Categoria: Gatos

Capa de 'A história das raças de gatos'

A história das raças de gatos

Desde o mês passado temos falado de raças nas nossas colunas semanais. Falamos bastante sobre raças de cães, explicando suas origens, suas funções desde os tempos antigos, até os cães que hoje desempenham nobres trabalhos para o homem. Dando continuidade, não poderíamos deixar de abordar sobre as raças de gatos. Entenda a seguir a história das raças dos felinos.

A domesticação do gato

O estudo genético mais recente e publicado na revista Science mostrou que o gato doméstico é descendente especificamente do Felis silvestres lybica, nativo do Oriente Médio. Outras teorias defendem que os gatos vieram de um ancestral africano. Especula-se que o início da domesticação foi há 12 mil anos, data que coincide com a expansão da agricultura pelo homem.

Conforme os povoados iam se estabelecendo nessas regiões, ocorria a plantação de grãos, deixando restos alimentícios que atraíam roedores e outros pequenos animais. Com isso, os felinos se aproximavam para caçar essas presas. O homem, sabendo que as pragas poderiam acabar com seus estoques de cereais, permitiu a aproximação de felinos, e alguns povos começaram até a adora-los, como os Egípcios.

Desta maneira o gato selvagem foi se adaptando ao convívio humano gradualmente, vivendo semi domesticado por séculos, se espalhando pelo mundo através das rotas comerciais de navios.

As primeiras raças

Apesar de sua rápida disseminação, os gatos permaneceram muito semelhantes aos seus ancestrais felinos selvagens. No início, a única função dos gatos era a de predar as pragas que cercavam as aldeias e populações humanas. Para isso, o homem não precisava fazer nada, já que todos os felinos executavam essa função instintivamente, sem precisar do desenvolvimento de uma raça para tal. Portanto, o ímpeto para mudar os gatos de acordo com certas necessidades humanas era muito menor do que para as outras espécies domesticadas (como o cão, por exemplo). No entanto, certos tipos de gatos foram selecionados em várias regiões do mundo. Essa seleção de raças foi muitas vezes baseada na estética e envolveu traços simples de cor da pelagem e padrões de cores, e menos visivelmente forma ou função. Os gatos nunca se mostraram hábeis para se tornar pastores, trabalhar ativamente na caça ou como guardas, mas sua graça e beleza sempre foram valorizadas.

A maioria das raças de gatos foi desenvolvida na Europa e nos Estados Unidos entre 1800 e 1980, sendo que algumas raças ainda estão em fase de reconhecimento. A maior associação de registro de raças de gatos do mundo, a TICA, reconhece atualmente 71 raças de gatos.

Acredita-se que não houveram raças muito antigas, e sim gatos com características físicas semelhantes em determinadas regiões, formando naturalmente uma raça. Essas raças foram então aprimoradas fisicamente pelo homem, dando origem às que temos hoje disponíveis. Como é o caso dos felinos que viveram no Egito Antigo, e provavelmente, deram origem ao Mau Egípcio.

Mau Egípcio: É um gato muito leal, atlético e extrovertido. Com aparência de um felino selvagem, mantém as características físicas do seu ancestral, com um corpo longo e muito flexível. A palavra “mau” significava gato no Egito Antigo, onde eles eram reverenciados por reis e faraós. Nos papiros, os felinos eram representados com manchas semelhantes às vistas no atual Mau Egípcio. É considerada uma raça “natural” (por ter seu sido desenvolvida naturalmente), sem a interferência ativa do homem. A raça foi reconhecida oficialmente apenas em 1958, nos Estados Unidos, quando alguns anos antes uma princesa russa trouxe 3 Mau Egípcios da Itália. Esses gatos foram provavelmente importados do Oriente Médio, já que na Itália existiam criadores da raça.

