar essa submissão. Por isso, o ideal é alimentar todos separadamente, iniciando pelo cão que você já percebeu que é o líder. O fato de você oferecer o alimento primeiro para este líder servirá para confirmar essa posição de liderança para o resto da matilha, ajudando a criar um ambiente harmônico e com menos conflitos. Caso um dos cães seja muito afoito, mesmo que aparentemente não seja o líder, recomenda-se alimenta-lo separadamente a fim de evitar brigas.

Seguindo essas dicas você fará do momento da refeição uma parte prazerosa do dia-a-dia do seu relacionamento com seu grande amigo.