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A nutrição para cães

O cão doméstico (Canis lupus familiares) é uma subespécie do Lobo, pertencentes da ordem dos carnívoros.  Provavelmente o cão é o animal mais antigo domesticado pelo homem, e com certeza o que mais mudanças sofreu durante sua domesticação.  E essas mudanças passaram também pela sua alimentação. Portanto é necessário entender melhor e com mais detalhes sobre a nutrição dos cães.

 

Particularidades alimentares dos cães

            Conforme explicado em outros artigos no nosso blog, os lobos e os cães selvagens se alimentam de presas que contêm grande quantidade de proteínas e gorduras, e pequenas quantidades de alguns vegetais eventualmente. Já o cão doméstico não precisa mais de presas e apresenta uma adaptação à digestão de alguns vegetais e carboidratos, principalmente pelo longo período que estão partilhando nossa alimentação. Entretanto, mesmo o cão doméstico de hoje continua sendo um animal carnívoro. A fisiologia digestória dele prova isso: possuem um estômago com pH mais ácido, o que ajuda a “quebrar” as proteínas ingeridas para serem aproveitadas pelo organismo. Também mantêm dentes longos e afiados, utilizados para rasgar e separar a carne em pedaços, extremamente úteis para prender e dilacerar suas presas. A movimentação da mandíbula também é diferente: eles não conseguem fazer o movimento lateral que os onívoros e herbívoros fazem durante a mastigação de plantas. Cães são biologicamente adaptados a caçar e preferir alimentos de origem animal, e isso ainda faz parte da sua natureza.

            O cão mantém alguns hábitos alimentares bem marcantes de sua ancestralidade, como o de comer até o máximo que puder um alimento que ele julga (principalmente pelo olfato) saboroso, e consequentemente, com grande quantidade de energia. Outro hábito é o de comer rapidamente, pois cães e lobos quase sempre se alimentam em grupo, e a competição entre os outros animais resulta nesse comportamento. Cães selvagens e lobos apresentam um comportamento alimentar oportunista, sempre buscando restos alimentares por onde passam, já que a caçada nem sempre é possível. Isso é ainda mais marcante no cão doméstico, pois ele aprendeu que nós temos sempre comida por perto.

 

Por que os cães precisam de proteína animal?

            As proteínas são moléculas formadas por cadeias de aminoácidos. E os cães precisam de ao menos 10 aminoácidos essenciais em sua dieta, ou seja, nutrientes que em hipótese alguma podem ficar ausentes na sua alimentação. Esses aminoácidos são facilmente encontrados em alimentos de origem animal. Em vegetais, como grãos, esses aminoácidos também estão presentes, porém em quantidades muito reduzidas. Além disso, o sistema digestório dos cães tem alta capacidade de digestão de proteínas animais, e baixa capacidade digestiva de vegetais, principalmente no caso de alimentos vegetais crus e/ou integrais. Além disso, os alimentos de origem animal concentram uma variedade grande de aminoácidos dentro da mesma fonte, diferente dos vegetais, onde é necessária uma grande diversidade para suprir toda a gama de aminoácidos.

            De acordo com as recomendações nutricionais da FEDIAF (Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação) - elaboradas pelos maiores especialistas em nutrição animal do mundo, o cão adulto precisa de no mínimo 18% de proteína em sua alimentação. Para cães em crescimento, o valor mínimo é 25%.  Vale ressaltar que um pedaço de carne, por exemplo, contém aproximadamente 20-25% de sua composição de proteína, o restante é basicamente água e gorduras, por isso a necessidade de grande quantidade de produtos cárneos na alimentação dos carnívoros.

 

O carboidrato ideal

            Carboidratos são utilizados também pelos cães como fonte de energia. Apesar de os cães serem capazes de retirar toda energia necessária de proteínas e gorduras, eles também conseguem aproveitar a energia dos carboidratos.

            O sistema digestivo dos cães não produz quantidades significativas de enzimas que são necessárias para digerir matéria vegetal. Com isso, esses alimentos acabam passando por uma digestão incompleta, e grande parte dos nutrientes não é absorvida. Algumas fontes vegetais de carboidratos têm a digestão mais facilitada, principalmente quando adequadamente cozidos. É o caso do arroz, de alguns tubérculos como a batata e a mandioca, e de legumes como a cenoura e a abóbora.

            O carboidrato ideal para os cães é, portanto, aquele de fácil digestão, melhor aproveitado pelo seu organismo e rico em nutrientes como vitaminas, antioxidantes e minerais. Felizmente existem opções muito boas na natureza, essas opções são utilizadas na composição dos produtos de alta qualidade.

             

Fibras e antioxidantes

            As fibras são um tipo de carboidrato, porém são pouco ou não digeríveis, passando quase que intactas pelo trato digestivo. As fibras são importantes para o intestino, pois ajudam a formar o bolo fecal e regular o transito intestinal. As fibras presentes nos alimentos são muito importantes também para reduzir o índice glicêmico do alimento. Apesar disso, cães não podem ingerir fibras em excesso. Existe uma quantidade ideal de fibras a ser ingerida a fim de não sobrecarregar o sistema digestivo e prejudicar a absorção dos nutrientes. A correta proporção de fibras na dieta está presente nos alimentos para cães do mercado pet.

            Os antioxidantes são substâncias que ajudam a manter o cão saudável ao neutralizar os radicais livres. Os radicais livres são produzidos pelo próprio metabolismo, porém quando se apresentam em excesso são deletérios à saúde, causando morte das células e prejudicando as funções do organismo. Na natureza o cão acaba ingerindo alimentos com antioxidantes, dentro dos vegetais pré-digeridos das suas presas e em alguns frutos que eles ingerem. Entre essas substâncias podemos destacar os mais importantes:

Betacaroteno: é um dos antioxidantes mais potentes na natureza. Presente nos legumes e frutas de cor alaranjada, como cenoura e abóbora. O betacaroteno é um precursor da vitamina A, ou seja, ao ingeri-lo o cão pode sintetizar essa vitamina no seu organismo.

Vitamina E: também chamada de tocoferol, é um antioxidante fundamental para proteção das células. Apresenta funções muito importantes como manutenção da função cardíaca e imunológica em cães idosos.

Vitamina C: cães são capazes de fabricar vitamina C naturalmente, não sendo vital sua inclusão na dieta. Porém, a vitamina C é mais um antioxidante natural disponível em alguns alimentos (principalmente frutas), protegendo funções dos tecidos.

            Existem ainda uma série de outros antioxidantes que são utilizados nos alimentos para cães, como selênio, ômega 3 e zinco. Esses nutrientes, associados a uma dieta mais próxima da natureza dos cães - livre de grãos e rica em fontes de origem animal, é o que de melhor podemos oferecer aos nossos “melhores amigos”. Atualmente, a Farmina Pet Foods oferece ao mercado alimentos com esse perfil, incluindo sempre matérias primas de alta qualidade e fontes excelentes de proteínas, carboidratos, fibras e antioxidantes.

 

Fontes consultadas:

BIANCHI, M.L.P.; ANTUNES, L.M.G., Radicais livres e os principais antioxidantes da dieta. Revista de Nutrição, 1999.

CHEW, B.P., et tal. Dietary β-Carotene Stimulates Cell-Mediated and Humoral Immune Response in Dogs. Journal of Nutrition, 2000.

REMÍ, F., et al. Effect of Chronic Oral Supplementation with -Tocopherol on Myocardial Stunning in the Dog. Journal of Cardiovascular Pharmacology, 1997.