(Foto: Liz West)

As raças mais populares atualmente

Persa

É a raça felina mais conhecida, e uma das mais antigas. Não se sabe ao certo quando foi o início do desenvolvimento, mas teorias apontam que um gato com características parecidas com o persa de hoje esteve presente na antiga Pérsia (atual Irã). As origens exatas nunca serão conhecidas, mas sabe-se que as primeiras exposições de gatos na Grã-Bretanha incluíam gatos persas. Os exemplares modernos já não se parecem tanto com os persas originais, de séculos atrás. Nos últimos 150 anos o homem foi selecionando animais com a cabeça mais arredondada, orelhas menores e olhos maiores. O persa tem uma personalidade muito tranquila e gentil, se adaptando facilmente a vida “dentro de casa”. São gatos que precisam de escovação frequente para manter sua pelagem saudável e evitar a ingestão de pelos.

British Shorthair

(Foto: Dan Davison)

Traduzindo seu nome, o “britânico de pelo curto” é uma raça que vem ganhando bastante destaque ultimamente nas redes sociais. Ele é o famoso gato de Cheshire, do filme Alice no País das Maravilhas. Com sua pelagem cinza azulada, seus olhos amarelos vibrantes e bochechas rechonchudas, esse gato chama atenção por onde passa. São conhecidos pelo seu temperamento calmo e por serem facilmente treinados, com a capacidade de se adaptar em diversos ambientes. Costumam ser afetuosos, leais, carinhosos, silenciosos e gostam de ficar próximos ao tutor na maior parte do tempo. Provavelmente é a raça inglesa mais antiga entre os felinos. Acredita-se que eles eram gatos de rua no Reino Unido que começaram a ser selecionados geneticamente por criadores a partir de 1900 através do cruzamento com gatos Persas. Por conta disso, o British Shorthair tem a cabeça e os olhos arredondados.

Maine Coon

(Foto: Maine Coon Castle)

Originário do Estado de Maine, nos Estados Unidos, o Maine Coon é conhecido pelo seu grande porte e por sua pelagem longa e resistente à água. Apesar do tamanho, é um felino carinhoso, amigável, inteligente e companheiro, que se adapta muito bem a ambientes familiares. Conhecido como “Gigante Gentil”, é uma ótima opção para quem possui outros animais de estimação e crianças em casa. Existem muitas teorias sobre a sua origem, que é incerta. Acredita-se que a raça surgiu através do cruzamento de gatos americanos de pelagem curta com gatos europeus de pelagem longa, que chegaram às Américas em navios da Inglaterra e Noruega.

Sphynx

(Foto: Sunny Ripert)

Essa raça é definitivamente a que mais chama a atenção. Por ser um gato sem pelos, sua pele enrugada fica a mostra, criando um visual exótico. O formato e o tamanho das orelhas também são diferentes da maioria dos gatos. O mais curioso é que o Sphynx surgiu por acaso, quando em 1966, no Canadá, uma gata doméstica deu à luz a um filhote sem pelos, fruto de uma mutação genética natural. Esse gato sem pelo foi reproduzido várias vezes, e os filhotes que nasciam sem pelos eram separados para reprodução, mantendo a raça. A partir da década de 1970 os Sphynx foram aprimorados, e somente há aproximadamente 20 anos atrás a raça foi oficialmente reconhecida. São gatos muito ativos, brincalhões, apegados ao tutor e que costumam ser muito mansos.

Esperamos que você tenha gostado de mais um artigo sobre raças e curiosidades dos animais. No nosso blog você pode conferir outros textos sobre esse assunto. Caso tenha dúvidas ou sugestões, deixe um comentário abaixo!

Referências:

DISCROLL, A.C. et al. The Near Eastern Origin of Cat Domestication. Science. 317, 519 2007;

LIPINSKI, M.J, FROENICKE L, BAYSAC K.C, et al. The Ascent of Cat Breeds: Genetic Evaluations of Breeds and Worldwide Random Bred Populations. Genomics,91(1):12-21, 2008;

TICA - The International Cat Association® - Breeds