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A história dos cães

São milênios ao nosso lado. Os cães convivem com a gente há muito tempo, e o título de “melhor amigo” não poderia ser mais justo. No passado, desde tribos pré-históricas até grandes civilizações antigas usaram os cães para diversas funções importantíssimas. Desde então, os cães estão cada vez mais próximos e mais presentes. Veja abaixo em detalhes a história que os cães têm escrito ao longo de todo esse tempo com a gente.

 

O início da trajetória dos cães

           

            Até hoje não se sabe com certeza em qual momento da história os cães apareceram. Conforme já explicamos em outros artigos, o cão é uma espécie que surgiu do Lobo Cinzento após um longo tempo de contato com seres-humanos. Provavelmente, por seu comportamento de vida em grupo, alguns lobos mais mansos aceitavam a aproximação humana e recebiam em troca restos alimentares. Com o tempo isso deu uma vantagem aos lobos, pois eles se alimentavam melhor e tinham abrigo, se reproduzindo com outros indivíduos com as mesmas mordomias, gerando cada vez mais lobos mansos e acostumados com o convívio humano. Não se sabe por quanto tempo esse convívio se deu, mas sabemos que foi esse processo que criou o cão.

            Um estudo genético publicado na revista científica Cell Research chegou à conclusão que os cães (já diferente dos lobos) tiveram sua origem no sudeste da Ásia, há 33 mil anos atrás. A partir desse momento é que começaram a se espalhar pelo planeta.  Segundo os autores, foi nessa época que de fato houve a diferenciação genética entre lobos e cães. Postula-se que os cães então migraram sem a ajuda do homem para a região do oriente médio e posteriormente para a Europa. Talvez por isso outras pesquisas digam que os cães se originaram nessas regiões também, há 10-20 mil anos atrás. As migrações humanas foram ocorrendo e o cão acabou indo junto, já que era um animal de grande utilidade para os seres-humanos na época. Foi assim que aparentemente os cães chegaram às Américas, através de migrações humanas pelo estreito de Bering, entre a Rússia e o Alaska.  

            No entanto, com o desenvolvimento da agricultura e pecuária há aproximadamente 10 mil anos, o cão ganhou um papel ainda mais importante. Agora seria responsável por afastar predadores, controlar pragas e pastorear animais.

             

O desenvolvimento das raças

 

            A partir do momento em que o homem já tinha noções de agricultura e pecuária, e já não viviam mais em pequenas tribos nômades, foi que provavelmente se iniciou o desenvolvimento das raças caninas, ao reproduzir cães com características que eles desejavam na época. Porém, durante centenas de anos essa seleção foi desordenada, sem um controle ou critérios rígidos.

            As primeiras raças são chamadas de cães primitivos, e carregam características típicas dos lobos. Cabeça triangular, orelhas eretas, tendência a uivar, entre outros aspectos mostram isso. Entre essas raças podemos citar o Cão da Carolina, o Cão do Faraó, o Dingo, o Basenji, entre outros. Esses cães foram selecionados sem critérios claros, e muitas vezes até naturalmente, portanto não são considerados cães totalmente domesticados.

            Porém, apenas nos últimos 500 anos é que houve de fato o desenvolvimento da maioria das raças que conhecemos hoje. Veja abaixo um pouco sobre as raças mais comuns de hoje em dia:

 

Golden Retriever: criado como um forte buscador (daí vem o nome “retriever”, uma palavra que significa buscar/rastrear) pelos caçadores para provas de campo. Com o tempo virou um dos cães de companhia preferidos no mundo todo, pela sua beleza e afetuosidade. Origem: Reino Unido

 

Labrador: é uma raça criada praticamente na beira de rios e mares, utilizado para ajudar pescadores a puxar redes e capturar peixes que estavam sendo recolhidos. Com isso, o Labrador é um cão que possui pelagem impermeável e uma grande adoração pela água. Originou-se no Canadá e foi posteriormente levado à Inglaterra (século 19).

 

Pug: é um cão totalmente desenvolvido para companhia, e foi muito popular entre a realeza europeia. Sua origem é chinesa, e seus ancestrais foram levados à Europa no século 16.

 

Poodle: outra raça que foi concebida apenas para companhia, ela fez sucesso na corte francesa. Foram desenvolvidas variedades de tamanhos distintos, desde 3kg até 35kg de peso. Origem: França

 

Yorkshire: pode não parecer, mas essa simpática raça foi feita para caçar incansavelmente. Sua utilidade era a de controlar pragas como ratos e camundongos. Com o passar do tempo o homem selecionou Yorkshires menores e o transformou em um cão de companhia. Origem: Reino Unido.

           

           

A importância para civilizações antigas

           

            Além de grande valia para o homem pré-histórico, o cão continuou sendo importante para as civilizações que vieram depois. Podemos destacar o Egito Antigo onde os cães foram altamente valorizados, e as primeiras raças surgiram lá. Os egípcios acreditavam que os cães e os chacais conheciam os segredos do mundo após a morte. Muitas vezes eles eram mumificados e enterrados com seus donos. Além de auxiliar na caça e na guarda, os cães no Egito eram considerados companheiros leais e inteligentes dos Faraós.

            Nos impérios Romano e Grego os cães também estiveram bem presentes. Os animais mais fortes e ferozes eram criteriosamente selecionados para uso em guerras. Nas ruínas de Pompeia, (do império romano) arqueólogos encontraram uma inscrição que diz “Cave Canen”, que significa “cuidado com o cão”. Algo semelhante ao que vemos hoje nas casas, o que mostra que já naquela época os cães viviam dentro de residências.

           

A importância do cão hoje

           

            Nas sociedades modernas o cão tem muito mais funções do que antigamente, e algumas delas são nobres. Além de até hoje ser utilizado para caça e pastoreio, o homem percebeu virtudes incríveis que os cães apresentam que ajudam e muito a nossa vida. De imediato podemos citar os cães-guia de cegos, animais extremamente dedicados e cuidadosos que mudam completamente a vida de um deficiente visual. Temos também os cães que trabalham no Corpo de Bombeiros ajudando a farejar e resgatar vítimas de grandes tragédias. Na Polícia temos os cães que trabalham perseguindo e capturando criminosos, farejando drogas em portos e aeroportos.  Existem ainda os cães terapeutas que atuam em asilos, orfanatos e hospitais trazendo alegria, companhia e incentivo a pessoas em situação difícil.

            Vale ressaltar o grande papel de amizade e bem-estar que os cães trazem. Um estudo australiano com 5741 participantes demonstrou que proprietários de pets (entre eles o cão) apresentaram menores níveis de pressão arterial. Na pesquisa com pessoas acima de 60 anos de idade foram observados menores níveis de triglicérides em quem era proprietário de um animal de companhia ao comparar com quem não era. Essas pesquisas falam sempre no papel que o pet tem em aliviar a tensão, reduzir o estresse e melhorar a qualidade de vida. Ter um cão é ter um amigo sempre ao nosso lado! Happy pet. Happy you.

 

 

Fontes consultadas:

 

Cell Research - Out of southern East Asia: the natural history of domestic dogs across the world, 2015.

 

Estadão - Estudo desvenda origem dos cães domésticos

 

O globo - Mapa genético revela descendentes vivos dos primeiros cães das América